29 de dezembro de 2009

Balanço de fim de ano.

2009 foi um ano difícil. Um ano literalmente ímpar pra mim.
Tanta coisa mudou desde o último 31 de dezembro e eu mesma não sou mais a mesma.
Eu tive um ano de conquistas, um ano de perguntas, um ano de buscas. Os últimos quase 365 dias foram uma junção louca de prazer, dor, felicidade e melancolia. Nem de longe esse foi um bom ano. Nem de longe esse foi um ano ruim. Assim como eu, ele se enquadra bem num meio-termo e eu não reclamo, se tem algo que aprendi bem durante esse ano é que de tudo se tira algum proveito e nada é completamente tão ruim quanto parece, de fato em alguns casos pode ser pior mas, na maioria das vezes, é o melhor que poderia ter acontecido.
Se tem uma palavra que define o ano que está por acabar, essa palavra é 'aprendizado'. Eu nunca acreditei de fato nisso, mas as lições sobre caráter, amor, amizade e confiança são as mais duras e difíceis lições de aprender. Eu que sempre acreditei que fazer o bem fosse o suficiente, aprendi que na maioria das vezes, por mais difícil e cruel que isso seja, basta um mal pequenino pra cortar toda uma árvore boa bem da raíz. Mais que isso, aprendi que isso é o de menos. Não importa quão mal as pessoas façam e quantas vezes você terá que reviver o processo, replante sua árvore do bem, dessa vez em terra mais fértil e em solos mais resistentes. Não importa quem você perdeu, quem te abandonou ou o quanto você sofreu. Importa mesmo é quem você ganhará, o que de bom te acontecerá e as coisas boas que você ainda terá de viver. Por mais que alguns momentos difícies durem toda uma vida, a morte pode trazer boas e grandes supresas, dessas que são um prazer viver.
O misto de sensações que esse ano me trouxe, não tem nada que pague. Não digo os 19, mas 16 anos de amadurecimento eu vivi em um só e por mais difícil que isso tenha sido, foi também muito bom.
Embora eu queira muito um novo ano, um recomeço, um ciclo novo... 2009 me deixará saudades. Conquistei muita coisa, conheci muita gente especial, tive um tempo só pra mim pra pensar em tudo que vivi e hoje as noções de valor que eu tenho, não troco pelas de ninguém. O amor próprio e a paz interior que conquistei são impagáveis. Esse ano me fez crescer como pessoa, amadureceu meus sentimentos, me ensinou a ser paciente e me fez ter fé naquilo que por um momento eu havia deixado de acreditar, nas pessoas. No quanto algumas raras pessoas podem nos fazer bem, nos engrandecer, nos fortalecer. É bom demais voltar a ter fé nas pessoas...
Pro ano que vem eu quero paz. Quero que esse clima bom, de sentimentos fortes, continue pelo ar. Quero continuar com a mesma certeza que tenho sobre mim, quero continuar com as mesmas pessoas na minha vida, que por sinal não posso deixar de dizer que foram essenciais para que eu superasse muitos dos mals momentos que passei esse ano, momentos que na hora me pareceram o fim do mundo e que agora vejo, eram tão pequenos. Obrigada aos que me ajudram, não preciso citar nomes, cada qual que me fez bem e que acreditou em mim sabe da imensa importância que teve para que eu chegasse aonde hoje eu defino como sucesso. Quero cada uma dessas pessoas ao meu lado, vivendo todos os tipos de momentos comigo, no ano que está pra começar. Quero continuar soltando minhas gargalhas histéricas, quero exercitar minha paciência e quero evoluir como pessoa, tanto sentimental como intelectualmente. Pro ano que vem tenho como meta o crescimento, em todos os sentidos.
2009 me arrancou lágrimas, risos, boas histórias, momentos inesquecíveis. 2009 levou tudo de ruim que pudesse interfirir na minha vida, mudou meu jeito de ver as coisas e as pessoas e fez de mim alguém bem mais forte. 2009 me deixará saudade pelo que me trouxe e da forma como trouxe tanta coisa especial e incauculável pra minha vida... mas, ainda que com saudade, o que eu quero mesmo é 2010, meus vinte anos, minha nova vida e tudo que, eu bem sei, ele tem de super bom pra trazer. 2010, tô de braços abertos, siga à risca o mandamento dos anos pares e seja um ano daqueles de chorar só de pensar em deixá-lo ir embora.
É hora de exercitar o que aprendi. Sem mágoa nenhuma, sem nenhum peso no coração, sem nenhuma maldade ou desejos ruins, mas sim com muito amor, muita esperança, muita felicidade e muitos bons fluídos. É hora de exercitar o bem e não esperar nada em troca. É hora de ser maior, sem olhar com indiferença para os que ainda precisam crescer muito. É hora de seguir em frente, mesmo com todas as dificuldades que fazem parte do caminho.
Vem com tudo 2010! Vem que te quero. Te quero muuuuuuuuuuito! Feliz ano novo e muita paz pra todos.

23 de dezembro de 2009

Ao Querido e Bom Velhinho.


É engraçado Papai Noel, mas eu não sei o que pedir. Pela primeira vez, desde muito tempo, as coisas parecem estar realmente indo bem. Então acho que nesse natal eu tenho muito é o que agradecer.
Você é bem inteligente ein Velhinho? Eu ainda lembro bem do que lhe pedi no natal passado e de como você não atendeu ao meu pedido, não por maldade e sim por esperteza... você certamente já sabia o que eu ia preferir esse ano e quis poupar-se de todo um trabalho. Em troca me deu tantas outras coisas mais belas e felizes, coisas e pessoas que não tenho nem como agradecer. Todo agradecimento seria pouco!
E pra não alongar muito essa cartinha, porque sei que você deve ter milhares para ler, muito obrigado. Só de poder comemorar a magia desse natal ao lado de tanta gente que eu amo, juntinho da minha família e com o coração cheio de paz e felicidade, já é um presente sem tamanho.
Obrigado por mais esse ano que passou, por essa renovação que eu tive de viver pra ficar maior de alma e coração. Obrigado por me permitir ver beleza no natal, por me permitir comer um pedaço do peru familiar, por me permitir trocar presentes com pessoas tão amadas. Obrigado por me permitir mais um natal.
E só pra não dizer que não pedi nadinha mande aí muita saúde e paz pra todas as pessoas, todas mesmo. Mande ai um punhadinho de amor bem distribuído pelo mundo, pra que as pessoas possam ser mais felizes. E cuida para que os que me cercam sejam felizes, tenham sucesso, tenham paz. E lógico, saúde e muita vida pra ti, pra que continues podendo dar um natal feliz pra muita gente.
Esse ano vamos montar nossa árvore na fazenda. Vai a família inteira pra lá, comer muito, trocar presentes e sorrir bastante das histórias que o pessoal todo ano tem pra contar. Vou pendurar uma bola lilás em sua homenagem, com todo carinho e de todo o coração, em agradecimento a tudo (e você sabe a que me refiro) de tão feliz que você me deu durante esse ano inteirinho.
Obrigado Papai Noel e um feliz natal pra você também bom velhinho, porque você realmente merece.

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Um feliz natal cheio de paz e luz pra todos. Muitos presentes, uma ceia deliciosa e muita mágica na casa de cada um de vocês. Tudo de muito bom pra todos nesse natal, que o bom velhinho atenda a todos os pedidos ou, ao menos, a maioria deles. Feliz Natal!

11 de dezembro de 2009

É hora de fugir. Outra vez...


Já faz algum tempo que venho me enganando e enganando aos outros também, minhas amigas não mentem quando dizem que sou boa atriz. Eu vinha entrando e saindo de relacionamentos, assim que o sentimento começava a surgir eu abria um sorriso e cantava em alto e bom som 'It's over. Good luck!', bem Vanessa da Mata mesmo, matando toda e qualquer esperança que o infeliz que entrou na minha vida pudesse ter tido de ficar comigo. Mas com você foi diferente.
Eu achei que seriam apenas algumas vezes, você nem sequer era o tipo de cara que eu levaria à sério, me desculpe, mas não mesmo. Eu gosto de caras mais velhos, mais duros e esperava encontrar alguém que me fizesse sentir vontade de ficar por estar sendo esmagada e sentindo prazer com isso. Eu estava cansada de ter sempre as coisas mais fáceis, cansada de caras que logo de primeira me olhavam e eu, tristemente, via aquele brilho filho-da-puta nos olhos deles dizendo algo como 'É você'. Eu não queria que fosse eu.
Então todas as vezes que via a coisa fugindo do controle e eu mais uma vez sendo mais amada que amando, pulava fora e azar de quem se deixasse naufragar com o barco e era pra ter sido assim com você também, pode acreditar. Eu acreditava que sofrendo por uma pessoa recém-chegada na minha história me faria pagar e esquecer antigos pecados, mas bem, não sei do que tanto minhas amigas reclamam, tem homem bom demais sobrando por aí e você é um deles, ou era. Bom, pelo menos sobrando você não está mais e é aí que está o problema. Quando seus olhos brilharam ao me ver, não sei o que aconteceu, eu não processei a mensagem que minha mente enviou ao coração. Quando eu pensei em fugir o coração entendeu algo como ficar, e daí já viu, olha eu aqui de novo confusa e me perguntando o que vi em você.
Não que você tenha defeitos, é exatamente o contrário. Você é perfeito, exceto quando me pergunta o tempo inteiro se está conseguindo me fazer feliz ou quando repete mil vezes que sentiu muito a minha falta. É eu sei que é meio confuso tudo isso, mas você só quer me fazer feliz. Eu aqui querendo um pouco de desprezo, talvez um 'Dane-se você. Comigo é assim ou não é' ou quem sabe apenas um dia inteiro sem uma ligação tua dizendo que precisa ouvir minha voz. Mas olha só você aí de novo, querendo me fazer feliz, como todos os outros e isso deveria ser o suficiente pra fugir e deixar você se perguntando onde foi que você errou, quando o grande erro da relação sou eu.
Não que não seja bom. É ótimo ouvir sua voz todos os dias e eu também sinto sua falta o tempo inteiro. É maravilhoso estar com você em qualquer lugar e nós somos mesmo tão parecidos e é isso tudo que me dá medo. Eu já vivi algo assim antes e sei bem das consequências. Eu sei que você vai dizer que é besteira, que é diferente, que vai ser pra sempre, mas acredite, não será. Agora eu amo tudo isso, no momento isso tudo me faz muito feliz, mas eu vou cansar. Eu sempre canso. Entendeu agora porque o grande problema da relação sou eu?
É muito mais fácil abandonar alguém antes que ela faça planos demais, quando eu ouço o primeiro plano vou logo dando o fora com alguma desculpa esfarrapada, afinal 'Eu não estou preparada para a nossa relação' e talvez eu não esteja mesmo, afinal que pessoa preparada não gostaria de fazer planos? Enquanto eu, eu só tenho como plano fugir quando for a hora certa. E eu já deveria ter fugido de você, no entanto você me prende. Não com palavras ou chorando como os outros. Você me prende apenas sendo você mesmo e me olhando daquele jeito quando tem algo bobo pra me falar. E eu me sinto mais e mais presa todas as vezes que te abraço e percebo como não quero mais largar você, como é bom ser sua e até aí tudo bem, seria lindo então, enfim a idiota sem coração encontrou alguém que também a procurava e agora eles são felizes. Nós somos felizes. Mas meu bem, até quando?
É lindo ouvir sobre um amor bonito como o nascer do sol e lembrar de você. Me conhecendo como conheço vou ouvir essa música todos os dias, lembrando de você, até abusá-la ou pior, abusar você. E depois, como vai ser? Eu não quero machucá-lo, não quero ser egoísta, mas se te deixo ou não, vou acabar sendo egoísta e te machucando do mesmo jeito. Nesse caso, se eu ainda fosse inteligente como era antes, ficaria com você até me cansar e deixaria você sofrer sozinho, afinal azar o seu, eu não o obriguei a ficar comigo e nunca menti sobre minha personalidade difícil. Seria sim bem mais fácil curtir ao máximo e depois ir embora, como se nada tivesse acontecido. Seria o mais fácil pra mim, seria o mais conveniente pra minha imaturidade, mas seria tão injusto com você e tudo que eu não quero é ser injusta com você.
O melhor é que você se vá agora, quando eu ainda não te machuco tanto assim, enquanto ficar sem mim não é difícil, enquanto terminarmos não é sinônimo de um ou o outro beijando outras pessoas pra no fim da noite ligar dizendo que está arrependido, que fez sem pensar, que precisa de um abraço, de um beijo, de um toque. É melhor você ir enquanto está apaixonado só pelo que eu tenho de mágico, sem achar lindo o que me dói, sem ver graça em nos machucar por puro orgulho besta.
Você entende o que eu estou dizendo? Eu também queria ficar, eu também gosto de estar com você. Mas acredite, eu me conheço. Me conheço tanto que sei bem como essa história vai acabar se continuarmos. É melhor você ir, é melhor que fique a mágica. Quem sabe quando eu mudar... Quem sabe quando o nascer do sol me parecer mais bonito que ele se pondo... Quem sabe quando eu for madura o bastante pra nós dois. Agora não. Agora seria trágico. Acredite, é pelo nosso bem. E você ainda vai me agradecer por isso, me agradecer por não ter mentido, por não ter injetado em você o veneno que me fizeram provar e eu nunca mais encontrei a cura. É um ciclo vicioso e você é bom demais para fazer parte dele. Então, mesmo contra todos os meus sentidos, contra todos os meus desejos. Contra tudo em mim que pede por você aqui... Adeus!

6 de dezembro de 2009

Você me oferece o mundo. Eu só quero simplicidade...

Eu gosto de pessoas simples. Eu, realmente, gosto de pessoas simples. E descobri isso ontem, quando também descobri porque não consigo amar você.
Sejamos práticos. Eu vou direto ao ponto: Não gosto da sua falta de simplicidade.
Entenda, é que não tenho interesse pelo carro que você quer e vai comprar, muito menos pela quantidade de sapatos que você tem. Me interessa muito mais a quantidade de carinho que você tem pra me oferece. E você seria muito mais legal se ao invés de perder tempo falando sobre economia, me contasse do seu dia, da falta que sentiu de mim e de como é bom poder me abraçar e descansar comigo.
Eu gosto de pessoas bobas. É isso! Eu amo pessoas bobas. Pessoas que contam piadas inteligentes e fazem trocadilhos sem noção. Gosto de gente que fala alguma besteira enquanto me beija e que sorri do nada comigo, só pra me fazer feliz. É por esse tipo de gente que eu costumo me apaixonar.
Gente séria me cansa. Gente egocentrica me enoja. Gente egoísta me dá preguiça.
Eu sei, falando assim fica difícil amar você, e acredite, não é fácil mesmo. Não que você seja sério ou egocêntrico ou egoísta em tempo integral, mas às vezes você realmente é tudo isso. E nessas horas eu quase peço pra você calar a boca, mas aí lembro que é o seu jeito e que eu preciso respeitá-lo e fico ali, ouvindo você falar sem parar e não dizer coisa alguma.
Eu teria me apaixonado por você. Às vezes você diz coisas bonitas e tem um sorriso tão encantador, mas você sempre sorri das situações erradas o que me faz cansar do teu sorriso e perder a graça da beleza que ele deveria ter se você colaborasse um pouco com o momento.
Prefiro gente que me conte histórias engraçadas, que me conte da infância, dos medos, do sabor ou cheiro preferido. Eu gosto de palavras, nunca soube lidar com números e a única coisa que me interessa na matemática é conseguir somar gente inteligente e momentos bons à minha vida.
Então por favor, venha me ver no seu carro velho, use a sua roupa mais surrada e pra quê sapatos? Venha de havaianas. Seja mais simples, mais sincero, mais sentimento. Eu realmente não me importarei, desde que isso me faça feliz, que é o que seu carro esporte, sua calça de marca e seu melhor sapato não estão conseguindo.
Mostre-me o que você tem de bom, mostre-me o que você tem de encantador. Mostre-me que seria bom te amar.

3 de dezembro de 2009

Menos orgulho. Mais felicidade.


Eu sei e você sabe, está tudo fora do lugar. A começar por você.
Eu até tentei tornar a coisa mais fácil mudando a posição da cama, mas isso só aumentou a bagunça e agora é como se só você tivesse forças suficientes para recolocá-la no seu devido lugar, de onde ela nunca deveria ter saído e que eu, por pura besteira, fiz a bobagem de tirar.
Você falhou, não cumpriu sua promessa. Mas bem, homens costumam nunca cumprir promessas, eu já deveria saber. Só que era mais fácil acreditar em você e mais bonito também, como agora é mais bonito ter você de volta, com sua sacolinha carregável de defeitos, que dormir sozinha, sem seu ronco gostoso todas as noites.
Talvez eu devesse ter sido mais fácil. Eu deveria não ter exigido tanto de você, afinal você é só humano, como eu quando choro por ser sentimental demais e não suportar essa distância entre nós. Como eu quando erro ao pensar que ficarei melhor sem você, quando ambos sabemos que mais ninguém consegue nos fazer tão feliz quanto nós fazemos um ao outro. Eu deveria ter sido mais flexível.
E a essa altura você deve estar se perguntando por aquela mulher decidida e orgulhosa que você conheceu, sempre querendo dar a última palavra. Mas o orgulho eu deixei de lado desde que percebi que orgulho nenhum compensa a falta que você me faz. E deixo você dar a última palavra desde que eu possa recompensá-la com lábios felizes que dizem 'Que bom que você voltou!'.
E isso porque hoje eu vejo, as pessoas que me abraçam não é você e ninguém tem o cheiro gostoso do seu corpo que sempre ficava no ar abafado do quarto fechado... O cheiro incrível do suor do teu corpo que enchia meus sentidos de paixão todas as vezes que acabávamos de fazer amor. E por mais que as pessoas preguem aos quatro cantos do mundo que devemos ser fortes e seguir em frente de cabeça erguida não é isso que eu quero, porque isso jamais me faria tão feliz quanto ter você ao meu lado. Porque isso jamais seria tão prazeroso quanto passar a noite em claro com você ao meu lado na cama, passando as mãos nos meus cabelos e falando sobre o seu dia, sobre como seria maravilhoso poder trocar um dia de correria por um dia ali, deitado comigo.
E pode ser que eu esteja errada, talvez você nem seja o homem da minha vida, mas se você for eu não quero correr o risco de ser alguém sozinha por não ter sido inteligente o suficiente pra perceber que não teria sido errado tentar outra vez, eu mesma talvez precise de uma segunda chance algum dia pra provar pra você que eu posso sim ser melhor em algo, qualquer coisa, que não te agrade. E bom, dizem que cedo ou tarde, se for a pessoa da sua vida ela acaba voltando, pois que no nosso caso seja cedo, já está quase insuportável ficar sem você, pra quê perder mais tempo? Eu não quero perder tempo tentando mostrar ao mundo que sou forte, porque sou fraca! E só fico segura com você.
É alta madrugada lá fora. Faz dias que é alta madrugada lá fora. Já passou da hora de você chegar com nosso jantar. Já passou da hora de começarmos a fazer amor outra vez. Já passou da hora de você voltar pra casa...
Meu amor, eu não quero mais promessas, eu nem sequer farei mais tantas exigências, não porque esteja desesperada para que você volte - O que estou, mas não é por isso - é porque até mesmo as pessoas com menos defeitos que você, até mesmo as pessoas que sempre cumprem com as promessas que me fazem e até mesmo as pessoas que me amam loucamente, nem mesmo elas conseguem me fazer tão feliz quanto você faz, e eu realmente acredito que isso seja amor. A distância mais que nunca me fez perceber que eu realmente te amo.
Ainda que eu reclame dos teus defeitos e tenha repetido várias vezes que não os suportava mais, eu me enganava. Eu repetia só pra me fazer acreditar que eu poderia viver sem você, mas eu fui tola. Fui tola como nunca mais serei, porque eu o amo tanto assim não só pelas suas qualidades, que são inúmeras e que eu sempre exalto quando estamos bem, mas também por teus defeitos que nos fazem brigar e perceber que ainda que eles sejam insuportáveis, eu os suporto por amá-los tanto quanto amo você. Eu amo tudo em você, tudo mesmo. Até seus defeitos. E isso deve ser o suficiente pra ficar com você, pra querer você de volta e entender de uma vez por todas que a vida só tem graça se for com você e que ninguém tem os melhores defeitos do mundo, só você.
Então volte pra mim. Venha e me faça outra vez feliz. Acredite a porta sempre estará aberta, esperando você chegar para que possamos fechá-la juntos, como nunca deveria ter deixado de ser.

30 de novembro de 2009

About me


Acho que sou intensa. Às vezes tenho certeza.
Em alguns casos sou piada e juro que não me importo. Gargalhada faz bem pra alma e eu gosto de fazer o bem.
Não tenho vergonha ou medo de assumir nada. Não consigo deixar de viver algo por causa do que os outros falam, na verdade pra mim pouco importa o que os outros falam. Eu quero é ser feliz!
Acredito em astros, em signos e também em algumas pessoas. Mas há casos em que até a voz me soa falsa. É que eu até tento, mas não consigo ser legal com todo mundo. Tem gente que me cansa. Tem gente que me dá sono. Tem gente que simplesmente é gente, e nesses casos eu sou indiferente.
Eu acredito nos sonhos e tenho medo de pesadelos. Quase sempre encaro as coisas de frente, mas como não sou de ferro em alguns casos eu corro, saio fugida e, sinceramente, se eu não tenho força suficiente naquele momento, essa ainda continua sendo a minha melhor opção. Há sempre uma segunda chance, talvez na próxima eu já esteja preparada e não fuja de nada. Talvez na próxima eu encare de frente.
E tem também os outros casos, aqueles em que não vale à pena perder tempo. Pra esses eu sou tão forte que simplesmente ignoro e sigo em frente.
Sou drama barato, daquele bem mamão com açúcar, e não entendo porque algumas pessoas perdem tempo falando da minha vida. Ela é tão sem graça! Exceto pra mim, é claro, que vivo do começo ao fim cada momento, até os mais sem graça.
Sou sentimento da cabeça aos pés. Quando creio em alguém nada é capaz de abalar isso. Quando me decepciona, bem, eu me refaço. Tenho sempre eu mesma, e mais alguém. Eis uma grande verdade: Tem SEMPRE mais alguém.
Adoro brincar de ser gente grande, mas a verdade é que sou mesmo uma criança teimosa e mimada, que acredita que pode tudo e quase sempre realmente pode.
Se eu disse 'sim' ontem, só por precaução pergunte hoje de novo. Sou realmente muito indecisa! É isso mesmo, às vezes eu realmente não sei o que eu quero. Em outras eu sou decidida até demais... Talvez um dia, quando eu crescer, eu deixe enfim de ser assim, um meio-termo!
Não acredite no que a maioria das pessoas diz sobre mim, elas provavelmente nem me conhecem.
E sabe o que eu penso sobre a verdade? A verdade é aquilo que as pessoas querem que ela seja. É bem mais fácil acreditar no que lhe convém.
Eu não quero a verdade de ninguém, eu só quero a certeza. Certeza de que me fará bem. Antes disso não me interessa, não cabe a mim. Cada um sabe de si e eu sei apenas de mim mesma.
Mas bem, tem algo sobre mim que é crucial: Eu tenho boa memória! E acredite, ela não é seletiva...

28 de novembro de 2009

Se minha alma tivesse voz...


Nada ficou no lugar, eu quero quebrar essas xícaras. Eu vou enganar o diabo. Eu quero acordar sua família.
Eu vou escrever no seu muro e violentar o seu rosto. Eu quero roubar no seu jogo. Eu já arranhei os seus discos...
Que é pra ver se você volta. Que é pra ver se você vem. Que é pra ver se você olha pra mim.
Nada ficou no lugar, eu quero entregar suas mentiras. Eu vou invadir sua alma. Queria falar sua língua.
Eu vou publicar seus segredos. Eu vou mergulhar sua guia. Eu vou derramar nos seus planos o resto da minha alegria...
Que é pra ver se você volta. Que é pra ver se você vem. Que é pra ver se você olha pra mim.

21 de novembro de 2009

Querido, que bom que você voltou.


As coisas ficaram mais difíceis desde que você partiu. E eu deveria te mandar embora agora, porque você me fez sofrer muito, mas não dá.
Porque Querido, eu me sinto tão segura com você por perto e dói todas as vezes que você se afasta de mim, mesmo que seja só para ir ao supermercado. E eu deveria estar te xingando agora, mas me conforta tanto estar sentindo teu abraço outra vez.
Faz um ano que você me deixou e eu sequer encontrei forças para renovar o documento do carro durante esse tempo, eu seria muito frágil e insegura sem você na fila ao meu lado.
Tem sido tão difícil levar as crianças ao parque. Não havia ninguém lá que pudesse olhá-las enquanto eu comprava e comia meu algodão-doce. Eu nunca mais comi algodão-doce. E por favor não me peça uma dose do seu whisky preferido. A nossa adega está vazia, eu dormi bêbada várias noites seguidas desde que você se foi, tentando tornar mais fácil imaginar você ao meu lado na cama e não deu pra ir comprar novas bebidas sem você ao meu lado, fazendo planos para as grandes comemorações que daríamos aqui em casa nos finais-de-semana. Eu nunca mais sequer tive o que comemorar.
Mas bem, isso não importa mais agora e o frio que fez todo esse tempo, também já passou.
Venha! Vamos para o quarto. Eu senti tanta falta do seu corpo sempre ocupando quase todo o espaço da nossa cama.
Não se explique. Eu não quero explicação nenhuma. Apenas diga que continua me amando e me amou todo esse tempo. Diga, prometa, que nunca mais me deixará sozinha, sem você, outra vez.
Eu ainda te amo exatamente igual ao que eu te amava quando demos o nosso primeiro beijo e prometemos que nunca mais nos deixaríamos.

17 de novembro de 2009

O celular chamado encontra-se fora da área de cobertura.


Quando você, casualmente, bisbilhotou sua antiga agenda e encontrou perdido por lá o número do celular da sua ex-namorada que sempre te ouvia dizer adeus e continuava a te esperar, aposto que se arrependeu. Tenho certeza que se lembrou das vezes que jurei amor eterno e por isso acabou me ligando.
Eu quase aceitei seu convite pra jantar. Não nego, sua voz inesperada me desmontou inteira. Mesmo alguns anos depois, fui capaz de lembrar o quanto era bom beijar você. Perigo! Não deveriam ser esses os motivos para eu querer te rever. Eu deveria estar interessada em saber do que você viveu sem mim, do que eu perdi, do que eu não fiz parte na sua vida. Mas, sinceramente, não me agradaria ouvir com quantas garotas você se deitou ou quais delas te amaram mais e melhor que eu. Eu não faço bem o papel de ex-namorada que pousa de amiga e se sente bem. Eu não sou sua amiga. Enfim, fosse pra te ouvir ou beijar, ou quem sabe nenhum dos dois e apenas ficar te olhando com a mesma cara de idiota que te vi parti, eu quase cedi e fui te encontrar.
Mas recobrei os sentidos. Enquanto você destilava desculpas pra não mais ter me procurado e também para ter me procurado agora, lembrei das desculpas que você usou pra me deixar. Enquanto eu te falava que a vida ia bem, lembrei do quanto fiquei mal todas as vezes que você quase saiu da minha vida e mais ainda de todas as vezes que você decidiu voltar e me confundiu, sempre mais. Enquanto você dizia que tinha muito do seu novo emprego que eu ia gostar de saber, passou como um filme pela minha cabeça as oportunidades que abandonei por você. E a cada minuto que a ligação contava, somavam-se também as lembranças de cada uma das vezes que você me fez chorar.
Eu não estou bem-resolvida e, aposto que, me conhecendo como só você conhece, certamente notou isso. Talvez tivesse usado isso a seu favor e me convencido, se enquanto você citava o nome dos lugares e pessoas que conheceu não tivesse me lembrando dos lugares e pessoas que perdi a chance de conhecer, só para mais uma vez tentar (ruinosamente) tê-lo de volta. Eu teria aceitado seu convite e pousado de mulher decidida e segura, mas você sabe que nunca fui nenhum dos dois e certamente eu não saberia fingir, então ao lembrar-me de todas as vezes que duvidou de mim e de tantas mais que me disse 'acabou' (sempre voltando atrás quando queria se divertir), lembrei que acabaria cedendo se te visse outra vez, como fora sempre em tempos atrás.
Muita coisa mudou em você, eu sou quase a mesma. Só que agora não uso mais salto-alto e deixei de escrever (até hoje) textos baratos direcionados a você e que você nunca leu. Mas mesmo não tendo mudado muita coisa, acabei fazendo revolução dentro de mim. Não deixei de ser dramática, mas acabei encontrando alguém que não reclame disso em mim e ao lembrar todas as vezes que voltei de festas chorando por sua causa, por algo em mim que você passara a noite reclamando, notei que apenas eu me enganava, enquanto você sempre soube que nós dois não nos levaria a nada. E dessa vez não seria diferente, assim como não diferente de antes, você também sabia.
Você quis prolongar a conversa e eu até teria aceitado, não fosse olhar pra foto na cabeceira da minha cama e lembrar alguém que toda noite diz que me ama antes de dormir. Talvez, não fosse o meu primeiro pedaço de bolo que esperou uma semana por você naquele ano inesquecível, eu tivesse esquecido a forma como você disse que não me amava mais. Mas o bolo eu acabei doando a outra pessoa, coisa que acabei fazendo com meu coração também. Então no fim da ligação sua voz do outro lado já quase tremia:

"E aí, vamos?"

Mas ir pra onde? Já fazia tanto tempo, que não existia mais qualquer lugar seguro que pudesse abrigar nós dois. Como quando você disse que não me amava mais e eu não sabia para onde correr. E eu não quero pensar como teria sido se eu tivesse aceitado o teu convite e mais uma vez tentado o nosso tão sonhado e agora impossível final feliz. Depois de tanto tempo e de ter me entregue a tantas pessoas, a única coisa certa que me restou foi não ter sido feita pra você. Meus defeitos você escancarava e as qualidades você tinha o dom de criticar, pra quê reencontrar você se quando eu começasse a contar do que eu vivi você sentiria sono e diria que já está tarde, enquanto eu havia passado a noite toda me entregando a você e aos grandes acontecidos por você vividos nesse nosso tempo separados? Eu sempre te cansei. E longe de você, embora eu saiba que você ache isso impossível, eu tive minhas próprias aventuras e já não vejo mais nada de interessante em pular já sabendo ao certo onde vou acabar caindo. Muito menos vejo graça na companhia de alguém que não gosta de me ouvir, quando eu sei que o que eu tenho pra falar é bem mais interessante que o que eu estou ouvindo. No fundo, acho que de uma certa forma, você também sempre me cansou, mas eu estava tão doentia que passava por cima disso, só pra ter um pouco mais do que eu achava ser amor e no fundo, eram migalhas.
Sua voz me desmontou sim, no começo. Mas não por sentimento antigo, como eu pensei no início e sim pela surpresa que o destino me pregara ao notar que o óbvio sempre esteve diante de mim e eu não fui capaz de enxergar até o presente momento. Você jamais havia me amado. E eu, depois de amada mais e melhor que por você, também não tinha mais amor para te oferecer. A resposta veio tão espontaneamente que eu quase não senti sair de mim:

"Foi bom ter falado com você de novo, mas eu ando muito ocupada. Um dia, quem sabe, a gente se encontre por aí, mas agora não tenho tempo pra marcar nada."

Certeza que na hora você soube que não fora bom falar com você, jamais fora bom todas as vezes que você me procurou e me deixou sozinha no fim da noite, como pretendia fazer mais uma vez. E eu tinha tempo de sobra, mas já não tinha tanta graça perder meu tempo com você. Então mais uma vez você me disse adeus, como tantas outras inúmeras vezes que o fez e me fez chorar. Eu não chorei, não quis te pedir que ficasse. Não quis pedir mais da tua voz. Desliguei e ativei o desvio de chamada. Se um dia houver uma próxima vez e você por falta de opção, ou saudade e até quem sabe, arrependimento, decidir me ligar, você só ouvirá minha voz dizer na gravação da caixa postal:

"Devo estar ocupada, destrambelhada ou quem sabe tenha só esquecido o celular desligado em algum lugar, sempre faço isso. Deixa um recado! Amor se for você, eu te amo! Não fique bravo comigo, ok?"

Talvez nesse momento seja minha voz que te desmonte ao pela primeira vez na vida me ouvir dizer que amo alguém e perceber que esse alguém não é você.

16 de novembro de 2009

Signos que se completam


Você tem os olhos que eu procurava. Não pela cor, que também me encanta, mas pela forma como eles conseguem ter o complemento da luz que os meus precisam.
Você me beija com tanto carinho e quando sente ciúmes fica ainda mais lindo. Até mesmo quando repete mil vezes 'tipo', antes de começar uma frase, me encanta.
Eu sempre sonhei com alguém como você. Alguém que me aceita como eu sou, que abre um riso de todas as idiotices que eu digo e que, acima de tudo, me faz feliz e é feliz comigo. Ta meio brega e clichê, mas você sabe o quanto ser brega nos faz feliz quando estamos juntos e, mesmo achando que nunca encontraria alguém capaz disso, você consegue ser sempre mais romântico que eu.
Eu tinha uma certeza. Uma certeza triste de que teria que conviver para sempre com um passado que ainda me dói muito. Você veio me provar o contrário.
Você é presente e é futuro. Algo que realmente me completa. E nenhum homem jamais me amou tão bem quanto você ou cantou canções tão lindas no meu ouvido.
Sabe os sinais que você tem no braço? Esses dois, próximos um do outro, um pouco acima do cotovelo do braço direito, me encantaram desde a primeira vez que os vi, quando você quis saber sobre uma salva vida fajuta, que outrora tentara lhe salvar a vida. Quando você me estendeu a mão para que eu te acompanhasse, eu os vi e me apaixonei.
Depois, quando estávamos vendo um filme bobo e você lá, adorando o filme junto comigo, eu os vi novamente. E hoje, quando você meio bêbado disse que me adorava e que eu te faço muito feliz, lá estavam eles juntos dos teus braços abertos pra que eu te desse um dos nossos gostosos abraços. Sei que parece tolo, mas eles me marcaram. São sinais seus que ficaram em mim, como tudo que te pertence e já passa a quase me pertencer.
Você me faz bem. E eu sei que muitas pessoas não acreditam em sinais ou coisas do tipo. Mas seus sinais foram pra mim um sinal indiscutível e para tirar todas as nossas dúvidas veio o universo, sempre conspirando a nosso favor.
Não são textos de amor que te farão ficar ou nos farão durar, nós nem precisamos disso. Não é só química, apesar de nós termos muita, é ainda mais que isso. E eu sei que nossa física também conta inumeravelmente, mas não é só isso.
É o segredo, aquele que eu te contei e você sempre repete quando diz que me quer pra sempre em sua vida. É mágica. É constelação. Você é, sem dúvida nenhuma, meu paraíso astral.
E vê se não espalha, pra não acabar o encanto. Essa mágica e a certeza que veio junto dela é algo que inexplicavelmente só pertence a nós dois. Assim como, por encanto, nós sempre pertencemos um ao outro.

13 de novembro de 2009

Pequena nota

Bom, essas postagens nem fazem meu tipo, mas tô tão nervosa que queria dividir isso com alguém. Muitas borboletas no meu estômago e a certeza de que hoje será um belo dia.

"Se você quer e se você acredita no que você quer,
você tem que correr riscos!"

Torçam por mim!

12 de novembro de 2009

Eu gosto de sentir

As vezes me imagino vazia. Como eu ficaria sem as letras que preenchem a mente, sem os sentimentos que inundam meu coração?
Não sei, é muito difícil se ter certeza sobre algo que nunca se viveu, mas eu tenho a leve impressão de que não gostaria.
Seria estranho não ter as palavras certas para escrever sobre alguém que eu amo, mas certamente seria extremamente terrível procurar, revirar, enlouquecer e não chegar a sentir. Não sentir nada.
Ainda que as vezes doa ou até mesmo mate algo dentro de mim, ainda assim é bom sentir. Não sentir seria muito sem graça. Afinal como eu faria drama se não sentisse a dor da perda? Como eu daria carinho se não sentisse o bem que me faz querer dar o abraço? Ficaria tudo realmente muito chato e monótono, logo pra mim que adoro sorrir.
Como eu distinguiria o cheiro do meu amor? Como diferenciaria seu aroma de todos os outros? Sem sentir ficaria impossível reconhecer a paz que me invade quando eu sinto aquele cheiro.
E embora eu saiba que muitas das vezes alguns sentimentos só atrapalhem, prefiro ficar com o incerto, com o medo, com a dor... do que jamais sentir nada.


10 de novembro de 2009

I don't love you anymore.


Quando eu acreditava na beleza do momento, quando eu ainda estava tentando acordar do dia anterior, você chegou e disse adeus. Eu ainda nem havia escovado os dentes e queria ter tido tempo pra pentear os cabelos para que você não me achasse tão feia, como se fosse fazer alguma diferença. Você estava me deixando, tão rápido e bruscamente que me pegou sem reação. Fiquei parada, olhando o nada e ouvindo você repetir todo o teu discurso de bom rapaz que não quer machucar ninguém, mas que vai machucar mesmo assim.
Fiquei me perguntando o que eu havia feito, onde eu havia errado. Durante nosso tempo juntos eu fui sempre eu mesma, será que fora esse o problema? Ou foi por eu ter reclamado das coisas que eu realmente não suportava em você? Talvez tenha sido por precisar de você demais, soube que homens odeiam mulheres que precisam demais deles. Bom, o motivo eu ainda não descobri, mas também nem interessa, o fato é que você me deixou. E eu quase enlouqueci, mas ao invés disso, quando ia começando o segundo tempo, decidi que simplesmente viveria. E foi o que fiz, embora isso tenha me doído muito nas primeiras duas semanas.
Arrumei a bagunça que você deixou e coloquei na cabeça que a culpa não havia sido minha. Você é que não passa de um babaca que não sabe dar valor ao que tem. Fui procurar alguém que o fizesse.
Então quando as coisas já estavam em ordem, quando eu já não lembrava mais seu cheiro e já havia conhecido alguém bem mais interessante, inteligente e engraçado que você, você me reaparece. Vem com aquela típica cara de cachorro-pidão, olhos baixos e rabinho abanando, querendo um ossinho pra matar a fome, talvez. Veio com o velho papo ridículo de tempo pra refletir. Pois bem, eu não acredito nessa coisa tola de tempo pra refletir, afinal quando se quer uma pessoa sobre o que é que se vai refletir? Quantas vezes transar com ela por semana? Paciência.
Você queria mesmo era me testar, saber quanto tempo eu te esperaria, saber se ver você com outras não diminuiria o que eu sinto. Só não contava com a possibilidade de eu também encontrar outro alguém. Sempre acostumado a ganhar de mim todas as apostas, não imaginou que dessa vez eu não pagaria pra ver. Nos acréscimos do segundo tempo, quando você consultou pela milésima vez seu registro de chamadas no celular, sua caixa postal, seu e-mail e Orkut, quando notou que eu não havia dado nenhum sinal de vida, aí você voltou. Veio como quem nada quer, mas na verdade quer além do que pode ter. Queria me ter de volta.
Não nego, até teria voltado, se o beijo dele não fosse melhor que o seu. Se fazer amor com ele não me causasse arrepios maiores que os que sentia com você, se a voz dele não me fizesse tão feliz todas as manhãs e se o cheiro dele não me fizesse sentir tão viva. Se não tivesse encontrado alguém tão mais especial que você, eu cederia sim e você sabe bem disso. E agora toda noite antes de dormir você lamentará por ter se deixado vencer por um desconhecido. Lamentará por ter acreditado que mais uma vez eu esperaria por você, por ter caído no seu conto infantil e achado que só seu beijo me despertaria do sono profundo. Pois bem, você perdeu.
Eu poderia ter sim esperado por você e agora te fazer bem feliz. Mas a verdade é que é bem mais gostoso alguém nos fazendo feliz e eu cansei de fazer esperando receber, mas na verdade nunca recebendo.
Estou dando uma de Alice, eu não saberia mentir e sei que estar te dizendo a verdade te fará me odiar, então o que resta é pedir que você saia, e não volte. Eu não te amo mais.

7 de novembro de 2009

Bom mesmo é ser você

Se olhar no espelho e sentir orgulho, é para poucos. Isso porque muitos ainda desconhecem o dom de serem eles mesmos. Ver o reflexo e olhar no fundo dos olhos que refletem a própria alma muitas vezes pode ser bastante difícil, muitos não sabem a paz que traz ser você mesmo em qualquer situação.
Gostoso é sorrir quando sentir vontade, uma daquelas gargalhadas altas que contagiam todos ao seu redor. Gostoso também é chorar quando sentir a cócega incontrolável das lágrimas, que sobe do nariz ao canto dos olhos, sem precisar fingir ou negar o que está sentindo. As lágrimas levam de dentro da gente as tristezas e isso reflete em nossa alma, que fica mais leve... mais calma.
Gostoso é andar descalço dentro de casa ou em alguma calçada fria da rua, se assim você sentir vontade. Gostoso é dançar sem se importar com o que as pessoas ao redor vão achar. Gostoso é mostrar seu rosto, como ele é. Em qualquer lugar, pra qualquer pessoa.
E isso tudo é tão gostoso assim porque veio da alma. Veio de você, do que você quer fazer, de como você se sente. É bom poder mostrar como nos sentimos, sem medo ou vergonha do que o resto do mundo vai deduzir a nosso respeito. Verdade seja dita, o que você sente, vive, pensa é problema e dádiva somente sua. Ninguém deveria perder seu precioso tempo se perguntando ou comentando o fato de você ser dessa forma ou daquela outra. Esse tempo perdido poderia ser usado para fazer um bem, comer chocolate, olhar o mar quem sabe...
E é por saber quão gostoso é ser eu, que eu escrevo. Escrevo o que penso, sinto, vejo e não calo. Não calo porque é gostoso falar dos meus sentimentos, porque me faz bem compartilhar os meus sonhos, planos e desilusões.
Gosto de escrever sobre algo que eu vejo e me balança. Gosto de escrever sobre algo que sinto e não tem como controlar. Gosto de falar de lugares, pessoas, fatos que eu vi acontecer, que fizeram parte direta ou indiretamente da minha vida, porque de certa forma isso tudo também sou eu. Se ficar guardado na minha lembrança, seja lá por qual motivo for, levou algo de mim... Uma emoção, um olhar, um sentimento, quem sabe até um sonho... E por amar o que eu sou, o que me tornei, por amar o reflexo que eu vejo no espelho é que eu não canso de ser eu mesma e de escrever sobre tudo e qualquer coisa que me toque, encante ou me dê vontade de descrever o que eu sinto. Pois não importa o tempo, lugar ou circunstancia, ser você mesmo e amar o que você é, te faz sentir vivo, te fazer ter vontade de viver mais e mais e mais... E olhando no espelho, sinceramente, eu me orgulho do que vejo!

3 de novembro de 2009

Três Novembros Depois

Eu amo você.
Eu não queria ser assim tão direta, você sabe o quanto eu tenho o dom de complicar as coisas e o quanto eu gosto disso, mas nesse caso o fato por si só já é complicado demais.
Então eu parei e procurei palavras bonitas. E eu que sempre tive a mania de querer deixar tudo bonito não sei como dar beleza a isso, e olha que já me disseram que o amor por si só é lindo. Espero que no nosso caso não seja diferente e que você possa ver beleza mesmo nas palavras que não as tenha, se é que existe alguma palavra sem uma determinada beleza.
Eu já usei todas as frases e rimas bonitas que sou capaz de criar, e todas elas foram feitas pra você. Tudo que eu não queria era tornar essa carta repetitiva, talvez seja a última vez que eu tenho coragem de escrever para você e eu queria que fosse algo que descrevesse o que eu sinto, mas que fosse algo novo, novo e bonito. O que dificulta as coisas é o sentimento que não muda. O amor que continua o mesmo.
O que resta então é torcer para que você ache bonito, e se algo soar repetitivo perdoa e faz de conta que essa é a primeira carta que te escrevo.
É incrível como todos os dias da minha vida eu lembro seu cheiro e fico boba ao notar que é o mais especial que eu senti em toda minha vida, e eu ainda lembro bem de cada pequeno detalhe do teu corpo. Às vezes vem a falta da sua presença e eu me recordo de nós dois deitados e eu mordendo seu queixo. Eu sinto saudade de morder seu queixo. E por pura crueldade do destino até hoje ninguém me beijou como você, muito menos melhor que você.
Às vezes eu sonho acordada e vejo você chegando, com aqueles braços abertos. Quase dá pra ouvir seu sorriso e ver o brilho de felicidade em seus olhos. E na loucura da saudade eu até consigo sentir seu abraço. Eu sinto falta das suas piadas e o destino, que não cansa de ser cruel, não deixa ninguém ter o teu bom humor.
Não sei se você reparou, eu lembro bem do quanto você é desligado, mas tem lua cheia lá fora hoje e em noites como essa eu lembro cada detalhe das loucuras de amor que já fizemos, nos lugares mais improváveis, sempre dando um jeito de matar o desejo louco que sempre tivemos um pelo outro.

Você é o capítulo mais lindo que eu escrevi na minha vida, e o único que eu não consigo encerrar.
Mesmo sabendo que o desfecho final já foi escrito há muito tempo pelo destino que cansou de esperar eu criar coragem e decidir como encerrá-lo, não sei como, mas ainda consigo acreditar, não num futuro, mas na beleza do passado que vivemos. E é com essa crença que eu me agarro todas as noites ao que restou de nós dois pela casa, e repito para mim mesma que será sempre amor, mesmo que mude. Eu ainda sinto sua falta e tem muitas coisas das quais eu ainda não sou capaz de falar, mas você sabe como entender, sabe como encontrar todas as respostas. É só olhar dentro dos meus olhos e se encontrar guardado, intacto, por lá.

PS: Rasga essa carta quando as palavras acabarem. Guarde a beleza das palavras na tua lembrança, o lugar mais seguro para elas ficarem. Não quero você relendo essa carta e revendo as marcas das minhas lágrimas nessa folha de papel, porque é com um sorriso lindo que eu termino de escrevê-la. O meu, que costumava ser o seu, sorriso preferido.

27 de outubro de 2009

Volta pra casa.

Então na nossa última briga você disse que já não me amava mais, que precisava ficar longe de mim. Eu cheguei a te odiar. Por um segundo quis nunca ter conhecido você. Eu pensei que daria pra ser feliz sem você por aqui.
Mas e esse aperto no peito, que eu não sei explicar? E o medo que eu tenho de te perder pra sempre? É engraçado e até meio pecado, mas eu sinto sua falta. E todas as vezes que eu sonho com você, acordo com um vazio que preenche cada pedacinho do meu corpo.
Então eu deveria parar de lutar contra o que eu sinto, eu deveria desistir de tentar continuar sem você. Dói demais sem você. E é tão absurdo acordar com a cama vazia e seu perfume pelo quarto, é como se você tivesse ido embora e ainda assim continuasse aqui e pela primeira vez eu não sei o que é pior pra mim, mesmo sabendo que o pior é não ter você.
Ontem eu ouvi nossa música e doeu tanto. A letra já não faz mais sentido nenhum, ou quem sabe faça mais sentido que antes, mas ainda assim a música outrora tão contagiante, hoje é vazia.
E eu vejo nossos anos de felicidade voarem pela janela, e as paredes que você me ajudou a pintar começam a perder a cor. Ainda tem tanto de você em cada canto dessa casa, mas não restou nada dos sonhos e planos que um dia achamos que daria pra realizar. Amor eu sinto falta dos teus olhos e não há mais ninguém aqui pra encher a cozinha de alegria no café da manhã com uma daquelas piadas sem graça.
Então entenda, não sei direito ainda quanta falta você sente de casa, mas a nossa casa morre a cada dia de saudades de você.

[Nota sobre um casamento feliz, que eu vi se desfazer]

21 de outubro de 2009

sempre, que acaba.

O engraçado é mesmo essa certeza, a certeza errante que as pessoas insistem em guardar de que algumas coisas são pra sempre.
Eu disse que te amaria para sempre. Lembro bem de pelo menos mil, das milhões de vezes que repeti isso pra você. E bem, no momento eu não sabia, mas eu mentia. Não propositalmente e talvez, se tivesse dado certo, eu até tivesse falado a verdade. Mas bem, o para sempre de duas pessoas não se constrói sozinho, precisa de no mínimo quatro mãos, quatro pés e dois corações batendo em ritmo acelerado. Nem mesmo o meu coraçãozinho, desesperadamente acelerado, conseguiria sozinho.
Então ali, no momento do adeus, acabou o meu para sempre com você. Não que eu tivesse escolha, diga-se de passagem, você sempre foi muito exigente e quando me pediu pra ser feliz sem você não foi diferente. O que me restou foi seguir meu caminho e te esquecer.
Não foi fácil e admito que por muitas vezes eu chorei descontroladamente, mas acho que a fonte de lágrimas secou. Vez ou outra bate uma saudade, um desejo de viver algumas coisas de novo, mas como eu acabei de dizer, é só saudade, não é amor.
E é quando eu sinto saudade que eu percebo que menti.
Hoje, com o coração inteiro e beijos sendo doados a outra pessoa, eu vejo o quanto eu idealizei nosso amor, o julgando perfeito. Talvez tenha sido culpa minha mesmo, esperei de ti bem mais que o que você poderia ter me dado. Na falta da realização dos desejos, acabei por desistir de realizá-los com você e consequentemente, acabei também por deixar de amá-lo. O bom é não ter feito ninguém sofrer, o seu para sempre durou ainda menos que o meu e seu amor, quando o meu desistiu, já tinha acabado faz tempo.
E bem, talvez não faça muito sentido para quem acabar por ler essas linhas estranhas e certas de que o para sempre não existe, mas para mim e você fará todo o sentindo.
Nosso para sempre foi bom enquanto durou! E eu, de todo o coração, retiro agora a culpa que um dia atribui a você. Não fomos nós quem errou, é só que havia chegado a hora do nosso para sempre acabar.

20 de outubro de 2009

Tem sol outra vez


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei.
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera, que o sol já vem!
Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá.
Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar.
Tem gente enganando a gente. Veja nossa vida como está!
Mas eu sei que um dia a gente aprende...
Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança.
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei.
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera, que o sol já vem!
Nunca deixe que lhe digam que não vale à pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém.
Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar.
Mas eu sei que um dia a gente aprende...
Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança!

13 de outubro de 2009

  Mas amor, amor mesmo, desses de virar a cabeça.
  Desses de tirar todo o juízo e os medos.
  Desses de te fazer ter péssimas noites sem sono.
  Desses de te fazer chorar feito criança e querer só um colo...
  Ah! Esse amor, amor de verdade,
  Esse a gente só sente uma única vez em toda a vida.


"Desculpa, estou aprendendo o que é o amor".

29 de setembro de 2009

Mudança de tempo, de estado, de vida...


O destino querido, eu tentei te avisar, prega muitas peças. Lembra quando eu disse que o mundo girava?
Você, com seu ar de desdém apenas fez que nem aí e saiu, sem olhar pra trás. Pois bem, já que você não viu, eu lhe digo o que você deixou pra trás.
Enquanto você seguia em frente sem olhar, atrás de você ficava alguém tremendo, chorando, sentindo medo. Alguém cujo coração era seu e você não soube cuidar. Esse mesmo coração batia devagarzinho e quase não se sentia palpitar com o soluço, seguido de chuva, que predominou durante toda aquela noite e por mais alguns dias também...
Até que o sol apareceu. Seus retratos molhados, mais de lágrimas que água ou qualquer outra coisa, acabaram por se rasgar. Seu cheiro, antes tão presente, alguns dias de chuva foram suficientes para acabar. E até mesmo o cigarro, que ficou no lugar dos teus beijos, acabou perdendo a graça por causa de todo o calor que o sol trouxe junto dele.
E por falar no que veio junto do sol, veja que surpresa. Fora o calor natural, veio o calor humano também. Um abraço, dos bem apertados e um sorriso, dos mais bonitos. Um perfume novo e um beijo tão sereno...
E para você, que tanto orgulho tinha para dar e vender trouxe muito. Trouxe o que aprender.
É que vai além de dizer que está tudo bem. Vai além de abrir um riso falso e mostrar dentes amarelos. Vai além de somar mais um dia de vida. E só pára de ir além quando o coração fica em paz. E eu não falo de não ter brigas ou cobranças, pra mim isso não é paz, é vazio. Eu falo de paz de verdade. Alguém, não necessariamente um amante, mas alguém de verdade com quem conversar. Alguém a quem abraçar quando o mundo cair e alguém com quem dividir todas as dores e segredos. Falo de deitar e antes de dormir ter coisas boas nas quais pensar e se orgulhar de ter tido mais um dia feliz, ou ao menos mais um dia que valeu à pena.
E essas sensações, as melhores sensações, essas a gente só sente quando sabe crescer sendo criança. Quando não deixa o orgulho tomar de conta. Quando não deixa que o medo impeça de tentar de novo e quando aprende que quebrar a cara não passa de uma forma um pouco mais dolorida de aprendizado e é também uma forma de merecer uma melhor recompensa.
Sabe amor, e ainda lhe chamo assim não por continuar te amando, mas por amar as coisas que você sem querer me fez aprender, ontem quando vi você partir e senti minhas lágrimas unirem-se a chuva pensei que nunca mais voltaria a sorrir. Hoje, de sorriso na cara, não só espero que o meu sorriso dure, mas torço de coração para que um dia o seu seja um sorriso verdadeiro.

24 de setembro de 2009

Contra o que vier.


Falar de nós dois é quase fácil. Afinal, que mágico alguém me ligar à meia noite dizendo que a brisa do mar não tem graça sem mim.
Não fossem os contras, a gente já viveria um quase conto de fadas.
Mas ei, errei!
Que conto de fadas não tem alguém querendo separar os mocinhos?
Pois bem, eis o que nos separa, o passado!
Como se isso realmente importasse pra algum de nós dois. O mal de tudo é o resto, terceiros e quartos que querem fazer de conta que sabem de tudo, quando nada entendem, a não ser de seu futuro meio planejado e que deu errado.
Perguntaram-me se eu não tenho medo. Medo, eu? Medo, diante de tudo que já vivemos é algo que realmente não me atinge. Ok, eu admito! Eu tive medo de me apaixonar, mas agora que não tem como voltar atrás, medo é algo que não me perturba, não me vem. Não me alcança.
E sabe o que me alcança?
Alcança seu beijo gostoso sussurrado ao telefone. Alcança a saudade que nos atinge e até mesmo o desejo de estar agarrados no que definimos como nosso ninho de amor. Fora isso, sou imbatível, quase super-herói e sinceramente, vilão nenhum nunca me meteu medo.
Que venha a luta então. Deixei o passado de lado faz tempo! E quem quiser dizer que é errado, que o diga. Pra mim nada é mais certo que a sua voz no meu ouvido dizendo o quanto é gostoso estarmos juntos essa noite e tantas outras mais.
Não meu bem, não tenhas medo. Jamais penses que desistirei pelo caminho. Tem coisas das quais eu não abro mão e se queres bem saber, na atual conjuntura, nosso querer é uma delas. Então faça de conta que não ouviu as vozes e esqueça a distancia, pouco importa o quão longe estejas quando tua voz ainda diz em meu ouvido coisas que esperei tanto tempo para ouvir...
É isso. O segredo está aí. Você, como ninguém, mexeu comigo! Disse o que eu queria ouvir. Pouco importa o resto do mundo, se queres ficar comigo, venha cá e deite ao meu lado. Aqui, no ninho, nós somos invencíveis.

21 de setembro de 2009

Tão presos. Tão livres.


O lençol cobriu meu rosto ontem à noite e você não pode ver minhas lágrimas.
Não chorei de tristeza, você sabe que essa palavra não caberia na atual conjuntura dos nossos sentimentos. Chorei de medo.
Medo porque ambos sabemos do passado, do amor, das feriadas. Ambos temos, uma boa meia dúzia de histórias com finais tristes para contar. E isso me deu medo, um medo horrível de perder você. Engraçado é pensar em perdê-lo quando ainda nem sei se você é realmente meu.
Entenda, não é covardia. Você sabe que covardia não combina com meu riso descarado e que da forma que levo a vida, ser covarde já teria me feito parar pelo caminho. Eu jamais desistiria por sentir medo, mas ser corajosa não me impede de senti-lo.
Somos tão vulneráveis. Você com essa sua forma excêntrica de amor, que ama alguém amando mais sua própria liberdade e que bem combinaria com minha forma de amor, não fosse o fato de pela primeira vez o tiro sair pela culatra e alguém conseguir compensar minha liberdade com a dose certa de paixão, aventura, loucura e sentimento.
Quando você me olha daquele jeito e faz o tipo sério só pra me provocar, você não sabe o apertinho aqui por dentro e já me imagino dizendo que vou e não poderei voltar. Acomodei-me tanto a essa mania errada de amor, fugindo sempre que o perigo chega que sinto medo de já ser hora de fugir. Não quero fugir de você, entende?
Porque é tão mágico quando você deita ao meu lado e me abraça forte. E nós dois deitados na rede rindo da TV me faz tão feliz. Dançar com você me faz sentir segura. E fugir do passado perderia a graça se você não estivesse nos planos pro futuro.
Então querido, desculpe as lágrimas de medo. Desculpe essa paixão tão rápida. Desculpe esse apego indesejado. Sei o quanto detesta me ver chorar, e sempre que a vontade vier lhe farei o favor de me esconder debaixo dos lençóis, para que não me vejas ter medo de perder-lhe, para que não vejas a paixão falando mais alto em meu olhar.
Talvez eu devesse lhe falar abertamente de todo esse turbilhão sentimental que vem fazendo confusão aqui dentro. Mas pra quê complicar? Se nas últimas vezes acabei sozinha, talvez seja por terem complicado demais pro meu lado e eu não quero complicar nada pra você, não algo que não possamos descomplicar juntos.
Quem sabe seja algo que podemos descomplicar juntos!
Mas bem, pra quê pressa? Você ainda nem conhece minha pior mania e eu ainda tenho de descobrir o que você quer ganhar de presente de aniversário.
Por hora, me deixa usar o lençol para enxugar as lágrimas e encostar a cabeça no seu peito, sentir você me fazer carinho gostoso.

18 de setembro de 2009

Por Fernanda Gava [2]

Hoje eu me denomino hoje. Bem diferente de ontem, sem esperar com tanta ânsia o amanhã. Vou em pequenos passos. Provavelmente bem menores que a maioria dos de 1985. Há dias em que aqui só se empurra com a barriga, outros de revolução intensa. Como disse há poucos, o hoje, hoje sabe de quase nada e menos ainda de si. Perdeu um pouco da fé aparentemente inabalável, não casou e fraquejou em alguns dos seus valores. Conservou certos hábitos começando por aqueles que se referem aos poucos amigos. O hoje já aceita a mortalidade. Sentiu friamente que não é um ser intocável. Ainda crê no corpo fechado, adoece pouco, mas a vida andou mostrando que a tal mola precisa periodicamente ser lubrificada. Catalisou alguns dos seus sentidos nesse meio tempo. Enxerga perfeitamente bem, enxerga fundo, enxerga o que nem sempre deseja, mas continua mais surdo que uma porta. É mais direto que antigamente, já não trabalha mais tanto com entrelinhas. Vive de uns 3 amores e os animais ainda estão no topo dos que mais sensibilizam. A estrada continua sendo a válvula de escape perfeita e a saudade o vilão mais famoso. Perde o sono, perde o juízo, perde a chance de ficar quieto. O hoje simplesmente irrita quando a força do hábito fala mais alto e ele resolve entrar em crise com o tempo. Não quer crescer, quer colo, quer voltar pro Pré da Tia Rose.O hoje é um incógnita previsível. Com sobra de falta de paciência e bunda grande. Que não sabe não ser tudo que é mesmo não sabendo exatamente o que seria. Com ele Deus fez tudo certo. Em especial quando resolveu jogá-lo aqui na versão mulher. Sabia que não daria certo em outro molde já que não tem saco nenhum. Está em constante e interminável processo de adaptação ao mundo. Sem muita ambição de sucesso quanto ao mesmo.
O hoje esses dias deu passos enormes em direção da normalidade. Daquilo que o mundo todo almeja. Um coração em paz, um trabalho que satisfaça e um bom lugar pra terminar um dia.
Como disse ele está bem diferente de ontem, o que pra esse caso vem a ser, muito melhor.


[ Fernanda Gava,
que SEMPRE escreve como quem escreve por mim e por ela ]

É lindo.


Eu ainda prefiro o carinha de óculos. Aquele que tinha o sorriso sincero e as piadas mais bobas e foras de hora. Ainda tenho mais amor por aquele cara que andava de ónibus e que andou um bom bucado a pé, só pra me ver.
Era aquele magrinho, de nariz grande e jeito desajeitado que me apaixonava e nada me fazia mais feliz que ver ele se esforçando pra dançar comigo sem levar jeito nenhum pra isso. Eu tinha orgulho de ser apaixonada por um cara que não bebia.
Eu o amava quando ele era ele mesmo, e amava quando nosso sentimento se resumia numa madrugada feliz de conversa no msn.
Depois ele mudou.
Muita gente diz que pra melhor! E aposto que agora mil menininhas querem ficar com ele, e eu acabei por perder o interesse.
Ele ficou muito igual a grande maioria, sorrindo quando é conveniente e só dizendo o que sente quando o que sente não passa de frieza. Não anda mais de ónibus e agora usa lentes de contato, já sabe enrolar no forró e até bebe mais que eu.
Depois que ficou forte as garotinhas o acham o máximo e eu, olho e olho de novo, mas não vejo ninguém. Só um monte de massa corporal pedindo pra fazer parte do novo mundo descolado.
Hoje ele acredita em tudo, qualquer coisa que lhe seja conveniente e já não se preocupa mais em olhar dentro dos olhos pra procurar a verdade.
Eu, particularmente, lhe acho um tanto vazio e com isso fico triste. Mas vejam que estranho, ele se acha o máximo e jura ser feliz.
Vai entender, né?

29 de agosto de 2009

Do começo ao fim

Eu teria sido o ar puro que você precisava e poderia ter dito as palavras que você queria ouvir. Eu seria a mais sincera ou a mais falsa das verdades, qualquer uma que lhe fizesse mais feliz. Eu teria aceitado o desconhecido, andado na escuridão. Ferido, a mim mesma... Tudo, qualquer coisa que te fizesse feliz ao meu lado. Mas não foi o suficiente... Tanto amor não era o suficiente.
Então eu deixei que você fosse e passei vários dias repetindo a mim mesma o que você acabara por revelar, ‘Não te amo’, foram essas as palavras e o que as diferiu de todo o resto é que eram as primeiras a serem sinceras.
Então você achava que eu precisava de uma desculpa para não te amar, mas desculpas para isso eu tinha tantas, você é que as procurava para poder me odiar. No fundo, onde você me esconde dos bons sentimentos, onde ninguém pode me ver dentro de você, é lá também que você guarda consigo a verdade, a verdade de saber que eu jamais menti. E você teria dito isso, teria tirado toda a minha dor, teria feito como antes e me guardado do perigo. Eu sei que você o faria se não precisasse me odiar, se não precisasse de um motivo para ter a certeza de não me amar. Certeza que você conseguiu pra si me incriminando e que cravou em mim, me decepcionando.
Então eu parti! Era isso que eu tinha de fazer, levar comigo para longe as lembranças de algo que jamais voltaria a ser...
Agora você continua respirando um ar sujo e eu estou dormindo com outra pessoa. Você continua ouvindo coisas que não quer e eu agora dedico minhas frases de amor pra alguém que viu mais que você e percebeu que é melhor encarar a verdade que viver sempre mentindo pra si mesmo...
Então ouça sua música preferida, cante ela junto com o rádio, grite aos quatro cantos de sua casa vazia o quanto você sente a minha falta, e quando alguém bater na sua porta faça silêncio, continue guardando o segredo só pra você, até que ele se desfaça, até que você não precise mais mentir.
Cante sua música, nossa música, o mais alto que puder. Um dia essa dor vai passar, a sua e a minha, toda a dor... Ela vai ceder, vai sumir.
E agora de uma vez por todas, eu e você nunca mais... Trate de dormir com as outras e construir novos sonhos. No começo é estranho, mas você vai se acostumar.
Eu o amei tanto, mas que a mim mesma e agora deixo você ir, deixo você se enganar, desde que isso te faça mais feliz. Eu só queria poder sarar a sua dor...

25 de agosto de 2009


- Nós já nos vimos antes?
- Não. Eu creio que não.
- Seu perfume, eu reconheço esse perfume. Seu sorriso, eu já vi esse sorriso. Como pode nunca termos nos visto?
- Talvez seja o álcool... você bebeu muito esta noite.
- Sim, eu bebi muito, mas lembro que o álcool nos faz esquecer das coisas e não de lembrá-las. Aliás, como você sabe que eu bebi muito?
- Eu estava lhe olhando alí, daquele canto, naquela mesa.
- E porque você estava me olhando?
- Não sei. Sua voz, eu acho. Quando você pediu uma dose, eu achei já ter ouvido essa voz e olhei para ver quem era, mas acho que me enganei. Só que ao invés de parar de olhar você, fiquei preso na forma como você movia o dedo na borda do copo e de como estava perdida em seus pensamentos olhando pro nada. Não sei, algo em você parece muito com algo que eu fui, ou quero ser, ainda não sei.
- Você tem olhos lindos, mas quero que pare de me olhar. E se não nos conhecemos, bem, não temos mais nada que falar. Tchau.
- Sabe, eu me encantei com seus sapatos amarelos e a forma como vc senta e deixa os pés unidos, como numa foto antiga.
- Você estava prestando atenção mesmo, não é? Mas sério, não estou num bom dia, é melhor você se afastar.
- É. Hum... tudo bem. Tchau!

[...]

- Desculpa, você quer mesmo que eu pare de te olhar? É que eu tento e não consigo e não sei se vou deixar você ir embora quando quiser...
- Como é? Você é louco?
- Bom, não costumo ser, mas se não conseguir parar de olhar você implicar nisso, eu tenho de admitir, enlouqueci.
- Seu cheiro é bom, seu riso é lindo e eu continuo achando que já o vi. Mas não estou num bom dia...
- Que tal você sorrir pra mim? Talvez falte isso pra que eu também te reconheça.
- Não estou num bom dia.
- Pare de dizer que não está num bom dia, eu já ouvi. Não consigo parar de te olhar mesmo assim e se você sorrir... pode ser mágico...
- Já é dia, eu preciso ir!
- Vai fugir?
- Bem, não tem nada que eu saiba fazer melhor. Tchau.

19 de agosto de 2009

O guerreiro tem de aprender.


O guerreiro caiu. Não sabe como, não entende o porquê, mas caiu.
Logo ele, que vinha andando em linha reta, de cabeça erguida, ligado ao caminho com toda a atenção que lhe é permitida. Como isso foi acontecer?
Como ele pode não ter visto aquela pequena pedra, causadora de sua queda, no meio do caminho? Logo ele, que tinha estudado o mapa com cuidado e já vinha desviando de coisas bem maiores, não viu aquela pedra? Talvez por ser tão pequena, ele não a tenha notado.
O fato é que ela estava lá, no meio do caminho, sabe-se lá porque motivo. E ele sem perceber tropeçara nela e caíra.
Lá estava ele, deitado no chão em meio a toda aquela poeira do caminho e sem ter forças para levantar. Era como se seu corpo não quisesse o obedecer e ele sabia o porquê. Seu corpo e sua mente estavam com raiva, magoados por ele ter se deixado derrubar por algo tão pequeno. Ele não podia ter sido assim tão distraído.
Ficou ali caído pelo que pareceram vidas, até que se recompôs e decidiu que precisava se levantar. Foi erguendo-se vagarosamente, com toda a calma, para não cair de novo e analisando com cuidado o caminho que vinha a sua frente, estava decidido que aquilo jamais voltaria a acontecer, pedra pequena ou grande nenhuma voltaria a fazê-lo cair.
Quando por fim estava de pé, parou e pensou! Ele estava olhando para o lugar errado, estava ligado em olhar para cima e esqueceu-se de verificar a imensidão do seu caminho olhando para baixo. Aquele fora seu erro, manteve sua mente e sua alma agarrados ao instrumento errado. Se tivesse por um momento olhado para baixo, teria visto aquela pequena pedra e jamais teria caído.
Naquele dia o guerreiro viveu uma de suas maiores lições.
Foi quando ficou de pé e olhou adiante que sentiu seu coração bater forte e pôde olhar para baixo, avistando que dali até um pouco a frente, nada haveria que pudesse atrapalhar sua caminhada. Foi ao levantar-se que descobriu que olhar ao redor antes de seguir adiante, é talvez a forma mais fácil de chegar à conquista.
O guerreiro agora estava mais forte, mais atencioso e aprendera algo que muitos tolos não sabiam, um detalhe faz toda a diferença.
Era hora de continuar. O guerreiro abriu um sorriso, tomou um gole de água, olhou ao redor, levantou a cabeça e seguiu em frente!

12 de agosto de 2009

Tudo novo, de novo. E longe!


Vez ou outra é assim mesmo, é preciso que venha uma grande tempestade e inunde tua vida de confusão e teu coração de dor pra que depois, no acalmar das coisas, tudo melhore e você encontre a paz.
Foi no meio de tanta confusão e mentiras que eu consegui encontrar um caminho. Foi quando o mundo inteiro me virou as costas, que eu pude ver além dele. E quando eu avistei ao longe, foi lindo, divino. Eu renasci.
O último mês foi um daqueles bem difíceis. Uma coisa atrás da outra e todas muito ruins. Por um instante achei que não fosse conseguir. Mas é claro que consegui! Apesar dos pesares, de tantas coisas ditas, eu ainda sei de mim. Sei da minha verdade, do que eu guardo aqui e é bem maior que tudo isso.
Longe de tanta coisa ruim, tanta confusão, eu me senti querida. Me senti em paz! Lá estavam elas, as pessoas que cresceram comigo, que me conhecem como mais ninguém. Eram os meus e todos prontos para me receber. Foi maravilhoso.
É nas horas difíceis que a gente percebe o amor, percebe a amizade, o verdadeiro sentimento. E eu percebi, aqui não dá pra mim.
Agradeço de coração aos que me ouviram, acreditaram, estiveram ao meu lado. Nunca, jamais vou esquecer! Mas é hora de partir.
Vou voltar pra casa, voltar pra minha vida, pro meu lugar. E só vou sair de lá quando for hora de recomeçar. Recomeçar longe de tudo isso, fazer tudo novo e dessa vez escolher as pessoas com mais cuidado, não deixar que esse coração se engane tanto novamente.
Vou sentir saudade do calor, de algumas pessoas, de algumas danças. Vou sentir saudade até das muitas coisas que deveria ter vivido aqui, mas não vivi. Nem o tempo e a distância são capazes de apagar o que foi de verdade, isso é fato. Então se não apaga, deixa saudades e eu vou senti-las.
Aguardem novidades, mas provavelmente quando eu voltar a escrever já estarei bem longe daqui, num lugar bem mais feliz, ao lado de pessoas bem melhores.
Aos que ficam, meu obrigado. Seja bom ou mal, me ensinou muito e é de lições que cada ser humano é feito!

6 de agosto de 2009

Um capítulo encerrado.

Eu sei exatamente em que momento deixei de amar você. Eu, dona de tantos sentimentos, pude distinguir exatamente quando um deles começava a esvair-se, começava a desaparecer.
Não foi quando tivemos nossa última briga, não foi quando você disse que já não me amava, não foi quando descobri da tua última mentira. Foi exatamente às cinco e meia da manhã de um domingo, enquanto eu tentava dormir, que eu acabaria por começar a deixar de amar você.
Eu estava lá, envolta em pensamentos mil, nenhum que me levasse a você, verdade seja dita eu vinha me policiando pra não cometer esse erro. Eu estava até feliz nesse dia, quando ouvi um barulho vir da cozinha. Pensei que fosse impressão, mas cinco minutos depois outro barulho ainda maior e de repente, era como se estivessem abrindo uma das portas da casa. Entrei em pânico e naquele mesmo minuto tratei de sentar na cama e fiquei imersa na escuridão. Eu me lembrei de você nesse momento.
Lembrei de uma vez que aconteceu algo semelhante, eu peguei o celular e te liguei, pedindo socorro. Você ficou comigo na linha, me incentivou a ter coragem e me disse coisas lindas. No fim das contas nem era nada, mas naquele dia em especial eu me senti forte por ter você, por você me proteger, me escutar, ser meu herói. Você nem deve mais se lembrar disso, mas minha memória apaixonada por pequenos detalhes jamais esqueceria algo que fez de você o homem mais forte e mais especial da minha vida.
Ali, às cinco e meia da manhã eu sentei e chorei. Chorei pelo vazio, por ter cometido um engano, pela solidão de não te ter e, logo depois, choraria por descobrir que você não me amou.
Enquanto eu chorava, minha irmã que estava dormindo na cama ao lado acabou por acordar. Perguntou-me o que eu tinha e eu contei, contei até da falta que senti de você e ela me pediu pra parar de chorar. Pegou o violão que fica sempre atrás da cama, se levantou e disse que ia me mostrar que não tinha nada. E foi! No fim era o gato da vizinha, que havia derrubado umas panelas e empurrado uma porta que havia ficado entreaberta.
Quando ela voltou pro quarto dizendo pra eu me manter calma que tudo estava bem, um segundo de entendimento passou pela minha cabeça: Ela me amava. Você nunca me amou.
Quem me conhece melhor que minha irmã? Que mais sabe de todos os meus defeitos e qualidades? Quem mais sabe dos segredos mais secretos e absurdos? Pois bem, a resposta é ninguém. E mesmo com tudo isso, sem eu nem mesmo pedir a sua ajuda, ela foi lá e me mostrou que eu não precisava ter medo, que ela estava ali comigo.
Quem ama de verdade, ama incondicionalmente. Um homem quando ama de verdade, ama sua mulher como ama seu familiar. O amor verdadeiro é o mesmo por todos e a única coisa que os difere são as suas formas de ligação. O amor familiar é ligado pela cota sanguínea, que faz com que todos se sintam num só pela compatibilidade do sangue que em suas veias corre. O amor entre um homem e uma mulher é ligado pelo sexo,pois nesse momento supremo ambos se unem, tornando-se um só. O amor verdadeiro, independente de para quem esteja sendo direcionado, não rever conceitos, não relembra o passado, não se deixa levar pelo orgulho ou egoísmo. O amor verdadeiro é o mesmo em todas as horas e em qualquer ocasião e eu errei ao pensar que por você ter estado ao meu lado uma vez, continuaria a estar em outras.
Foi quando notei que você nunca mais estaria por perto quando eu precisasse que eu percebi que não podia mais continuar te esperando.
Foi quando eu notei que não importa o quanto eu precise de você, você simplesmente não precisa de mim, que eu senti o sentimento cair sobre mim e se despedaçar, em mil pequenos caquinhos.
Foi naquele exato momento de lúcida solidão e abandono que eu pude ver que amores momentâneos você viverá muitos. Paixões avassaladoras você terá aos montes! Mas você nunca encontrará alguém que te ame tão incondicionalmente quanto eu fui capaz de te amar. Permaneci nesse amor até a última gota de esforço que dava pra escorrer pelo meu rosto, mas a essa altura você já não estava mais aqui. E é por saber de tudo isso que hoje escrevo essas linhas sobre a quebra de um amor tão bonito. Linhas que deveriam ser escritas num livro nosso, mas que eu acabei por escrever sozinha!
Esse é o seu final na minha história, mas bem, isso me trouxe algo de bom e é hora de eu começar a escrever sobre um novo começo.
Que tua história sem mim tenha um final feliz é o que realmente te desejo.
Me vou! É hora de aceitar a ajuda de alguém que queira escrever essas linhas comigo e completar de uma vez por todas o final feliz desse meu livro.

3 de agosto de 2009

Bastaram algumas cervejas a mais pra que eu te ligasse e pedisse desculpas. Não lembro bem o que eu te falei, mas eu bem posso imaginar e posso imaginar também o seu sorriso bobo do outro lado dizendo que me adora, que sou boba, que devo ir dormir...
Eu devo ter pedido desculpas por ser tão inconstante, indecisa, insegura. Devo ter pedido desculpas por ser tão medrosa também e aposto que nessa hora você fez aquele ar de superioridade e disse que adora ser meu herói, posso até te ver dizer isso do outro lado do celular!
Devo ter dito que estou fazendo de tudo pra mudar, que estou dando o melhor de mim e que eu estou com você porque o quero de verdade, porque gosto do seu abraço, porque fico feliz com os seus beijos. Nós dois sabemos do meu passado, de quantos machucados meu coração tem carregado e eu jamais mentiria para você sobre meus sentimentos. Ambos sabemos que a fase não é das mais fáceis, que algumas vezes fraquejo e até choro, mas sem você eu sei que estaria bem pior.
Aposto que falei do quanto você é lindo e do quanto fica mais lindo ainda quando dá o melhor de si e me doa seu ombro pra eu chorar, passando a mão na minha cabeça e dizendo que quando tudo isso passar nós vamos ficar bem e eu vou amar você ainda mais que o que você me ama... eu acredito nisso todos os dias quando acordo e tenho lutado por isso todas as noites antes de dormir, pode apostar. Certamente depois de dizer isso eu devo ter falado do quanto você já é especial pra mim, do quanto eu jamais poderia ter encontrando alguém pra me fazer tão bem quanto você. Devo ter falado que você tem preenchido todos os espaços e dado um jeito em toda a zona que deixaram por aqui. Nessa hora você deve ter dito que está orgulhoso de mim por eu valorizar todo o suor que tem desperdiçado por mim e dado uma daquelas suas risadas gostosas que me fazem sentir uma boba apaixonada e eu devo ter te confessado que ultimamente tenho me sentido assim, uma boba apaixonada, e apaixonada por você.
Consigo ver seu rosto se iluminar ao me ouvir dizer isso e nessa hora você deve ter me chamado de Baby Linda e dito que todos os dias acorda cada vez mais apaixonado por mim. Nessa hora a cerveja deve ter feito meu coração acelerar e junto comigo, pulou aqui por dentro de alegria. Eu fico sempre tão feliz quando ouço você falar assim, me faz sonhar com o dia em que poderemos dormir juntinhos e acordar um do lado do outro dizendo que a nossa história foi linda e eu te chamo de homem da minha vida e digo que nunca existiu ninguém igual a você. Eu devo ter te contado desse meu plano e nessa hora você deve ter falado do quanto fica feliz de saber que eu sonho com o dia em que acordaremos juntos.
Nesse minuto você deve ter usado alguma piada boba pra dizer que eu precisava dormir, que me acordaria com uma mensagem bem linda e que estava orgulhoso de mim por eu ter sido corajosa de te ligar e te fazer tão feliz. Devo ter dito que quase enfarta, que me adora e que vai fazer de tudo para que fiquemos juntos, para que dê mesmo certo.
E bem, eu não lembro se disse que te adorava, mas se não disse, digo agora: Eu te adoro! Você é especial, incrível. Tão frágil e tão forte tudo ao mesmo tempo. A pessoa mais madura e segura de si que eu conheço e por ser assim me faz sentir tão protegida. Eu jamais vou ter como agradecer por tanto sentimento na hora certa. Obrigado por se doar pra mim e por me forçar a me doar pra você, eu jamais poderia imaginar que seria tão bom.
Em todo caso, depois de você me mandar dormir deve ter pedido pra eu sonhar com você e me mandando um daqueles nossos beijos bem demorados. Eu devo ter dito que estava com saudade, que sonharia com você e desligado o celular.
Cinco minutos depois devo ter caído num sono profundo e sonhado com o quanto tudo daria certo de agora em diante. Você consegue fazer com que eu sinta por você algo tão grande e tão forte que eu jamais achei que seria capaz de sentir de novo. Se eu esqueci de agradecer por isso no celular, meu leitor de carteirinha, muito obrigado!
E bem, não se esqueça nunca, "Você me faz tão bem!"

28 de julho de 2009


Uma vez, quando era ainda bem pequena, me perguntaram o que eu seria quando virasse gente grande. De cara eu não soube responder e enfim perguntei pra minha mãe o que eu deveria ser. Ela disse que eu tinha que fazer algo que eu gostasse, que me fizesse ter realização tanto financeira quanto profissional. Na hora levei um susto e percebi que ela não havia entendido a pergunta. Deixei pra lá, crendo que o tempo me moldaria e um dia quando eu fosse gente grande eu saberia dizer o que me tornei, mas não queria me limitar a uma idéia fechada de uma adulta feliz e realizada. Eu queria bem mais que isso, mas ainda não sabia ao certo o que queria.
Hoje, vejam que coisa, cresci bastante, não o suficiente, verdade seja dita. Mas não sou mais tão pequena e até tenho algumas ideias formuladas, a maioria delas por moldar eu admito, mas se alguém me perguntar hoje o que eu quero ser quando for gente grande, eu vou saber dizer. Eu responderia, sem pensar duas vezes:
- Quero ser desse jeito aqui mesmo. Quero ter o mesmo sorriso e gostar das mesmas pessoas. Quero continuar sendo a pessoa mais romântica que conheço e espero de coração que eu continue assim tão insuportável e determinada quando o assunto é algo que eu realmente quero. Que eu possa continuar com a minha força de vontade e que eu jamais deixe que alguém interfira na minha vida dando opinião de como devo agir ou pensar. Quero continuar agindo com o coração, fazendo algumas coisas sem pensar, errando e aprendendo com os meus erros. Que eu continue tendo esse bom humor pela manhã e essa mania terrível de chorar por tudo, inclusive com finais de novelas... Quero continuar amando novelas. Tudo que eu quero ser, ser de coração, eu já sou. E é assim que quero continuar sendo.
Daí, sendo bem sincera, deixo claro pra quem quiser ouvir, eu gosto de errar. Deixa eu fazer besteira e me arrepender vez em quando.
Quebrar a cara ajuda a blindar a alma e o coração!
E bom, espero de coração que ser assim, desse meu jeito meio errado, seja o suficiente pra um dia ter o que minha mãe deseja pra mim, sucesso proficional e financeiro.

24 de julho de 2009

Sushi - Marian Keyes [2]

Depois que Lisa deixou Ashling e Clodagh na portaria, obrigou-se a voltar a pé para casa. Era algo que passara a fazer regularmente, para contrabalançar todos os jantares que Kathy a obrigava a comer. Enquanto caminhava, obrigou-se a manter a tristeza a distância. Sou fabulosa. Tenho pais fabulosos. Tenho um novo emprego fabuloso como consultora de mídia. Tenho sapatos fabulosos.
Quando dobrou a esquina de sua rua, viu que alguém da vizinhança se sentava no degrau da porta, à sua espera. O que a surpreendia era que não pegassem as chaves com Kathy e entrassem sem a menor cerimônia, pensou, irônica.
Sentiria falta de todos eles quando voltasse para Londres. Embora Francine vivesse lhe dizendo que não era o caso, pois Lisa receberia tantas visitas, que seria quase como se não tivesse chegado a ir embora.
Mas, afinal, quem estava no seu degrau? Francine? Beck? Mas a pessoa era do sexo errado para ser Francine, alta demais para ser Beck, e... Lisa sustou o passo, ao perceber que era da cor errada para ser qualquer um dos dois. Era Oliver.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou, atônita.
— Vim ver você — respondeu ele.
Ela alcançou a porta e ele se levantou com um largo sorriso branco.
— Vim reconquistar você, paixão.
— Por quê? — Ela enfiou a chave na fechadura e ele entrou atrás dela no vestíbulo. Sentia-se confusa — e estranhamente ressentida. Passara o dia inteiro se esforçando para “tocar a bola para a frente”, e ele lhe dera uma rasteira.
— Porque você é a melhor — disse ele, com toda a simplicidade. E outro sorriso ofuscante.
Ela atirou as chaves na mesa da cozinha.
— Pois chegou um pouquinho atrasado — tornou ela, irritada. — Nós acabamos de nos divorciar.
— Sabe — disse ele, pensativo —, eu me sinto uma merda com esse divórcio. Deu um nó na minha cabeça que você não faz uma idéia! Mas, enfim, não há nada que impeça a gente de se casar de novo — disse, sorrindo. E, quando ela lhe deu um olhar cuja legenda era “Seu filho-da-mãe maluco”, ele insistiu: — Estou falando sério!
Ela lhe lançou outro olhar da mesma família do primeiro, mas, de repente, seus pensamentos ficaram um pouco irrequietos e difíceis de dominar. A idéia de se casar com Oliver de novo era ridícula, mas tentadora. Extremamente tentadora — durante mais ou menos um nanossegundo. Em seguida, ela caiu na real.
E perguntou, brusca:
— Não se lembra de como era horrível? No fim, a gente discutia o tempo todo, era um inferno. Você tinha ódio de mim e do meu emprego.
— Tem razão — admitiu ele. — Mas, em parte, a culpa foi minha. Quando você desistiu de ter um bebê, eu devia ter te dado atenção. Sei que você tentou me contar, paixão, mas eu não queria saber. Foi por isso que fiquei louco da vida quando descobri que você ainda estava tomando a pílula. Mas, se tivesse te dado atenção... Enfim... E você está tão diferente, não é mais tão dura quanto era. Sinto muito, paixão — disse ele, ao ver que ela se encrespara —, mas é a verdade.
— E isso é bom?
— Claro.
Diante de sua expressão cética, ele disse, com brandura:
— Lisa, nós estamos separados há mais de um ano, e a barra ainda não aliviou para mim. Não conheci ninguém que chegasse aos seus pés.
Sua expressão era ansiosa, como que à espera do encorajamento ou aquiescência dela, mas ela não lhe deu nenhum dos dois. Toda a despreocupação que ele sentia ao chegar se esvaíra, e estava subitamente ansioso.
— A menos que você tenha conhecido alguém. Se for o caso, eu tiro meu time de campo — disse, gentil. — E desisto de tentar reconquistar você.
Com uma fisionomia inescrutável, Lisa o encarava, considerando a hipótese de lhe dar um sorrisinho maroto, do tipo talvez-sim-talvez-não. Isso daria um basta naquela situação absurda, perigosa. Do nada, porém, mudou de idéia. Jamais jogara com Oliver, por que haveria de começar agora?
— Não, Oliver, não conheci ninguém.
— Tudo bem — ele assentiu lenta e cautelosamente. — Bom, já posso parar de me roer por dentro. — Após uma pausa nervosa, continuou: — Ainda te amo. Agora que estamos mais velhos e mais maduros — deu um risinho inseguro —, acho que tem tudo para dar certo.
— Acha? — A pergunta foi feita com toda a calma.
— Acho — afirmou ele, categórico. — E, se você estiver interessada, posso me mudar para Dublin.
— Não seria necessário, vou voltar para Londres no fim da semana — murmurou ela.
— Então, Lisa — disse Oliver, com uma expressão extremamente séria —, só resta saber se você está interessada.
Seguiu-se um longo e tenso silêncio. Por fim, Lisa disse:
— Acho que sim. — De repente, sentia-se encabulada.
— Tem certeza?
— Tenho. — Deixou escapar um risinho nervoso.
— Paixão! — exclamou ele, fingindo-se indignado: — Se é assim, por que é que você está me torturando desse jeito?!
Ainda encabulada, ela confessou:
— Eu estava com medo. Eu estou com medo.
— De quê?
— De ter esperança, acho — disse ela, dando de ombros. — Não queria ter nenhuma, porque havia a hipótese de você estar agindo por impulso. Eu tinha que ter certeza da sua certeza antes mesmo de poder pensar no assunto. Porque — confessou, tímida — eu te amo.
— Então não precisa ter medo — prometeu ele.
— Quando foi que você ficou tão ajuizado? — resmungou ela.
Ele soltou uma gargalhada forte e alta, uma gargalhada tipicamente sua, e, de repente, os pensamentos de Lisa simplesmente dispararam, como cães soltos de suas coleiras.
Quanta sorte ela tinha de ganhar outra chance? A extensão integral de sua suprema boa fortuna revelou-se para ela, e ela se sentia no sétimo céu, quase imponderável de felicidade. Nem todo mundo tem uma chance dessas, compreendeu, degustando, pela primeira vez na vida, o valor do momento presente.
Vou fazer tudo diferente dessa vez, jurou de pés juntos. Os dois fariam. E, mais uma coisa, o fecho de ouro, por assim dizer: se dois casamentos entre as mesmas pessoas eram bons o bastante para Burton e Taylor, então também eram bons o bastante para ela. Incapaz de frear sua cabeça eufórica, já planejava um segundo casamento, um festival de plumas e paetês, pompa e circunstância. Nada de fugir para Las Vegas dessa vez — não, fariam tudo como mandava o figurino. Sua mãe ficaria deslumbrada. E eles chamariam a revista Hello! para fotografar a cerimônia...
Como se pudesse ler os pensamentos de Lisa, Oliver exclamou, ansioso:
— Calma, tigresa!

Retirado do livro Sushi de Marian Keyes, capítulo 65.
Ps: Só conto histórias com finais felizes. Diga-se de passagem, que final feliz... Recomendo muito o livro. Mesmo.