22 de março de 2009

Por Fernanda Gava.

Eu queria, pra variar, te falar um milhão de coisas que não vou conseguir. O fato é que eu evitei por muito tempo chegar até aqui. Mas eu sei e também não espero, tu nunca vais querer mudar. E talvez nem seja isso mesmo que salve a gente. Talvez seja isso só mais uma coisa pra eu poder apontar como vilão para esse nosso fim.
Eu acho que a gente foi deixando aos poucos de existir. Digo um eu e você juntos. Separados, muito pelo contrário, eu dei um salto e me sinto mil vezes mais madura do que quando nos encontramos. Tu, como já disse, nunca se sentiu tão bem e com a personalidade tão bem definida. E não é querer arranjar mais um culpado, mas talvez tenha sido também esse crescimento independente um do outro que fez com que nós nos afastássemos. A gente de certa forma deixou de precisar um do outro, dos carinhos, dos conselhos, do ombro amigo, da simples presença. A falta se tornou comum e a falta de iniciativa banal. A gente se acostumou com a falta de romantismo, com as conversas formais, com
dormir desgarrado, com andar separados, com o desvio dos olhares e os encontros cada vez menos freqüentes. Eu via que tu se desapaixonava por mim e não tinha entusiasmo para lutar contra. Eu te via levando uma vida paralela cada vez mais forte e não tinha coragem para ir contra algo que te dava tanto prazer. E ao invés de abrir teus olhos, mesmo convencionalmente, seres tu quem deveria reconhecer, poderia ter avisado que tu me perdias.
Eu segui teu exemplo e fui viver também. De uma vidinha vazia mesmo, mas que me fazia esquecer da dor que causava o teu descaso, que me fazia chegar em casa e dormir. Eu que sempre te tive como prioridade fui dando espaço a outras coisas para desbancar o amor que estava em primeiro lugar.
Porque você também nem no final das contas, quando o fogo já apagava, se deu ao trabalho de se ocupar com a gente. E eu imagino que nem agora, que estou te dando realmente adeus, tu venhas a se preocupar. È muito a tua cara, a cara do cara pelo qual fui apaixonada por esses anos. Mas que me submeteu a tornar-se uma mulher sem expectativas, que amava sozinha e não espera nada, além de uma explicação no fim do dia.
E eu falei que não ia procurar culpados mas fica difícil não procurar quando é necessário se desvincular, tendo um coração que ainda bate. Bate forte. Eu preciso provar a mim mesma que não dá mais, e essa é a melhor forma que eu encontrei. Então não espere e não se magoe e nem me chame de ingrata por eu não falar do tempo lindo que conseguimos manter juntos. Eu fraquejaria. Choraria da forma que tu mais odeia e continuaria a ser quem eu não quero mais ser. Enfim meu amor, essa é a minha carta de despedida. A que você não vai ler até o final e que só servirá de explicações a mim mesma.

Ainda com muito amor.


(A Fernanda tem o dom de descrever as coisas que eu sinto, não sei bem porquê, mas eu agradeço, já que a fraqueza vem sendo tanta que não consigo mais sequer escrever)

Um comentário:

fernanda disse...

Que bom que minhas palavras serviram de alguma forma pra ti.
Tudo de bom.

Um beijo.