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15 de janeiro de 2013

Deixa ser!


 Tanta gente querendo amor e você ai se guardando. Se privando de sorrir fácil e ver as horas passaram sem se sentir. Tanta gente querendo se doar e receber na mesma quantidade, pra se transbordar e se conhecer... Pra ser seu e se permitir ser do outro, sem apego ao que não pode ser.
 E você com todo esse medo, essa mágoa, essa dor... Não vê que o amor é bonito demais pra perder tempo com o que não compensa? Deixa disso! Não há nada que não se resolva com uma boa conversa, filmes doces num domingo e beijos apaixonados pela manhã. Não há mau humor que não se cure com promessas fáceis, brigadeiro de panela e dormir agarrado. Tem coisa melhor que se ver no outro e perceber amor?
 Deixa que o outro chegue e se instale. Deixa que a calmaria venha e traga junto dela um pouco de tempestade. Deixa que os abraços se completem, os beijos se apaixonem, os olhares se entendam. E vai deixando ser, sem pensar. Pensar demais complica e amor é o ato de descomplicar, de se permitir. E se perder... Pra se encontrar!

10 de dezembro de 2012

Alguém para amar!


 Ame alguém que se preocupe com você. Alguém que queira saber do seu dia, dos seus medos, de onde você quer chegar. Alguém que queira chegar lá com você, que esteja disposto a fazer tudo para manter seu sorriso diariamente, para te ver bem. Que queira cuidar dos seus machucados e perca o sono te olhando enquanto você dorme. Alguém que cuide pra sua dor passar.

 Ame alguém que respeite você. Que saiba até onde vão seus limites e esteja preocupado em não ultrapassá-los. Alguém que saiba que você precisa de espaço e que tem uma vida que independe da relação de vocês. Alguém que pense antes de falar, por não querer te machucar. Alguém que não faça as coisas sem antes pensar em como você vai se sentir. Alguém que se coloque em seu lugar e não pense apenas em si mesmo.

 Ame alguém que te queira bem. Que cuide de você caso você adoeça, e não te deixe esquecer de tomar os remédios na hora certa. Que te encha de carinhos de graça, num domingo chato qualquer. Que compre flores independente de datas especiais, por saber que elas te deixam feliz. Alguém que diga que te quer bem, que te quer por perto, que te acha especial. Alguém que acredite no quanto você merece ser feliz e queira fazer parte disso.

 Ame alguém que te acompanhe. Alguém que segure a barra pra você. Que esteja disposto a encarar seus problemas também, ali do lado, pra você nunca esquecer que não está sozinho. Alguém que segure sua mão forte quando as coisas ficarem difíceis. Que se mantenha de pé caso você venha a cair, pra te ajudar a subir e chegar aonde você quiser. Alguém que saiba que numa relação à dois, assim como a felicidade vem em dobro, o problema tem que ser sempre dividido.

 Ame alguém que cometa erros. Alguém que esqueça o dia do aniversário de namoro qualquer mês desses, por estar atolado com outras coisas. Alguém que chegue atrasado vez ou outra, por querer estar bonito ao te encontrar. Alguém que diga "Não" umas duas, três vezes, pra você saber que nem só de "Sim" se constrói um amor bonito. Alguém que cometa erros perdoáveis e saiba exatamente a hora de te olhar nos olhos e pedir desculpas.

 Ame alguém que confie em você. Que trate bem seus amigos, mesmo que não goste muito deles. Que não se permita cegar pelo ciúme, nem perder as estribeiras por desconfiança. Alguém que te deixe livre pra ser você mesmo, pra viver as coisas que você tem vontade de viver. E aceite correr o risco de te perder, caso você venha a mudar de ideia qualquer dia desses. Mas jamais te impeça de ir atrás do que você quer, por acreditar de verdade que você merece tudo o que deseja!

 Ame alguém que te ame também. Alguém que pense em você ao acordar. Alguém que faça planos prum futuro ao seu lado, que conte as horas pra ver você. Alguém que te conheça e te aceite, por inteiro. Que tenha medo de te perder não por precisar de você, mas por saber que ao seu lado a vida é mais fácil, mais doce, mais serena. Alguém que te olhe nos olhos e diga uma infinidade de coisas lindas, sem que seja preciso usar qualquer palavra. E da mesma forma, que saiba exatamente quando você precisa ouvir um "Eu te amo!" ao pé do ouvido. Alguém que jamais canse de dizer o quanto você o faz feliz. Alguém que não canse de lhe retribuir com essa mesma felicidade.

 Ame alguém que te faça bem. E por favor, seja merecedor: Faça o bem de volta! Ainda não conheci nada mais bonito que um amor de ida e volta.

18 de outubro de 2012

Perfeitamente imperfeito.


Aqui estamos nós: seres imperfeitos esperando pela perfeição do outro. Nós que choramos sem motivo, brigamos por tédio, reclamamos pra passar o tempo, sentimos ciúmes algumas vezes sem sentido. Nós que nos conhecemos como ninguém e por isso bem sabemos que alguns defeitos nossos são realmente bem difíceis de aturar. Mas continuamos crédulos de que há um ser por aí que nos merece e que, por tanto, deve ser íntimo da perfeição. Merecemos, no mínimo!, perfeição. É o que pregam que a gente deve achar.
Qualquer dia desses, quando errarmos, nos pegaremos pedindo desculpas. Qualquer hora dessas diremos que, se estivéssemos no lugar do outro, tentaríamos entender. Seres falhos que somos, diremos coisas sem pensar, tomaremos atitudes precipitadas, faremos escolhas erradas. E esperaremos, principalmente nesses momentos, que haja alguém capaz de nos entender e perdoar. Alguém capaz de nos amar independente disso. Olha nós, seres imperfeitos querendo receber mais que o que temos pra dar!
Se cometemos erros, é normal que o outro erre também. Se há amor, há perdão. Se há diferenças, alguém vai ter que ceder. E é então que, se pararmos para pensar, perceberemos que estamos fazendo a busca de forma errada. É a imperfeição que queremos. A imperfeição que nos complete e nos entenda. Alguém que tenha defeitos perdoáveis e cometa erros aceitáveis. É impossível acertar sempre. E deve ser um filme de terror conviver com alguém que, de tão perfeito que é, vê defeito em tudo que fazemos.
Quem ama briga mesmo. Mete os pés pelas mãos vez em quando. Tem medo de perder o outro e, por conta disso, age de forma impensada algumas vezes. Quem ama quer chamar atenção e por vezes não sabe direito como fazer isso, mas passa por cima do orgulho ferido e sabe a hora de pedir desculpas. Quem gosta pede desculpas com uma frequência um pouco chata, por ter medo de ser mal interpretado. Mas quem ama de verdade sabe que não precisa pedir desculpas o tempo inteiro, porque o outro entende seus defeitos. Amor de verdade é exatamente a aceitação da pior parte. Amar alguém que não erre nunca deve ser muito fácil, mas a gente nunca vai poder ter certeza disso porque pessoas sem erros não existem. E se existirem devem saber muito pouco da vida, devem ter muito pouco para nos acrescentar. As melhores pessoas cometeram erros para aprender a acertar.
Vamos encontrar alguém que nos acrescente quando soubermos que um bom diálogo resolve a maioria das diferenças. Quando percebermos que o amor está intrinsecamente ligado ao dom de perdoar. Quando soubermos ver além das falhas: porque é lá no íntimo que se esconde o melhor e o pior, e não no que os olhos podem ver e as más línguas julgar. Perfeição no quesito amor é, antes de mais nada, a troca. Acrescentar para ser acrescentado. 
Perdoar tudo não é amar, bem sabemos. Não é por termos defeitos que nos doaremos pra alguém que viva de erros. Mas há sempre um equilíbrio: alguém que erra, mas sabe como concertar. Alguém que tem defeitos proporcionais às qualidades. Alguém que sabe exatamente a hora de parar, pra não passar do ponto e correr o risco de machucar. O ser capaz de nos fazer feliz é aquele que, independente dos erros que comete, se preocupa em nos manter bem, em manter o amor bonito, em fazer a história durar. E erra, muitas das vezes, tentando acertar.
Há sim por aí alguém perfeito pra gente, nas imperfeições. Alguém que a gente vai amar ver a carinha de arrependimento. Alguém que compensará a briga com amor em dobro. Alguém que nos amará independente dos nossos defeitos e quando menos merecermos. Quem se ama e se aceita do jeitinho que é, sabe que isso é o suficiente pra qualquer amor ser bonito e duradouro. Aceitemos o outro então, com todos os defeitos e qualidades que ele tiver. Aceitemos o drama dos amores reais, porque felizes para sempre só existe em conto de fadas. Quem quer amor tem que saber: Nem só de flores se faz um romance. São os tropeços no meio do caminho que fazem as histórias mais bonitas.

2 de outubro de 2012

Vida longa ao desapego!

Difícil é não querer. De verdade. Bem além do orgulho besta e da vontade de seguir em frente. Bater o pé, erguer a cabeça e apagar. Se não da memória, mas da vida. E ao invés de tentar provar isso pro mundo, apenas fazê-lo por si mesmo, por saber que não querer vai doer bem menos que continuar querendo. Por ter pra si que já não faz bem e, diante disso, é melhor desfazer.

Desapego é o nome. E o sonho de consumo de muitos. Um botão que simplesmente nos desprenda de um sorriso e da voz mais tentadora do mundo. A receita pro sucesso da vida, o remédio pros buracos adquiridos pelo coração. Quem não quer? Jogar fora o que não serve. Apagar o que não faz mais sentido. Deixar pra lá o que tem mesmo de ficar é no passado. Caminhar sem sombra dos antigos passos ao lado. Sem saudade deles. Sem vontade de tê-los de volta.

Não apenas não ligar, como não atender caso o telefone venha a tocar. Não querer saber da vida do outro por estar ocupado demais vivendo feliz a sua própria. Não querer atingir por não ser mais de interesse. E deixar de ser o alvo fácil dos domingos de solidão, quando o futebol não preenche e os amigos estão ocupados demais pra uma cervejinha. Dizer "NÃO!" e ser de verdade, com voz firme e convicção única. Sem arrependimento algum, sem esperar que esse comportamento gere uma nova oportunidade.

Tratar de ser feliz de dentro pra fora, e não o contrário. Feliz de não sofrer pelo celular que não toca. Feliz por não sentir ciúme, medo, culpa. Feliz por não ver a vida girar em torno de uma outra, que não tem a mínima vontade de correr ao lado. Qualquer desprendimento que seja capaz de nos permitir sentir inteiras e não mais essa metade carente, que precisa demais do outro. Tratar de ser feliz por sentir o desapego de fato, sem essa de viver tentando mascarar sentimento. Sem morte à cada check-in do cara na balada. Sem publicações no facebook que, de tão diretas, dispensam marcação.

O difícil é lidar com o fato de que desapego, infelizmente, só vem com o tempo. Desapego não se impõe, ele meio que brota. Antes mesmo que a gente perceba, lá esta ele, tornando tudo mais fácil. Junto das ligações que não chegam, vai ficando a lembrança da voz. Junto das promessas não cumpridas fica a memória da confiança quebrada. De tanto sentir, tornar banal o ciúme. Que deixa de incomodar conforme a gente percebe ser infundado: Ciúme é medo de perder, mas não se perde o que não se tem. 

E embora cada detalhe pelo caminho continue doendo até que o desapego venha, a gente sabe intimamente que não doerá mais. Um dia. Próxima semana talvez. Quando o apego a qualquer outra coisa preencher o vazio da mente que o desapego ao passado deixou. E bem sabemos que tem gente que se apega até a dor. Então que fique claro: Não é só amor que se cura com outro não. Dor também!

7 de agosto de 2012

♥


Quando é pra ser a gente sente no olhar e percebe nas atitudes. Porque é preciso querer que aconteça, e quem quer liga, procura, manda mensagens, dá notícia. Quem quer se faz presente mesmo longe e não se deixa esquecer. Sem pedir ou exigir nada... Quem quer dá um jeito de entrar sem que a gente perceba e, quando menos se espera, a gente tá sentindo saudade, sentindo prazer com a presença.

De repente a gente vê a história começar e as coisas se encaixarem. Quando é pra ser não se tem medo. Se deixa levar pelas vontades e liga quando sente saudade e não esconde que quer que seja. Tudo de forma tão natural que você só consegue pensar que não tinha como não ser. E tenta sobreviver à saudade e ao sentimento, ainda sem nome, que cresce por dentro. Quando é pra ser a gente simplesmente não consegue evitar.

E se percebe vislumbrando o mesmo caminho que o outro. Mãos dadas numa estrada que reserva a vida inteira, altos e baixos como bem é, mas muito mais dosada de prazer. E é preciso encontro, intimidade, objetivos em comum. É preciso toda essa infinidade de coisas que a gente sabe que precisa renascer todos os dias... Mas antes de mais nada é preciso querer. E dizer que quer. E não ter medo de sentir. E fazer com que valha à pena. E continuar olhando nos olhos ao falar. Ir sem medo. Ir sem pensar. Sem essa de ouvir o que dizem terceiros. Sem complicar. Quem quer simplesmente se entrega.

E vai vendo o frio na barriga nascer ao ouvir o celular tocar. Vai sentindo as mãos suarem frio ao ouvir a voz. Vai sonhando com a hora de rever e abraçar. Vai querendo que dure mais um pouco, só mais um pouquinho, pra que você possa aproveitar. Já não lembra mais como medir consequências, não sabe mais como faz pra parar e não tem vontade de pedir desculpas. Parece certo. É certo, tem de ser... Não pode ser errado ser feliz assim. Não pode ser pecado se sentir tão bem com alguém depois de tanto tempo sem sentir nada. Sentir é tão bom, faz tão bem!

 E nada na vida é melhor que seguir em frente com algo que se quis a vida inteira. E acreditar que vale à pena, mesmo quando dizem o contrário. E pensar que não podia ser diferente, que tinha que ter sido exatamente assim. E abraçar mais uma vez como quem abraça o mundo. Dizer mais uma vez que sentiu saudades. Beijar como se fosse a última vez. Deitar na mesma cama, fazer planos, entender os silêncios, se manter agarrados, pedir que não acabe nunca. E ter certeza de que, quando a gente quer, não tem como não ser o certo.

6 de março de 2012

Regras ao contrário.



E quem é que não quer a fórmula? Revistas ensinam, textos explicam, amigas aconselham. Duma hora pra outro o estranho no bar vira teu melhor amigo, desde que seja capaz de te dizer o que fazer pra conquistar o cara. E você reconta a história mil vezes, com um detalhe à mais aqui, outro à menos ali, muito raramente como de fato as coisas aconteceram. E escuta atenciosamento os conselhos das amigas que, mesmo solteiras, sabem como conquistar um namorado. E você se pergunta o que fez de errado, todas as vezes, quando parecia fazer tudo certo ou, ao menos, o que todos diziam ser o certo.
Primeiro disseram que devemos correr atrás daquilo que queremos e você, como boa ouvinte que é, foi à luta, mas não venceu. Depois disseram que você não deveria atender quando ele ligasse e você, quase matando a si mesma, não atendeu... O celular, é claro, parou de tocar e você agradeceu, porque mais um pouco e você cometeria o pecado de cair em tentação. Outro dia ouviu que o certo era atender depois de um determinado número  de vezes que o telefone tocasse e você até tentou seguir esse conselho, mas todas as vezes o telefone parou de tocar exatamente um número antes, até que não voltou mais a tocar... E escuta as amigas dizerem que não foi culpa sua, que o cara era um babaca, que a pessoa especial estar por vir, e nós sabemos que está mesmo. Então o que te resta é torcer para que ao invés de te ligar, ela venha até sua casa e torne tudo menos complexo.
As pessoas botaram na cabeça que existe um sistema, normas, regras para a paixão. Como se vontade de ligar tivesse hora marcada, como se ouvir o celular tocar não nos causasse felicidade instantânea. Queria mesmo era o número do terapeuta ou o nome do livro de auto-ajuda que foi capaz de fazer alguém agir com tamanha indiferença diante desse frio enorme na barriga que a gente sente toda vez que vai encontrar com alguém especial. Comigo nunca deu muito certo e eu sempre acabo deixando o sorriso transparecer o que, para as regras, só pode ser mostrado quando o cara passa a comer nas nossas mãos. Como se a gente quisesse bixinho de estimação, quando tudo o que a gente quer é uma boa companhia.
O cara não te atender uma vez não faz com que ele esteja fugindo de você. Algumas pessoas realmente tomam banho, realmente dormem, realmente comem... ah é, ele deveria ter te ligado de volta já que é impossível a pessoa ficar sem créditos no celular, afinal isso é um filme, ou novela, ou conto de fadas... Quando é que vão entender que nem todas as pessoas são iguais? Não que você vá ligar 20 vezes por dia. Mas ligar pra saber como a outra pessoa está ainda não é nenhum crime e não, ele não te achará fácil! Pelo menos não se ele estiver realmente curtindo você. E sinceridade, querida, são outros quinhentos.
Legal mesmo vai ser quando ligar não pareça desespero, mas sim leveza. Quando sentir saudade não for pecado. Quando querer ver não for um absurdo. Legal mesmo vai ser quando a gente puder ser quem a gente é de verdade. Porque poxa, é por mim que eu quero que a pessoa se apaixone e não por alguém criado pra agradar alguém que eu ainda nem sei se será agradável para mim. Legal vai ser quando as pessoas pararem de comparar seus relacionamentos com os dos outros e entenderem que paixão não vem com fórmula. Vem com loucura, com sinceridade. E então, quem sabe, a gente perceba que tem alguém do outro lado que quer receber carinho também. Que quer saber que também é lembrado, que quer saber que não sentiu saudade sozinho. Eu, pelo menos, pretendo me apaixonar por alguém de verdade e não por um personagem.

13 de fevereiro de 2012

Minhas mãos não!




Tem essa, que é uma das coisas que quase ninguém entende, mas realmente importa. O toque das mãos. Isso mesmo. Mão com mão e uma infinidade de coisas que envolvem essa ação. Porque mão não é pra ser segurada por qualquer um não. Mão só se dá pra quem merece, pros escolhidos, pros importantes.
A gente pode se beijar de primeira. Você vai passar a mão pela minha cintura sem que eu, meio bêbada, consiga lembrar seu nome. Talvez você me agarre com força e isso me deixe louca. Ok, até ai tudo bem. Mas minhas mãos? Não mesmo, nem pensar. Tá pensando o quê? Mão requer intimidade, no mínimo um grande carinho. Não dou minhas mãos pro primeiro que aparece não. Mãos significam bem mais que qualquer intimidade adquirida numa troca de olhares ou palavras.
É que mão você segura quando quer ficar. Mãos dadas só com quem caminha ao lado ou alguém que você queira que venha a caminhar. Mão com mão é como uma troca infinita de segredos. Alguém, por alguns minutos, toca o que você tocou por toda a vida. É como confidenciar o caminho percorrido. E não se pode tá dividindo tragetória com qualquer estranho que aparece não.
Mãos dadas é pra quem vai ligar no dia seguinte. Pra quem vai junto ao cinema. Pra quem quer, e gosta de mostrar que está junto. Não é simplesmente me pegar na balada e sair de mãos dadas comigo pra coisa parecer mais bonita. Mas não é mesmo. Só gosto de passar mais de um minuto segurando mãos que não me causarão um ódio mortal caso venham a suar. Porque pra dar as mãos é preciso um tipo de afeto bonito, sabe? 
Um corpo inteiro toca o outro, mas as mãos, tão selectivas que são, não saem tocando qualquer outra assim fácil não. Precisam de uma coisa maior, quase que um magnetismo. Dar as mãos é unior destinos. É sentir o coração bater forte. É se sentir seguro. Dar a mão é, em silêncio, desejar vida em troca.

16 de novembro de 2011

Modernidade.

Eis o pior status de relacionamento: Solidão à dois. É, eu sei. Ele inexiste nas redes sociais. Até porque, se existisse, ninguém teria coragem pra admitir que o vive. As pessoas adoram fazer propaganda bonita dos seus relacionamentos. E talvez resida nisso o número crescente de relacionamentos que ao invés de navegar em mares bonitos, naufragam e deixam escombros terríveis na superfície.
É quando a companhia já não empolga e a presença já não preenche. Quando conversas não resolvem e abrem espaço para incansáveis brigas. Nessa hora você se vê deitado na cama sozinho contando nos dedos os motivos pra continuar com isso. Depois vai contar os para não continuar e pesar ambos, sabendo que, independente do resultado, você não vai terminar agora, quem sabe se você der só mais essa chance... Afinal, o que seus amigos vão dizer quando virem a mudança de status no facebook? E quem é que vai te buscar na faculdade? Sem contar que você já imagina as pessoas perguntando o motivo do término e a satisfação escondida nos olhos deles ao fazerem esse tipo de pergunta. Não, você não está pronta pra isso.
Opa! Para tudo. Espera um segundo. Cadê a saudade de ficar agarradinho vendo filme em dias de chuva? Cadê a saudade dos segredos trocados ao pé do ouvido enquanto os amigos conversam qualquer coisa numa mesa de bar e nem percebem que vocês estão contando as horas pra fugir de lá? Cadê a saudade de andar de mãos dadas no shopping num sábado à noite em busca do que comer durante a madrugada em que vocês não dormirão pra ficar jogando video-game?
E eis a explicação para a bendita solidão à dois: Já não se constroem relacionamentos como antigamente, quando muito mais valia os segredos à dois que as opiniões dos grupos que cercam um casal de namorados. A cumplicidade deu lugar às redes sociais, onde tudo que se divide são fotos de sorrisos bonitos, que ninguém sabe, mas na mesma noite deram lugar a uma briga feia por motivos que você nem lembra mais. Deve ter sido porque ele falou com aquela menina que ele beijou antes de começar a te namorar ou, quem sabe, porque você ficou bêbada e aproveitou a oportunidade pra dizer a ele o quanto está insatisfeita com o que vivem. Mas também, tudo bem. No dia seguinte nem parece ter acontecido e, que bom que, ninguém ficou sabendo.
Sinto falta de quando as bases dos namoros eram mais sólidas. De quando os namoros não terminavam por ser difícil ficar sem a outra pessoa, e não por ser difícil explicar os motivos do término à quem nem interessa saber. Talvez eu seja mesmo o tal do último romântico, mas se isso se der por eu querer alguém que fique comigo por me achar especial o suficiente pra me querer sempre por perto... Ah, desculpa, vou ser esse cara pra sempre.
No fim das contas estar solteira nem parece tão ruim quando se pensa nas opções, porque antes sozinha e em paz comigo e meus filmes num domingo tedioso, que ao lado de alguém com quem eu só continuo por ter vergonha de admitir que eu fracassei. Me desculpem os fracos, mas não dá pra viver de aparências para sempre e é triste pensar que, nesse andar da carruagem, vocês perdem as oportunidades de viver um amor verdadeiro, baseado em amizade e alheio às opiniões de terceiros.

14 de abril de 2011

A arte de cuidar.

A pior parte não é a falta que a presença me fará, claro que essa dói notoriamente, mas dói bem menos que uma outra. Dói bem menos que a dor de não ser presença. É suportável conviver sem contar da sua vida, sem dividir os problemas, sem encher a outra pessoa com informações do seu dia, pra isso você tem o irmão, amigos, cachorro e até as vizinhas, não que nenhum seja tão bom quanto um certo alguém em especial, mas são boas companhias e com isso diminuem a dor da ausência. Mas e a ausência de ser presente? A ausência de informação, o não poder ligar pra perguntar sobre o dia do outro, não ter o direito de se preocupar com alguma eventual doença, não ter o direito de cuidar quando forem necessários cuidados especiais que só você sabe dar... Essa ausência, como suprir? Porque embora seja bom ter alguém especial, consegue ser ainda melhor se saber especial pra alguém, saber que outra pessoa só consegue ser feliz com você e só quer se for seus cuidados. Saber que em algum canto a essa hora tem alguém pedindo aos céus para que o telefone toque e seja você, para que a campainha toque e possa encontrar seus braços. É bom saber que a gente é pra alguém a mesma coisa que essa pessoa é pra gente, que a necessidade é mútua, que o carinho tem a mesma intensidade e que o sentimento cresce e se fortalece por ambas as partes.
Há quem prefira ser cuidado, quem prefira ser ligado, quem prefira ser procurado e por isso deixa de fazê-lo, mal sabe que a coisa pra crescer tem que ser feita dos dois lados, que planta pra florescer precisa que tanto a chuva quanto o sol façam seu trabalho, que amor pra ser verdadeiro tem que ser à dois, dando e recebendo. Não abro mão de um bom carinho, de uma ligação na madrugada, de flores num sábado pela manhã e acho absurdamente lindo o homem que consegue ser romântico, mas sou desse tipo de excepção que sente saudade e não tem medo de ligar e contar isso, do tipo que gosta de lembrar a outra pessoa que ela é amada e especial, que gosta de dar cafuné num domingo pela manhã e que não abre mão de dar remedinho quando o outro está doente. Sou do tipo que não quer perder alguém especial e não tenho vergonha de admitir isso, porque receber é maravilhoso, mas eu prefiro que isso aconteça da forma mais natural possível, sem joguinhos ou medição de forças do tipo "quem aguenta ficar mais tempo sem ligar?". Sou romance à moda antiga, sem sufocar ou ocupar espaços que não me cabem, mas o que me é permitido, o espaço que é meu de direito, o que faz bem ao outro me fazendo bem também, disso não abro mão!

7 de abril de 2011

as delícias da rotina

E você vai chegar com o sorriso cansado do fim do dia e vai me beijar intensamente, mesmo com o ar de exausto. Depois vai me olhar nos olhos, o melhor dos abraços e perguntar o que tem pra comer. Vamos jantar juntos qualquer coisa que tenha na geladeira enquanto você fala do trânsito, das pessoas que conheceu no trabalho, dos professores chatos da universidade. Eu vou te olhar com calma, decorar as caras, me apaixonar pelas expressões. Você, quase que cantando, vai me perguntar qualquer coisa sobre o que eu fiz e, no último pedaço de um pãozinho qualquer, vai calmamente dizer que estou linda, que é bom estar em casa - é nessa hora que eu fico ainda mais apaixonada. Essa é uma das horas do dia em que eu tenho certeza que nasci pra você.
E vou te falar da novela que vai começar, da novela que você nem gosta, mas vai comigo pra cama assistir só pra me ver feliz. E tem sempre uma cena de beijo, de briga, de amor que você diz parecer com a gente e é nessa hora que nossas pernas se entrelaçam. Você me agarra forte, me olha calmo, me beija com vontade. Seu corpo no meu, suor em dobro, milhões de gotas de prazer. E o tempo some, o mundo é nosso... E depois, abraçados, sorrimos de qualquer coisa, mesmo sem graça, só pela maravilha que é estarmos assim, juntinhos, enquanto boa parte do mundo dorme só.
E vamos tomar banho juntos, um ensaboando o outro e você brigando por querer ficar em baixo do chuveiro. Vou vestir uma camisa sua e você uma cueca folgada e é hora de dormimos pra aguentar a maratona que os dois começam diariamente às sete da manhã (quando o despertador toca e você me implora por mais cinco minutinhos). A cama é grande, mas como é bom fazer ela parecer maior quando é pra estarmos abraçados, mesmo que isso só dure até um de nós começar a derreter de calor e se afastar pra que o outro não comece a derreter também.
Antes de dormir eu te olho boba, penso em quanta sorte tenho e agradeço por outro dia com a tua presença e você, com cara de quem não entende a sorte de me ter pra si, deixa os olhos transparecerem que também está agradecendo. Tem gente por aí que diz que é monótono e muitos dos teus amigos questionam essa nossa escolha, mas é muito bom saber que nessa mesma hora tem gente pedindo pra viver algo igual, pessoas querendo uma companhia e nós, mesmo com algumas brigas e tantos altos e baixos, temos um ao outro nessa, que é antes de tudo, a mais prazerosa das rotinas. 
Como é bom ser tua por mais um dia e não precisar brincar de faz de conta.

27 de novembro de 2010

E daí?

 No fim das contas quase tudo que parecia ser eterno acaba por acabar. Foi assim com alguns sonhos, planos, pessoas, medos e traumas. E ainda vai ser assim com uma infinidade de coisas.
 Eu sei que eu disse que seria pra sempre, mas é por isso que namoramos não? Exatamente por acreditar que vai ser pra sempre, mesmo quando todos dizem que cedo ou tarde vai acabar. A verdade é que o sentimento é tão forte e bonito que tudo que a gente quer é que nunca acabe, mas sempre acaba porque cedo ou tarde perde a graça, vira dor ou simplesmente deixa de fazer sentido. Se quiser saber como estou direi que estou bem, porque estou mesmo, por incrível que me pareça eu sobrevivi - como tantos outros que também chegaram a acreditar que não conseguiriam. Sentimentos tendem ao drama mesmo quando não é isso que queremos.
E daí que eu chorei à toa? E daí que não deu certo? Foi lindo, intenso, verdadeiro. Foi tudo que tinha que ser, digo mais, foi além... Muito além do que um dia eu imaginei. Acabou como sonhos que acabam ao acordarmos e que deixam sempre aquela vaga lembrança que te faz voltar a dormir pra quem sabe conseguir sonhar o mesmo sonho, quando no fundo você sabe que é impossível.
Vivi muitas coisas desde então e não posso negar que nada foi tão intenso, mas foram coisas também bonitas e que foram ocupando espaços esburacados dessa mente e desse coração atordoado. E não foi pra sempre como eu esperava que fosse, mas foi eterno, infinito... Foi lindo. Como o pensamento eufórico nos segundos que antecederam o primeiro beijo que foi dado junto do nascer do sol naquele dia e como as lembranças do bons momentos que ficarão guardadas pra daqui pra frente eu ter a certeza de que amei e que, cedo ou tarde, será bom amar outra vez.