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25 de setembro de 2013

Calei, mas continuo sentindo.


Como que a gente começa a falar quando o assunto é sentimento? Acho que desaprendi. Acho que endureci, mesmo não querendo.
Em meio aos amores que nascem da noite pro dia e "Vidas" que nem se conheciam um mês atrás, fui calando para não mentir. Fui me esquivando de sentir e falar, para não cair no erro do amor que não durou mais que o sono de muitos por aí, como diz a piada que circula nas redes sociais.

Eu não era assim. Nunca fui. Longe de mim! Sempre dada a falar mais que o que deveria, era adepta do amor escancarado e das declarações melosas de amor-para-sempre. Fui assim a vida inteira e até gostava. Agora tô aqui, nem lembro a última vez que me declarei sem medo.

Não sei se as decepções ou a falta de ânimo. Acho que um pouco dos dois. Mas aprendi a guardar pra mim. E muito bem guardado! Todo tipo de sentimento, todos os acontecimentos. Eu simplesmente não compartilho. E agora, sempre que me vejo declarando amor por alguém seja em comentários nas redes sociais ou em demonstrações simples de carinho, como um abraço, acabo me perguntando se é isso mesmo. Se o outro também sente. Se é seguro demonstrar...

Num tempo onde as pessoas escancaram tudo o que sentem, eu simplesmente me abstenho. Pondero as palavras e meço os sentimentos para não passar do ponto.
Não cheguei a me tornar fria. Não tenho estrutura emocional para tanto. Eu só não sei mais demonstrar, embora ainda sinta, todo o amor ou raiva que estão aqui dentro. Porque sim, eu choro sozinha vez ou outra. E inúmeras vezes eu quis gritar com alguém por essa pessoa ser algo que aprendi a detestar. Mas eu simplesmente calo e deixo pra lá. E fui deixando tanta coisa pra lá que, de repente, tudo o que foi deixado pra lá levou um pouco de mim. Porque eu sou os gritos que calei. Sou o amor do qual não falei. Sou a tristeza das amizades que se romperam. Sou a loucura das paixões que simplesmente não tive ânimo pra deixar que crescessem.

Tenho medo de ter ido longe demais com isso. Tem segredos que a gente precisa dividir com alguém para que não nos devorem. E nem sei quantas pessoas perdi só por não achar justo pedir para que ficassem. Cheguei num ponto de aparente indiferença que não condiz com a realidade, mas por ser mais confortável e fácil de lidar, achei ser o melhor a deixar transparecer.

Não tem sido ruim, não nego. Quanto menos importância você dá aos sentimentos, menores eles parecem. Mas de alguma forma, não são seus. Não são o que você realmente é. E com um tempo começam a fazer diferença também em que você virá a ser.

O meu "eu te amo" nunca fui tão sincero e verdadeiro. Mas ao mesmo tempo, nunca foi tão dolorido. Talvez não se aprofundar nesses assunto seja a chave pro sucesso. Porque embora agora os meus poucos sejam realmente bons, sinto falta da leveza que as palavras costumavam ter.

Se pra alguns beijos acorrentam almas, o que me acorrentam são as palavras. E enquanto o mundo respira amores para sempre, só consigo respirar amores reais, cheios de controvérsias, histórias, lealdade e uma infinidade de outros sentimentos nos quais ele implica.

Acho que sinto falta de quando sentir e falar estavam interligados. Nessa época era mais leve e fácil. Não havia problema se eu parecesse boba. Não havia certeza absoluta de que duraria por aqui embora acabasse do lado de lá. No momento era e ponto, o depois viria com o tempo, como tem de ser. Havia pretensão de "para sempre", não essa amedrontada certeza errante de que, de alguma forma, ele existe.

E se as pessoas soubessem o quanto um "para sempre" pode ser aterrorizante, não viveriam o prometendo por aí. Guardariam e seriam, como eu, adepta daquela frase muito bem bolada que diz "repara bem no que não digo".

22 de março de 2013

It's Over.


Gente que mente como quem dá "Bom dia!". Que trai e atrai coisas ruins pras nossas vidas. Gente que não tem emoção, não entende de sentimentos, não valoriza as pessoas que tem ao lado. Gente que não se preocupa em não magoar os outros e pensa apenas no próprio umbigo. Gente baixa, sem qualidades notórias e relevantes, incapazes de fazer melhores as pessoas das quais se aproxima.
Porque diabos insistimos em manter esse tipo de gente nas nossas vidas? Destinamos amor, o sentimento mais nobre e sincero, para quem só merece pena. Desperdiçamos nossos dias preciosos tentando agradar alguém que não se sentirá, de fato, agradado nunca, pois é incapaz de perceber a beleza de atitudes honestas. Continuamos nos doando pra quem não sabe o que isso significa. Pra quem não merece nem o pior que temos dentro de nós mesmos.
É carência? Medo da solidão? Desespero? O que é?
Passo dias inteiros tentando entender e simplesmente não encontro explicação. Usamos do gesto mais banal pra nos agarrar num fio de esperança que nos mantenha de pé e fortes para tolerar todos os outros gestos, que são de puro descaso e falta de sentimento. Continuamos a dar desculpas para nós mesmos, quando o outro é que deveria fazê-lo, mas anda ocupado demais com qualquer outra coisa para perder tempo com ciúmes sempre tidos como exagerados. E entre mentiras mal contadas e atitudes egoístas, vamos suportando até aonde o coração aguenta. As vezes, até além disso.
Mas chega. Já deu! Decreto aqui o fim do amor unilateral. Findo aqui o desperdício dos sentimentos bons. Ponho um ponto final a entrega sem retorno. Já passou da hora de arrancar do livro das nossas vidas páginas rabiscadas por pessoas vazias, sem inspiração, sem valor. Precisamos, mais que nunca, acordar pro mundo lá fora que é gigante e guarda um monte de gente que, como a gente, já cansou de tanto desperdício de amor.
De hoje em diante só pessoas que nos façam melhores. De hoje em diante só gente que entenda do que a gente sente e sinta orgulho de nos ter ao lado, pra amar e cuidar. De hoje em diante é distância dessas pessoas que nos afastam de nós mesmos, do que somos e sonhamos para nós. Ou está ao nosso lado para somar ou se manda da nossa vida, porque não temos espaço para doar pra essa gente que não merece. Não vale à pena desperdiçar o que temos de melhor com quem não tem nada para acrescentar às nossas vidas.
É o fim dos choros na sexta-feira à noite e em todos os outros dias da semana. É o fim da espera pelo celular que nunca toca. É o fim desse medo da solidão. No fundo todos nós sabemos: Antes só que mal acompanhado. E se não servimos para ser motivo de riso fácil aos domingos, não nos serve para estar ao  lado quando for hora de desfrutar das nossas conquistas.
Comece agora mesmo a arrancar da sua vida tudo que não presta e só pare quando não restar mais nada capaz de lhe fazer mal. Só depende da gente. Só depende do nosso amor próprio. Já é hora de começarmos a fazer o que é bom para nós. Um pouco de egoísmo às vezes faz bem. Se valorize, se ame, se respeite. Faça isso por você já que não tem valido à pena todas as coisas incríveis que você tem feito por essa gente.
E acredite: Nada como um dia após o outro. Hoje a gente cai, amanhã aquele que nos derrubou implora por nossa ajuda para se levantar. É o velho lema, ainda e sempre: "Vida que segue!".

21 de novembro de 2012

Mais alguns segundos.



Aqui estamos nós onde eu nunca quis que chegássemos: uma infinidade de pequenas coisas entre eu e você. Cada vez mais distantes, quando tudo que eu queria era continuar cabendo em teu abraço. E você me olha como quem pede pra que eu dê conta enquanto bate a porta rindo sem saber ao certo que horas vai voltar.

Você que me deu o mundo em um sorriso e encheu de esperanças esse coração desnorteado. Te vi como o melhor caminho e decidi seguir sem medo. Quando dei por mim era muito tarde pra voltar a andar sozinha, não parecia justo comigo. Mas também deixou de parecer justo com você, já cansado de tamanha responsabilidade e vontade imensa de voltar ao que sempre fora: liberdade em sua plenitude, um infinito de possibilidades. Foi isso em você que me apaixonou e me ganhou pra sempre. É isso em você que vai fazer eu te perder.

Sei que venho sendo egoísta, prolongando o fim por achar que mereço um recomeço. Sei que deveria ser uma daquelas mulheres bem resolvidas que te deixaria partir numa boa e encontraria uma forma de dar a volta por cima. Talvez numa próxima vida eu venha assim. Talvez ainda nessa eu aprenda a ser assim. Mas não com você. Não deixando acabar esse fiozinho de amor que ainda existe entre a gente.

Bem sei que no fundo você aprova minha atitude. Sei que você vê o quanto me esforço e sorri consigo mesmo desse meu jeito meio torto de tentar te fazer feliz. Talvez por acreditar em mim mais que eu mesma é que continue aqui. Suportando o vazio imenso que existe entre os momentos de confidências e a maioria dos outros, quando o silêncio quase arranca as esperanças que me restam. 

Sei que se pudesse escolher que vontade sentir, ia querer ficar. Tenho certeza disso. Mas assim como é mais forte que eu isso de te querer aqui, é mais forte que você a necessidade de partir. E vejo nitidamente o esforço que faz para estar nos dois mundos. Eu, apaixonada que sou, acabei aceitando ter tua menor parte, ter teu menor tempo. E continuar fingindo que não noto as ausências, os silêncios e as perfeitas desculpas.

Desculpa errar tanto ao tentar acertar. Desculpa precisar tanto de você. Alguma coisa aqui dentro escolheu você de um jeito que não é justo com nenhum de nós dois. Eu sinto como se fosse a única no mundo que merece esse teu jeito doce, teus olhos claros e as promessas bonitas que você faz. Sinto como se fosse um direito meu te fazer feliz e ser feliz em troca. Parece louco, admito. E talvez com o tempo eu vá aprendendo a viver sem você. Mas agora é tão mais fácil te ter por perto, dormir contigo, acordar sorrindo aliviada nos teus braços. Até o mais difícil dos mundos ainda parece de alguma forma fácil se você vem junto.

18 de outubro de 2012

Perfeitamente imperfeito.


Aqui estamos nós: seres imperfeitos esperando pela perfeição do outro. Nós que choramos sem motivo, brigamos por tédio, reclamamos pra passar o tempo, sentimos ciúmes algumas vezes sem sentido. Nós que nos conhecemos como ninguém e por isso bem sabemos que alguns defeitos nossos são realmente bem difíceis de aturar. Mas continuamos crédulos de que há um ser por aí que nos merece e que, por tanto, deve ser íntimo da perfeição. Merecemos, no mínimo!, perfeição. É o que pregam que a gente deve achar.
Qualquer dia desses, quando errarmos, nos pegaremos pedindo desculpas. Qualquer hora dessas diremos que, se estivéssemos no lugar do outro, tentaríamos entender. Seres falhos que somos, diremos coisas sem pensar, tomaremos atitudes precipitadas, faremos escolhas erradas. E esperaremos, principalmente nesses momentos, que haja alguém capaz de nos entender e perdoar. Alguém capaz de nos amar independente disso. Olha nós, seres imperfeitos querendo receber mais que o que temos pra dar!
Se cometemos erros, é normal que o outro erre também. Se há amor, há perdão. Se há diferenças, alguém vai ter que ceder. E é então que, se pararmos para pensar, perceberemos que estamos fazendo a busca de forma errada. É a imperfeição que queremos. A imperfeição que nos complete e nos entenda. Alguém que tenha defeitos perdoáveis e cometa erros aceitáveis. É impossível acertar sempre. E deve ser um filme de terror conviver com alguém que, de tão perfeito que é, vê defeito em tudo que fazemos.
Quem ama briga mesmo. Mete os pés pelas mãos vez em quando. Tem medo de perder o outro e, por conta disso, age de forma impensada algumas vezes. Quem ama quer chamar atenção e por vezes não sabe direito como fazer isso, mas passa por cima do orgulho ferido e sabe a hora de pedir desculpas. Quem gosta pede desculpas com uma frequência um pouco chata, por ter medo de ser mal interpretado. Mas quem ama de verdade sabe que não precisa pedir desculpas o tempo inteiro, porque o outro entende seus defeitos. Amor de verdade é exatamente a aceitação da pior parte. Amar alguém que não erre nunca deve ser muito fácil, mas a gente nunca vai poder ter certeza disso porque pessoas sem erros não existem. E se existirem devem saber muito pouco da vida, devem ter muito pouco para nos acrescentar. As melhores pessoas cometeram erros para aprender a acertar.
Vamos encontrar alguém que nos acrescente quando soubermos que um bom diálogo resolve a maioria das diferenças. Quando percebermos que o amor está intrinsecamente ligado ao dom de perdoar. Quando soubermos ver além das falhas: porque é lá no íntimo que se esconde o melhor e o pior, e não no que os olhos podem ver e as más línguas julgar. Perfeição no quesito amor é, antes de mais nada, a troca. Acrescentar para ser acrescentado. 
Perdoar tudo não é amar, bem sabemos. Não é por termos defeitos que nos doaremos pra alguém que viva de erros. Mas há sempre um equilíbrio: alguém que erra, mas sabe como concertar. Alguém que tem defeitos proporcionais às qualidades. Alguém que sabe exatamente a hora de parar, pra não passar do ponto e correr o risco de machucar. O ser capaz de nos fazer feliz é aquele que, independente dos erros que comete, se preocupa em nos manter bem, em manter o amor bonito, em fazer a história durar. E erra, muitas das vezes, tentando acertar.
Há sim por aí alguém perfeito pra gente, nas imperfeições. Alguém que a gente vai amar ver a carinha de arrependimento. Alguém que compensará a briga com amor em dobro. Alguém que nos amará independente dos nossos defeitos e quando menos merecermos. Quem se ama e se aceita do jeitinho que é, sabe que isso é o suficiente pra qualquer amor ser bonito e duradouro. Aceitemos o outro então, com todos os defeitos e qualidades que ele tiver. Aceitemos o drama dos amores reais, porque felizes para sempre só existe em conto de fadas. Quem quer amor tem que saber: Nem só de flores se faz um romance. São os tropeços no meio do caminho que fazem as histórias mais bonitas.

18 de agosto de 2012

Da série: Nem vem que não tem!

Na tua vida não tem espaço pra mim e eu nunca fui de me conformar com meio lugar pra ocupar. Sou espaçosa, te disse. Deixei bem claro que te queria inteiro, porque não sei me doar em metades. O embrulho vai completo: papel bonito, laço, dramas e sorrisos. Quero o mesmo em troca, tudo muito justo. Nada morno. Sem meios termos, sem relação meia-boca.

Depois você não entende do que eu tô fugindo. Parece não saber que sentimento raso me dá medo. Amar independente das incertezas, vá lá. Mas amar com prazo de validade não! Me recuso. Não sei lidar com palavras ensaiadas e data marcada pra sentir saudade. Não sei e não quero aprender. Passei tempo demais redecorando meu coração pra deixar que ele seja ocupado por um prazo. Não quero prazos, quero que dure. Desde o beijo ao pós-briga. 


Não sei agir como se seus pedaços fossem bons. Quer dizer, bons eles são, até admito. Mas não são o suficiente. O pedaço de você que sobrou pra me levar num jantar no sábado não vai durar até a manhã do domingo, quando você estará inteiro no futebol. E seu pedaço que saiu comigo na última sexta-feira não será suficiente pra que eu queira ficar até a segunda. É bom, mas é pouco. É pouco demais diante do que eu tenho pra te oferecer ou do quanto me vejo entregue todas as vezes que passo horas procurando uma roupa que evidencie a minha curva que você tanto elogia. Relógio na parede me dizendo claramente que o tempo não vai passar até que você chegue. 


E ao chegar, em meio ao tempo que agora parece correr, você tem sempre ligações demais para atender, mensagens infinitas para responder. Fez boa distribuição dos pedaços, certamente. E eu ainda tento contabilizar os teus sorrisos e descobrir se algum deles é só meu, se há algo em você que me pertença de verdade. Antes que a verdade se torne ainda mais evidente, teu relógio diz que é hora de ir embora. Sempre cedo demais pra que eu me entregue e tarde demais pra que você possa ficar mais um pouco. Estamos em frequências diferentes e o relógio continua sendo nosso maior vilão, embora não o único. 


E tudo em você se torna previsível. Calmaria insuportável. Tédio sem fim. As ligações têm minutos contados e o corpo é morno. Falta fogo no beijo, falta me deixar sem fôlego. O tempo é curto demais e a espera muito longa. Espera nunca compensada. Desculpas esfarrapadas. Tudo bem drama de folhetim das sete. E você secretamente achando que estou ficando muito exigente.


E te ouço reclamar dos passos que dou pra trás, quase acreditando que quer mesmo fazer andar pra frente. Mas é de "quases" que um relacionamento meia-boca se faz. Porque quem quase chega, me deu um bolo. Quem quase me amou, voltou pra ex. E eu quase me apaixonei por você, mas meu quase ainda é muito mais que o que você quase chegou a merecer.

5 de julho de 2012

Pronta pra você.



É pra mim que você vai voltar. A gente sabe. Pela segurança, pela certeza, por amor. Mesmo quando o dia seguinte não representa medo algum, você ainda espera que eu esteja lá. Trazendo a paz que você não encontra em nenhum outro lugar. Pronta para te receber.


Eu não te culpo. As noites ausente, os erros diários, a necessidade de ser livre. Nada me parece absurdo ou digno de representar uma real culpa. Você não sabe lidar com segurança. Não sabe o que fazer com nada que represente constância. Você não está pronto pro que der e vier, se o que der e vier tiver de ser descoberto com um porto seguro ao lado. Pra você a presença presume ausência. E você morre de medo de uma certeza acabar.


Mas a gente sabe que isso, cedo ou tarde, vai passar. A vida exige doses de segurança, alguma coisa que não tenha prazo de validade mesmo que não precise ser assim. E eu sei bem pra onde você vai correr, como você também sabe, mesmo sem querer admitir isso. E essa sua relutância só torna minha certeza mais plausível. Você foge das verdades mesmo sabendo que não pode escapar.


Não se preocupe, não tenho pressa. Cada dia de cada vez, tenho aprendido. E sei bem que, quando for hora, você acabará voltando. E virá inteiro, porque  se tem algo que tu sabes ser é inteiro. Por isso não me avexo, nem digo que será tarde. Do lado de cá também vivo meus romances, encontro amores coadjuvantes, loto a mala de boas histórias pra contar. Não me apego, como prometido. Mas não me anulo, é claro. Todos precisamos de doses de paixão pra ir sobrevivendo enquanto o amor não chega e dura, como tem de ser.


Nosso acordo e seu medo são segredos que mantenho bem guardados, não se preocupe. E não lhe cobrarei ciúmes do passado, qualquer coisa que poderia ter sido e não foi. Nesse nosso acordo não cabe frustrações. Cabe apenas você na madrugada, querendo colo como quem volta a ser criança. Você querendo descansar ao meu lado, quando já viu de quase tudo. E o que te falta ver, o que você ainda não conhece, do que você ainda não sabe... Tudo isso sou eu quem vai te mostrar, porque é a beleza que só o amor nos permite ver. E amor desses que desvendam o mundo, a gente sabe bem, é só em mim que você procura. É só em mim que você consegue encontrar.

10 de março de 2012

Dia 14: A figura de um sonho de consumo.

Carrie's Closet
Essa foi mega fácil! 
Desde que vi Sex in the City 2, e o closet maravilhoso da personagem interpretada pela diva Sarah Jessica Parker (love), soube que nasci para ter um igual. Não há nada que faria uma mulher mais feliz, pode apostar!

6 de março de 2012

Regras ao contrário.



E quem é que não quer a fórmula? Revistas ensinam, textos explicam, amigas aconselham. Duma hora pra outro o estranho no bar vira teu melhor amigo, desde que seja capaz de te dizer o que fazer pra conquistar o cara. E você reconta a história mil vezes, com um detalhe à mais aqui, outro à menos ali, muito raramente como de fato as coisas aconteceram. E escuta atenciosamento os conselhos das amigas que, mesmo solteiras, sabem como conquistar um namorado. E você se pergunta o que fez de errado, todas as vezes, quando parecia fazer tudo certo ou, ao menos, o que todos diziam ser o certo.
Primeiro disseram que devemos correr atrás daquilo que queremos e você, como boa ouvinte que é, foi à luta, mas não venceu. Depois disseram que você não deveria atender quando ele ligasse e você, quase matando a si mesma, não atendeu... O celular, é claro, parou de tocar e você agradeceu, porque mais um pouco e você cometeria o pecado de cair em tentação. Outro dia ouviu que o certo era atender depois de um determinado número  de vezes que o telefone tocasse e você até tentou seguir esse conselho, mas todas as vezes o telefone parou de tocar exatamente um número antes, até que não voltou mais a tocar... E escuta as amigas dizerem que não foi culpa sua, que o cara era um babaca, que a pessoa especial estar por vir, e nós sabemos que está mesmo. Então o que te resta é torcer para que ao invés de te ligar, ela venha até sua casa e torne tudo menos complexo.
As pessoas botaram na cabeça que existe um sistema, normas, regras para a paixão. Como se vontade de ligar tivesse hora marcada, como se ouvir o celular tocar não nos causasse felicidade instantânea. Queria mesmo era o número do terapeuta ou o nome do livro de auto-ajuda que foi capaz de fazer alguém agir com tamanha indiferença diante desse frio enorme na barriga que a gente sente toda vez que vai encontrar com alguém especial. Comigo nunca deu muito certo e eu sempre acabo deixando o sorriso transparecer o que, para as regras, só pode ser mostrado quando o cara passa a comer nas nossas mãos. Como se a gente quisesse bixinho de estimação, quando tudo o que a gente quer é uma boa companhia.
O cara não te atender uma vez não faz com que ele esteja fugindo de você. Algumas pessoas realmente tomam banho, realmente dormem, realmente comem... ah é, ele deveria ter te ligado de volta já que é impossível a pessoa ficar sem créditos no celular, afinal isso é um filme, ou novela, ou conto de fadas... Quando é que vão entender que nem todas as pessoas são iguais? Não que você vá ligar 20 vezes por dia. Mas ligar pra saber como a outra pessoa está ainda não é nenhum crime e não, ele não te achará fácil! Pelo menos não se ele estiver realmente curtindo você. E sinceridade, querida, são outros quinhentos.
Legal mesmo vai ser quando ligar não pareça desespero, mas sim leveza. Quando sentir saudade não for pecado. Quando querer ver não for um absurdo. Legal mesmo vai ser quando a gente puder ser quem a gente é de verdade. Porque poxa, é por mim que eu quero que a pessoa se apaixone e não por alguém criado pra agradar alguém que eu ainda nem sei se será agradável para mim. Legal vai ser quando as pessoas pararem de comparar seus relacionamentos com os dos outros e entenderem que paixão não vem com fórmula. Vem com loucura, com sinceridade. E então, quem sabe, a gente perceba que tem alguém do outro lado que quer receber carinho também. Que quer saber que também é lembrado, que quer saber que não sentiu saudade sozinho. Eu, pelo menos, pretendo me apaixonar por alguém de verdade e não por um personagem.

1 de março de 2012

Da espera.


Quando se ouve falar em espera logo vem a tortura. E é torturante mesmo. As horas que não passam, o telefone que não toca, as notícias que não chegam. E você vive pregando aos quatro ventos que é preciso ter calma, que a paciência é libertadora e que o tempo resolve tudo. E resolve mesmo. Mas saber disso não alivia, só piora. Porque como é que pode o tempo passar pra todo mundo e pra você continuar assim, completamente parado? É tudo muito bonito na teoria, mas precisava ser tão difícil na prática? E ouvir que ficar assim não resolve nada, não ajuda, só te faz sentir ainda mais idiota.
E você se culpa por não ter lido sobre essas coisas. Por não ter praticado yoga. Por não conseguir conter a ansiedade. Mas você é só humana e a sua geladeira não foi a única a ser aberta mil vezes nas últimas 24 horas. Claro que você não colocou ou tirou nada de lá, mas que culpa você tem de isso fazer parecer que o tempo passa mais rápido? 
E você não suporta mais olhar o relógio de cinco em cinco minutos quando o espaço entre eles parece uma eternidade. Então você se promete que é a última vez, até quebrar a promessa e, com raiva, notar que as últimas duas horas foram apenas míseros dez minutinhos. E diz, com força e crença, que agora é pra valer. A gente sabe que não será, mas também não há nada que possa ser feito. Essa é a pior das torturas. Pior que isso: é involuntária.
O telefone continua sem vibrar. A mensagem não chega. A campainha não toca. E você, que só queria uma resposta, bem sabe que cada segundo sem novidade é uma resposta evidente de descaso. Cada dia sem atitude é um fato da falta de interesse. Todas essas coisas que as revistas femininas bem explicam, mas que a gente, por burrice ou orgulho, finge não saber. Quando não só sabe, como sente. E dói. Dói a espera, a não resposta, a não verdade. Mas você tá lá, firme na luta. Garota que não sabe nada do equílibrio, mas que acredita que na hora certa o amor chega, o amor volta, o amor vem. E acredita mesmo nisso, mas não consegue entender porque tem de demorar tanto. Seria bem mais fácil sem todo esse drama. E volta a olhar pro relógio, a notar como as horas não passam, a sofrer com o dia que não chega. Quando você nem sabe que dia é. Mas sabe que vai chegar, porque chega pra todo mundo. Ao menos é o que dizem e, fora a agonia da espera, é tudo que você sabe.
E não há nada mesmo que ser esperado. Você nem deveria ter criado expectativas. É isso que as pessoas dizem, é isso que você diz a si mesma. E no fim das contas ainda consegue gostar do frio na barriga. Mesmo que não seja fácil, sabe? Mesmo que a resposta nunca venha e seja esquecida em meio à novas perguntas. Mesmo que a espera não dê em nada e deixe de doer simplesmente porque já doeu demais. Sem nenhum fato impactante, sem nenhuma grande mudança. Quando esperar cansa, porque uma hora isso acontece, e você sente as horas voltarem a passar normalmente. Como que por encanto. Como se a vida estivesse de sacanagem.