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26 de maio de 2013
Calma na alma!
São tantas histórias que se cruzam. Gente que veio, foi e ainda virá. Há também as que sempre voltam. E tem todo o intervalo de tempo entre uma história e outra, entre cada chegada e partida. Tempo que hora passa devagar, noutras arrastado e, ainda, veloz, como quem não quer ficar. É muita vida e informação o tempo inteiro. São escolhas que implicam em abrir mão de todas as outras opções. E quanto mais difícil é escolher, maior é a responsabilidade para lidar com a escolha que foi feita.
O que nos resta é ter calma. Calma na alma. Calma para lidar com as escolhas mal feitas. Calma para que o coração desacelere e recobre o passo, pro novo que sempre vem e exige cuidados redobrados. O novo que muitas vezes é visto por nós com medo, noutras como a única solução. E só acalmando tudo por dentro para saber perceber o que é melhor pra nós e para os que nos cercam.
Nesse mundo onde a gente atrai o que transmite e colhe o que planta, antes de mais nada, precisamos olhar com cuidado ao redor. Tem sempre alguém ali do lado, seja para dar a mão ou dizer não. Tem sempre uma terceira história que depende de como contamos a nossa. Uma história que cruza o caminho da nossa para que faça sentido. E toda a calma do mundo ainda é pouca quando o assunto trata da vida de outras pessoas.
Aprendi no decorrer do caminho que, muitas vezes, duas felicidades dependem de uma única coisa para se fazer presente. Não é disputa, não é briga, não é medir forças. É só o destino, travesso, cruzando histórias e dificultando um pouco as coisas. E quantas vezes a gente precisa não ter nosso sorriso para que outro se faça vivo por aí? Bem além das pequenas coisas e dos sentimentos mesquinhos... Quando duas pessoas objetivam o mesmo sonho, mas ele só pode se tornar real para um.
Mudar o foco, abdicar, seguir em frente. Tem tantas outras possibilidades, é o que dizem. Mas em que ponto a gente percebe que deve abrir mão? Onde ficou determinado que essa felicidade não é a sua? E é tão difícil dizer isso para si mesmo e encarar a situação numa boa. Isso porque o ser também é feito de egoísmo, de orgulho ferido, de perseverança cega.
Tantas e mais outras inúmeras vezes eu sei, terei de orar pedindo por calma. Pedindo por discernimento. Pedindo para conseguir ver além. E só assim a gente vai enxergar a hora de parar, a hora de seguir ou como não se deve desistir. Só assim a gente vai poder sentir bem além dos egoísmos bobos e da teimosia irremediável. Muitas vezes, sei bem, desistir é a única forma de se fazer vencedor. Porque abrir mão é ser forte também. É lidar com toda a dor da perda depois. É lidar com todas as possibilidades que deixaram de existir no momento em que você decidiu que já não insistiria mais.
Que não nos percamos em meio à isso tudo. Que não deixemos de sonhar ou de acreditar no que vem depois. Porque o depois existe, está logo ali esperando por nós, pela nessa coragem. Torcendo pelo sucesso do nosso recomeço. No fundo o que eu quero é que a gente saiba a hora de parar. No fundo o que eu quero é que, quem quer que seja que nos fez desistir, faça valer a nossa desistência e faça melhor que o que teríamos feito. E que tudo o que venha depois seja mais fácil e menos doloroso.
Quero continuar desejando o bem. Quero continuar me alegrando com uma alegria que nada tem a ver com a minha. Quero ter calma o suficiente para não culpar ninguém pelo que, por aqui, não pôde ser. E que, da mesma forma, por aí alguém consiga desejar a minha felicidade de graça. Porque tudo que é de graça é tão mais verdadeiro, tão mais bonito. Tudo o que desejamos de graça acaba voltando para nós com a mesma intensidade com que desejamos ao outro.
Entre tanta história ainda inacabadas, que a minha cruze o caminho daquelas mais bonitas, compostas por pessoas que tenham a mesma leveza que eu para lidar com os sentimentos não correspondidos e expectativas frustradas. E que mesmo depois de muitas pequenas perdas, eu não deixe jamais de acreditar que a grande batalha ainda não aconteceu e que, lá na frente, o pouco que eu perdi aqui fez maior a minha vitória. Isso é a calma que eu quero para mim, para você e para todas as histórias que se cruzarão com as nossas por aí...
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16 de abril de 2013
Dê tempo ao tempo...
A gente demora muito pra entender que não basta apenas nossa vontade. Algumas coisas, por mais que queiramos muito, demoram vidas para acontecer. E outras, por mais que queiramos insistir, já não têm mais motivos pra ser.
A pessoa certa não aparecerá num domingo tedioso pra salvar seu dia. A pessoa certa precisa percorrer todo um caminho incerto pra ter certeza de que somos o melhor caminho. A pessoa certa vai chegar depois de muitas pessoas erradas e, ainda assim, não vai se incomodar com o que houve antes... Sabe que o atraso não é culpa de nenhum dos dois.
A vida é meio doida, vive errando a hora, vive fazendo a gente esperar. É uma forma dura de mostrar que nada realmente bom vem com a facilidade que queremos. É nas coisas pelas quais mais lutamos e esperamos onde vemos refletida nossa força e bom desempenho. E em meio ao processo de espera a gente vai passando por cada uma que vale por duas, e em pouco tempo, que pra nós mais parece a eternidade, vivemos mil coisas para que ao menos uma valha realmente à pena. Como um cd que a gente compra pra ouvir uma única música. Como os mil sorrisos que a gente ensaia, pra sorrir bonito quando o sorriso for verdadeiro. E espera que as tentativas sejam logo recompensadas, pois é cada vez mais duro acordar sem saber o que tem feito de errado quando sabe que tem feito o seu melhor.
Pelo caminho vozes de todos os lados: Gente que diz como você deve ser, o que deve vestir, como deve fazer. Gente que não dá conta do que passa na própria vida, mas sabe exatamente o que a gente deve fazer. E nós, por medo dos dedos que nos serão apontados, vamos consentindo e esquecendo que o que realmente importa é o que temos dentro de nós. Que o que realmente importa é o que nos faz feliz. Jamais escolha o caminho mais fácil se ele diferir do que te faz realmente feliz. Mesmo que te digam o contrário. Mesmo que a fé, vez ou outra, pareça rasa e pouca. Um dia de cada vez: Hoje talvez os sorrisos não sejam os mais verdadeiros, mas amanhã uma música pode mudar tudo. Não são as grandes coisas que definem o quanto devemos estar felizes... Ser feliz com pouco é começar a entender que felicidade grande é feita de pequenas coisas. Se é o céu que você quer, você vai alcançar. Mas comece encontrando disposição pra subir escadas sem reclamar do quanto isso te faz doer os joelhos.
O tempo se faz nele mesmo, aos poucos e com muita luta a gente vai fazendo com que ele valha à pena. Como as pessoas que entram na nossa vida e com pouco tempo se vão, mas deixam um aprendizado tão grande que nem em vidas inteiras seria conquistado se elas não tivessem passado por aqui. Mas saiba abrir mão, saiba deixar partir. Dizem que, muitas vezes, quando se perde na verdade se ganha... E que verdade! Nenhum tempo foi perdido. Nenhuma chance foi à toa. Mas não se prenda ao que não tem mais nada pra te oferecer. Roupas, sonhos, lugares e pessoas. Tudo, uma hora, deixa de servir e tem de virar passado, pra que o futuro venha e te dê o mundo, sonhos e roupas da estação.
Depois que você se desarmar dessas armas já enferrujadas, então o novo vai poder entrar, vai poder te moldar, vai te ajudar a crescer. E vai ficar o tempo necessário - quem sabe pra vida inteira, talvez só até amanhã... Tentar prever é loucura. Apenas dê tempo ao tempo e se permita ser exatamente quem você é e viver as coisas como elas realmente são. Mantendo sempre o coração leve, mas os pés no chão. O resto vai acontecer naturalmente. Como a escova de dente que precisa ser trocada de dois em dois meses. Como os filmes que já não estão em cartaz.
O seu melhor é construído diariamente. Lidar com o pior faz parte, nos faz forte. E só assim será possível reconhecer o melhor de longe, pra então ver o seu melhor reconhecido e não precisar dar motivo para não querer partir. Vai ficar pelo que você é, porque tem de ser, porque vê o melhor em você.
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27 de fevereiro de 2013
♥
Eita menina, quem te vê nem pensa, não consegue jamais calcular quanta coisa vem dentro dessa bagagem. Tá pesada, né? Eu imagino. Espero que não demore até que você encontre alguém com quem você possa dividir tanto peso. É bom ter alguém que conheça nossa bagagem, alguém que assim possa entender nossos traumas e medos.
Outro dia te vi de longe, caminhando pela rua à noite. Seu cabelo balançava com o vento e seus olhos pareciam perdidos, procurando algo que não sei o que era. Acho que nem você sabe ainda, mas já torço para que você encontre. Gente que nem você merece encontrar tudo o que busca, porque essas coisas de alma a gente sente só de olhar.
Não desiste não, tá? Já me falaram uma vez que é assim mesmo, que as coisas boas são mesmo difíceis de conquistar. Mas você vai chegar lá, eu sei. Eu e qualquer pessoa que pare para te ver, te conhecer por dentro. Gente assim, que nem você, hoje em dia é raro. Por isso conquistam o mundo, e isso sem nem perceber.
Quando a coisa ficar muito complicada é só orar baixinho. Agradece as facilidades, pede perdão pelos erros, conta de como anda seu coração. E não precisa fazer nenhum pedido, na maioria das vezes a gente erra ao pedir. Pra não cair no erro deixa que teu coração aprenda a querer o que te é dado de bom grado, que essas coisas, por mais sem sentido que pareçam ser, acabam sempre nos trazendo algo grande. Seja pra vida ou por momentos. E aos pouco você vai ver que tudo toma o rumo certo. Gente do bem atrai o bem, é inevitável.
E tenta não chorar mais. Se for pra chorar que seja porque amanhã é um novo dia e você pode ir lá tentar outra vez. Quer motivo melhor que esse pra chorar de alegria? Mas eu ainda prefiro o seu sorriso, por isso sorria... Alegre o dia das pessoas por aí. E cante mesmo que desafinando, pra dor não se acomodar.
Eu sei que na hora não parece, mas tudo vai se ajeitar. As coisas sempre se ajeitam. É rio que vai pro mar, bem que vence o mal, amor que gera amor. E perdoe sempre que as coisas não correrem assim. Perdoe porque perdoar é bonito, faz bem pra alma e enobrece o coração. As pessoas não sabem, mas cada perdão que se dá é uma porta que se abre para a libertação. E não tem nada melhor que ser livre do rancor, da mágoa, das dores. Não há nada mais bonito que poder respirar sem sentir pesar o coração.
Qualquer hora dessas te coloco na mala e levo pra conhecer o mundo, mas enquanto isso não acontece leia muito. Leia tudo que puder e conheça vários lugares, pessoas, histórias e palavras. Encha-se de palavras e use os livros para saber como usá-las - são amigas muito úteis fique você sabendo. Mas o silêncio será sempre sua melhor arma, não esqueça. Ele salva amores, vidas e não custa um centavo, acredita? As pessoas hoje em dia não sabem com o que realmente se vale à pena gastar.
E esse tesouro aí, guarde bem. Mantenha ele assim, sereno. E deixa que ele, por si só, faça a grande escolha. Seu coração é seu bem mais precioso e só ele é que é capaz de fazer com que você se entregue por inteira. Confia nele e guarda, mas guarde bem, pra que o mal não se aproxime e as pessoas vazias não o atinjam.
Vou ficar daqui te olhando sempre, torcendo por você. Não perde esse jeito não. Não deixa que o mundo te endureça. Mostre que quem tem sonhos vai longe. E deixa que a vida te leve pra onde ela quiser, que eu tenho certeza: há de ser um lugar bonito. Vai por mim!
Vou ficar daqui te olhando sempre, torcendo por você. Não perde esse jeito não. Não deixa que o mundo te endureça. Mostre que quem tem sonhos vai longe. E deixa que a vida te leve pra onde ela quiser, que eu tenho certeza: há de ser um lugar bonito. Vai por mim!
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22 de janeiro de 2013
Loser!
De repente a gente se vê gente grande. Paciência pouca pra algumas pessoas. Tempo zero para determinadas situações. E olha pra trás sem entender algumas atitudes, sem acreditar no que foi capaz de fazer e aceitar. Sente que alguma coisa mudou. Não da maneira fácil que torcíamos para que acontecesse. Não tão rápido quanto desejamos que fosse. Mas mudou pra melhor. E aconteceu exatamente quando tinha de acontecer.
Você me perdeu. Tão óbvio quanto a sua falta de maturidade para lidar com isso. Tanto fez, e outras tantas vezes não fez nada, que conseguiu me perder. Eu que sonhei com você noites inteiras e me esforcei da forma mais bonita pra entender absurdos que simplesmente não devem ser entendidos. Eu que te ouvia quando os amigos sumiam e te fazia companhia quando a vida ficava chata. Você perdeu sua melhor válvula de escape, a maior certeza, o amor mais sincero. E certamente ainda não se deu conta disso, sempre lerdo demais quando o assunto não é você mesmo.
Deve tá achando que é armadilha pra te ter outra vez. Seu ego se recusa a acreditar no que sua lenta cabeça já começa a perceber. Deve achar que sofro quando você liga dez vezes e eu insisto em não atender. Se engana tentando acreditar em desculpas que antes eu criava pra sua ausência sempre presente. E certamente inventa desculpas patéticas pra dar pros amigos também patéticos quando perguntam da idiota que finalmente largou do teu pé.
Você perdeu tudo. O coração bonito que entreguei nas tuas mãos, as expectativas bonitas de se ver, a confiança desmedida. Você perdeu tudo e só não se perdeu pelo caminho porque no fundo nunca nem se teve. Não se ama e nem se conhece. Precisa que os outros digam que você está bem e feliz para acreditar que realmente esteja. Triste! E ainda mais triste é o tempo que perdi com você. Te superar foi a melhor coisa que eu podia ter feito por mim mesma.
A falta que você não me faz, sei bem, vai ser sentida desse lado ai. Quando faltar alguém pra te dar carinho mesmo sem você merecer e quando uma outra, com tão pouco sentimento quanto você, tiver apenas seus poucos farelos para te oferecer. Você vai lembrar com saudade da boba aqui, sempre tão compreensiva e disposta a te esperar. Vai chorar de verdade, não como quando o faz pra pousar de vítima. Vai chorar de saudade, de arrependimento, de solidão.
E só pra eu não parecer de todo o mal, vou te contar um segredo: Você anda longe de ser o que pensa que é. E eu, perceba bem, sou bem mais que o que um dia tu vais conseguir merecer. Nem sei onde andei com a cabeça durante todo esse tempo, mas já diz o ditado mais sábio do universo: Antes tarde do que nunca!
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2 de outubro de 2012
Vida longa ao desapego!
Difícil é não querer. De verdade. Bem além do orgulho besta e da vontade de seguir em frente. Bater o pé, erguer a cabeça e apagar. Se não da memória, mas da vida. E ao invés de tentar provar isso pro mundo, apenas fazê-lo por si mesmo, por saber que não querer vai doer bem menos que continuar querendo. Por ter pra si que já não faz bem e, diante disso, é melhor desfazer.
Desapego é o nome. E o sonho de consumo de muitos. Um botão que simplesmente nos desprenda de um sorriso e da voz mais tentadora do mundo. A receita pro sucesso da vida, o remédio pros buracos adquiridos pelo coração. Quem não quer? Jogar fora o que não serve. Apagar o que não faz mais sentido. Deixar pra lá o que tem mesmo de ficar é no passado. Caminhar sem sombra dos antigos passos ao lado. Sem saudade deles. Sem vontade de tê-los de volta.
Não apenas não ligar, como não atender caso o telefone venha a tocar. Não querer saber da vida do outro por estar ocupado demais vivendo feliz a sua própria. Não querer atingir por não ser mais de interesse. E deixar de ser o alvo fácil dos domingos de solidão, quando o futebol não preenche e os amigos estão ocupados demais pra uma cervejinha. Dizer "NÃO!" e ser de verdade, com voz firme e convicção única. Sem arrependimento algum, sem esperar que esse comportamento gere uma nova oportunidade.
Tratar de ser feliz de dentro pra fora, e não o contrário. Feliz de não sofrer pelo celular que não toca. Feliz por não sentir ciúme, medo, culpa. Feliz por não ver a vida girar em torno de uma outra, que não tem a mínima vontade de correr ao lado. Qualquer desprendimento que seja capaz de nos permitir sentir inteiras e não mais essa metade carente, que precisa demais do outro. Tratar de ser feliz por sentir o desapego de fato, sem essa de viver tentando mascarar sentimento. Sem morte à cada check-in do cara na balada. Sem publicações no facebook que, de tão diretas, dispensam marcação.
O difícil é lidar com o fato de que desapego, infelizmente, só vem com o tempo. Desapego não se impõe, ele meio que brota. Antes mesmo que a gente perceba, lá esta ele, tornando tudo mais fácil. Junto das ligações que não chegam, vai ficando a lembrança da voz. Junto das promessas não cumpridas fica a memória da confiança quebrada. De tanto sentir, tornar banal o ciúme. Que deixa de incomodar conforme a gente percebe ser infundado: Ciúme é medo de perder, mas não se perde o que não se tem.
E embora cada detalhe pelo caminho continue doendo até que o desapego venha, a gente sabe intimamente que não doerá mais. Um dia. Próxima semana talvez. Quando o apego a qualquer outra coisa preencher o vazio da mente que o desapego ao passado deixou. E bem sabemos que tem gente que se apega até a dor. Então que fique claro: Não é só amor que se cura com outro não. Dor também!
Desapego é o nome. E o sonho de consumo de muitos. Um botão que simplesmente nos desprenda de um sorriso e da voz mais tentadora do mundo. A receita pro sucesso da vida, o remédio pros buracos adquiridos pelo coração. Quem não quer? Jogar fora o que não serve. Apagar o que não faz mais sentido. Deixar pra lá o que tem mesmo de ficar é no passado. Caminhar sem sombra dos antigos passos ao lado. Sem saudade deles. Sem vontade de tê-los de volta.
Não apenas não ligar, como não atender caso o telefone venha a tocar. Não querer saber da vida do outro por estar ocupado demais vivendo feliz a sua própria. Não querer atingir por não ser mais de interesse. E deixar de ser o alvo fácil dos domingos de solidão, quando o futebol não preenche e os amigos estão ocupados demais pra uma cervejinha. Dizer "NÃO!" e ser de verdade, com voz firme e convicção única. Sem arrependimento algum, sem esperar que esse comportamento gere uma nova oportunidade.
Tratar de ser feliz de dentro pra fora, e não o contrário. Feliz de não sofrer pelo celular que não toca. Feliz por não sentir ciúme, medo, culpa. Feliz por não ver a vida girar em torno de uma outra, que não tem a mínima vontade de correr ao lado. Qualquer desprendimento que seja capaz de nos permitir sentir inteiras e não mais essa metade carente, que precisa demais do outro. Tratar de ser feliz por sentir o desapego de fato, sem essa de viver tentando mascarar sentimento. Sem morte à cada check-in do cara na balada. Sem publicações no facebook que, de tão diretas, dispensam marcação.
O difícil é lidar com o fato de que desapego, infelizmente, só vem com o tempo. Desapego não se impõe, ele meio que brota. Antes mesmo que a gente perceba, lá esta ele, tornando tudo mais fácil. Junto das ligações que não chegam, vai ficando a lembrança da voz. Junto das promessas não cumpridas fica a memória da confiança quebrada. De tanto sentir, tornar banal o ciúme. Que deixa de incomodar conforme a gente percebe ser infundado: Ciúme é medo de perder, mas não se perde o que não se tem.
E embora cada detalhe pelo caminho continue doendo até que o desapego venha, a gente sabe intimamente que não doerá mais. Um dia. Próxima semana talvez. Quando o apego a qualquer outra coisa preencher o vazio da mente que o desapego ao passado deixou. E bem sabemos que tem gente que se apega até a dor. Então que fique claro: Não é só amor que se cura com outro não. Dor também!
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Vai dar certo
26 de junho de 2012
♥
Eu perdi tanto tempo procurando certezas que quase não me dou conta do quanto arriscar poderia fazer bem. Não há certeza pronta, acabei aprendendo. Qualquer coisa que venha a ser sólida, teve de ser só plano em algum momento. Demorei demais pra entender a coisa mais simples: Pra chegar a ter certeza, tem que ter, antes de tudo, entrega.
Endureci tanto que me fechei para as possibilidades. Sempre tentando perceber além do que os olhos conseguiam ver. Um medo imenso de fazer a escolha errada, então me mantive sem fazer escolha alguma. Simplesmente alheia às tentativas. Não tentei nada, à não ser me manter distante de qualquer coisa que desencadeasse algum desequilíbrio. Fiz tudo errado.
Desequilíbrio as vezes é bom. Diria muito bom! O frio na barriga durante a espera pela ligação, sabe? Passei tempo demais olhando pro celular com desprezo e dois dedos de raiva de mim mesma. Sempre me perguntando porque insistia em passar meu número se nunca queria realmente atender as ligações. E agora, depois de meses de apatia, que saudade de olhar pro celular com olhos de quem faz uma prece silenciosa de "Toque, por favor. E que seja ele, que seja ele!".
Meti na minha cabeça que simplesmente adivinharia quando fosse a pessoa certa. Me enganei feio, admito. E me pergunto hoje quantas pessoas 'certas' deixei passar por simplesmente não suar frio ao dar o primeiro beijo. Como se alguma vez na vida os amores dramáticas tivessem dado certo pra mim!
No fim das contas acabo admitindo que inventei essa desculpa pra fechar todas as portas e não me sentir culpada por isso.
Mas agora já era. Tô nem aí. Me lixando! Que eu quebre a cara uma vez mais... Quem sabe até dez. Quero é me sentir viva outra vez. Quero me ver vivendo sem medo, sem essa preocupação boba sobre o que pode, ou não, dar certo. Tenho que reaprender o que é construir desejos e entrega. Tenho que desejar alguém no dia seguinte e me entregar todas as vezes que for beijada. Tenho que voltar a ser eu mesma. Com ligações, carinhos, mimos e nhem nhem nhem's que sempre foram a minha cara e eu fiz questão de deixar guardados numa gaveta por achar que não era mais hora de ser eu. Tô com saudade de mim. Da minha vontade de viver. Do meu jeito impulsivo de tornar tudo mais bonito. Do "SIM" sempre pronto. De fazer ser pra mim. Não lembro do momento em que decidi mudar, mas queria muito poder voltar no tempo.
Quero paixões fáceis outra vez. Todo o drama das mensagens sem respostas. Que saudade gigante de ouvir uma música e associar imediatamente a alguém, me perguntando se essa pessoa também pensa em mim. No fim das contas é esse o meu equilíbrio. É essa a minha forma de ser certa e inteira. E me quero de volta, de um jeito ou de outro. Com todos os exageros e chantagens emocionais. Com os mesmos olhos de esperança e sorriso de quem não quer mais perder tempo. É hora de me reencontrar. E então, quem sabe, encontrar alguém.
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1 de junho de 2012
Andei me desfazendo de algumas coisas. Algumas crenças. Muitos dos sonhos. Isso tudo sem muita escolha. Depois que o tempo decidi lutar contra a gente, não há muito o que se possa fazer. A gente vai apertando os afazeres em meio à correria do maior vilão, deixando que os espaços sejam preenchidos por realidade. Utopias acabam por requerer esforço demais. A gente acaba se entregando.
Sei que eu disse que não desistiria. Eu achei mesmo que seria capaz. Nunca menti quando disse achar que a gente pode tudo qualquer-coisa-que-quiser. As vezes ainda penso assim, mas são momentos raros. Nos demais, que é quase sempre, tenho que me conformar com o fato de que não posso ser duas e, única que sou, não posso me dar ao luxo de perder tempo imaginando a casa de cerca branca que não cabe mais aos dias atuais. A consequência dos sonhos é o que sou hoje: Traços cansados e fé em muita pouca coisa.
Sei que você vai dizer que essa menina é boba. E talvez seja. Mas sonhar com três filhos correndo pela casa só fez com que as possibilidades, aos poucos, sumissem. E casar aos 22 acabou se adiando. Quem sabe aos 25. Muito provavelmente aos 30. Isso se casar, já que acabou descobrindo que a solidão nem é tão maléfica quanto os outros pregam. Perdeu a conta de quanta vezes a solidão foi necessária e agora já não duvida que acabe se tornando a mais fiel das amigas. Talvez seja essa a melhor das opções, que à essa altura, não são tantas.
Endurecer não me fez mal. Muito pelo contrário. É bom saber o quanto a gente é capaz de suportar. E o caos que as pessoas fizeram por aqui, mais que qualquer coisa, fez muito bem pra mim. É bom saber do que as pessoas são capazes, mesmo que elas sejam sempre capazes de mais. Já não há mais tanta expectativa, o que gera muito menos frustração. Diferente do que dizem, não sou tão diferente do que era antes. Talvez um pouco mais que o que as pessoas julgavam ser possível. Quando por pura obra delas acabei chegando aqui: Um pouco longe de onde eu sonhava chegar, mas bem perto do que chamam realidade. Ser normal, pelo visto, não é tão ruim assim. Talvez eu até me acostume.
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