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14 de maio de 2015

Depois


E então você voltou, como secretamente desejei durante todos os últimos meses.
Eu queria mesmo que você voltasse. Eu neguei, é claro. Menti incontáveis vezes sobre o quanto eu já nem lembrava mais de você. 
No fundo, naquele lugar onde ninguém pode ver, haviam muitos minutos de espera destinados a você.

Teoricamente, seria épico. Você sabe: alguns milhares de pedidos de perdão (seus), muitas lágrimas (nossas), (meu) orgulho refeito e um "Adeus!" - cheio do amor próprio que eu passei meses ensaiando. Seria digno de uma cena de novela. Você o vilão e eu mocinha que deu a volta por cima. Tudo sob controle. Sem espaço para meios recados.

Deu tudo errado, é claro.

As mãos tremeram, os olhos marearam. Era você de novo - carne, ossos e todas as mentiras. 
Era você e o seu toque, a sua voz, o seu abraço. 
Era você e o que nós fomos, tudo o que se perdeu e as coisas que não vivemos. 
Era você e a minha falta de ar, de tempo e de medo. 
Era você e eu, vivendo o nós de novo.

E até que o dia seguinte chegasse e eu pudesse contabilizar o estrago, só queria aproveitar. Só queria o faz de conta, o tempo que parou.
E senti então a sensação de estar desarmada por completo mais uma vez. Me senti apaixonada e perdida. Meio louca, meio arrependida e cheia de coragem. Me senti a pessoa mais forte do mundo quando, naturalmente, todo o meu orgulho perdeu completamente o sentido.
Fui o de sempre: com você, eu mesma. E amei você em cada detalhe de cada segundo da nossa infinita e breve noite.

Já com todos os meus cacos recolhidos, você me olhando como quem se perdeu pelo caminho, era novo dia, hora do beijo de adeus. E então partimos, pela primeira vez juntos, cada um para o seu lado. Eu não saí da sua vida. Você não me deixou. Partimos, como tinha de ser, cada um para o seu mundo, sem culpa ou receio. Era hora de voltar a viver.

E a realidade agora é mais bonita, sem toda aquela necessidade de provar algo pro mundo. Nós ainda queimamos um ao outro como fogo e gasolina, mas agora conhecemos bem demais os nossos limites para esperar por um depois. 
O nosso reencontro, casual e inesperado, é o nosso depois. 
Depois da bagunça, dos dramas, do tempo necessário para dizer adeus sem machucar ninguém...

Posso agora admitir que talvez eu jamais tenha como normal a tua presença, nossos corpos próximos um do outro. 
Sem toque, só saudade.
Nossos olhares sempre nos denunciarão. Há sempre algo capaz dessas denúncias.
Mas bem, agora sabemos, o "depois" é mesmo bonito. 
E é quente, de tirar o fôlego e manter na memória. Mas não passa disso. 
Talvez nós combinemos mais com reticências que com ponto final...

Não há nada a ser esperado, nem desesperado, afinal. 
O nosso depois não tem hora marcada, não tem data de chegada, não tem razão. 
Só você e eu, uma saudade não se sabe de quê, corpos que se entregam e a certeza de que tudo acabará exatamente como sempre esteve desde que não somos mais um "nós": completamente bem.

21 de novembro de 2012

Mais alguns segundos.



Aqui estamos nós onde eu nunca quis que chegássemos: uma infinidade de pequenas coisas entre eu e você. Cada vez mais distantes, quando tudo que eu queria era continuar cabendo em teu abraço. E você me olha como quem pede pra que eu dê conta enquanto bate a porta rindo sem saber ao certo que horas vai voltar.

Você que me deu o mundo em um sorriso e encheu de esperanças esse coração desnorteado. Te vi como o melhor caminho e decidi seguir sem medo. Quando dei por mim era muito tarde pra voltar a andar sozinha, não parecia justo comigo. Mas também deixou de parecer justo com você, já cansado de tamanha responsabilidade e vontade imensa de voltar ao que sempre fora: liberdade em sua plenitude, um infinito de possibilidades. Foi isso em você que me apaixonou e me ganhou pra sempre. É isso em você que vai fazer eu te perder.

Sei que venho sendo egoísta, prolongando o fim por achar que mereço um recomeço. Sei que deveria ser uma daquelas mulheres bem resolvidas que te deixaria partir numa boa e encontraria uma forma de dar a volta por cima. Talvez numa próxima vida eu venha assim. Talvez ainda nessa eu aprenda a ser assim. Mas não com você. Não deixando acabar esse fiozinho de amor que ainda existe entre a gente.

Bem sei que no fundo você aprova minha atitude. Sei que você vê o quanto me esforço e sorri consigo mesmo desse meu jeito meio torto de tentar te fazer feliz. Talvez por acreditar em mim mais que eu mesma é que continue aqui. Suportando o vazio imenso que existe entre os momentos de confidências e a maioria dos outros, quando o silêncio quase arranca as esperanças que me restam. 

Sei que se pudesse escolher que vontade sentir, ia querer ficar. Tenho certeza disso. Mas assim como é mais forte que eu isso de te querer aqui, é mais forte que você a necessidade de partir. E vejo nitidamente o esforço que faz para estar nos dois mundos. Eu, apaixonada que sou, acabei aceitando ter tua menor parte, ter teu menor tempo. E continuar fingindo que não noto as ausências, os silêncios e as perfeitas desculpas.

Desculpa errar tanto ao tentar acertar. Desculpa precisar tanto de você. Alguma coisa aqui dentro escolheu você de um jeito que não é justo com nenhum de nós dois. Eu sinto como se fosse a única no mundo que merece esse teu jeito doce, teus olhos claros e as promessas bonitas que você faz. Sinto como se fosse um direito meu te fazer feliz e ser feliz em troca. Parece louco, admito. E talvez com o tempo eu vá aprendendo a viver sem você. Mas agora é tão mais fácil te ter por perto, dormir contigo, acordar sorrindo aliviada nos teus braços. Até o mais difícil dos mundos ainda parece de alguma forma fácil se você vem junto.

5 de julho de 2012

Pronta pra você.



É pra mim que você vai voltar. A gente sabe. Pela segurança, pela certeza, por amor. Mesmo quando o dia seguinte não representa medo algum, você ainda espera que eu esteja lá. Trazendo a paz que você não encontra em nenhum outro lugar. Pronta para te receber.


Eu não te culpo. As noites ausente, os erros diários, a necessidade de ser livre. Nada me parece absurdo ou digno de representar uma real culpa. Você não sabe lidar com segurança. Não sabe o que fazer com nada que represente constância. Você não está pronto pro que der e vier, se o que der e vier tiver de ser descoberto com um porto seguro ao lado. Pra você a presença presume ausência. E você morre de medo de uma certeza acabar.


Mas a gente sabe que isso, cedo ou tarde, vai passar. A vida exige doses de segurança, alguma coisa que não tenha prazo de validade mesmo que não precise ser assim. E eu sei bem pra onde você vai correr, como você também sabe, mesmo sem querer admitir isso. E essa sua relutância só torna minha certeza mais plausível. Você foge das verdades mesmo sabendo que não pode escapar.


Não se preocupe, não tenho pressa. Cada dia de cada vez, tenho aprendido. E sei bem que, quando for hora, você acabará voltando. E virá inteiro, porque  se tem algo que tu sabes ser é inteiro. Por isso não me avexo, nem digo que será tarde. Do lado de cá também vivo meus romances, encontro amores coadjuvantes, loto a mala de boas histórias pra contar. Não me apego, como prometido. Mas não me anulo, é claro. Todos precisamos de doses de paixão pra ir sobrevivendo enquanto o amor não chega e dura, como tem de ser.


Nosso acordo e seu medo são segredos que mantenho bem guardados, não se preocupe. E não lhe cobrarei ciúmes do passado, qualquer coisa que poderia ter sido e não foi. Nesse nosso acordo não cabe frustrações. Cabe apenas você na madrugada, querendo colo como quem volta a ser criança. Você querendo descansar ao meu lado, quando já viu de quase tudo. E o que te falta ver, o que você ainda não conhece, do que você ainda não sabe... Tudo isso sou eu quem vai te mostrar, porque é a beleza que só o amor nos permite ver. E amor desses que desvendam o mundo, a gente sabe bem, é só em mim que você procura. É só em mim que você consegue encontrar.

26 de junho de 2012


Eu perdi tanto tempo procurando certezas que quase não me dou conta do quanto arriscar poderia fazer bem. Não há certeza pronta, acabei aprendendo. Qualquer coisa que venha a ser sólida, teve de ser só plano em algum momento. Demorei demais pra entender a coisa mais simples: Pra chegar a ter certeza, tem que ter, antes de tudo,  entrega.
Endureci tanto que me fechei para as possibilidades. Sempre tentando perceber além do que os olhos conseguiam ver. Um medo imenso de fazer a escolha errada, então me mantive sem fazer escolha alguma. Simplesmente alheia às tentativas. Não tentei nada, à não ser me manter distante de qualquer coisa que desencadeasse algum desequilíbrio. Fiz tudo errado.

Desequilíbrio as vezes é bom. Diria muito bom! O frio na barriga durante a espera pela ligação, sabe? Passei tempo demais olhando pro celular com desprezo e dois dedos de raiva de mim mesma. Sempre me perguntando porque insistia em passar meu número se nunca queria realmente atender as ligações. E agora, depois de meses de apatia, que saudade de olhar pro celular com olhos de quem faz uma prece silenciosa de "Toque, por favor. E que seja ele, que seja ele!".

Meti na minha cabeça que simplesmente adivinharia quando fosse a pessoa certa. Me enganei feio, admito. E me pergunto hoje quantas pessoas 'certas' deixei passar por simplesmente não suar frio ao dar o primeiro beijo. Como se alguma vez na vida os amores dramáticas tivessem dado certo pra mim!
No fim das contas acabo admitindo que inventei essa desculpa pra fechar todas as portas e não me sentir culpada por isso.

Mas agora já era. Tô nem aí. Me lixando! Que eu quebre a cara uma vez mais... Quem sabe até dez. Quero é me sentir viva outra vez. Quero me ver vivendo sem medo, sem essa preocupação boba sobre o que pode, ou não, dar certo. Tenho que reaprender o que é construir desejos e entrega. Tenho que desejar alguém no dia seguinte e me entregar todas as vezes que for beijada. Tenho que voltar a ser eu mesma. Com ligações, carinhos, mimos e nhem nhem nhem's que sempre foram a minha cara e eu fiz questão de deixar guardados numa gaveta por achar que não era mais hora de ser eu. Tô com saudade de mim. Da minha vontade de viver. Do meu jeito impulsivo de tornar tudo mais bonito. Do "SIM" sempre pronto. De fazer ser pra mim. Não lembro do momento em que decidi mudar, mas queria muito poder voltar no tempo.

Quero paixões fáceis outra vez. Todo o drama das mensagens sem respostas. Que saudade gigante de ouvir uma música e associar imediatamente a alguém, me perguntando se essa pessoa também pensa em mim. No fim das contas é esse o meu equilíbrio. É essa a minha forma de ser certa e inteira. E me quero de volta, de um jeito ou de outro. Com todos os exageros e chantagens emocionais. Com os mesmos olhos de esperança e sorriso de quem não quer mais perder tempo. É hora de me reencontrar. E então, quem sabe, encontrar alguém.

7 de dezembro de 2011

Potes de Intensidade.

Temos um problema chamado intensidade. Um problema meu e dele. Na verdade mais meu que dele, mas digo ser nosso por ser intensa e achar mais bonito dizer assim. Preciso dizer mais?
Alguém, por favor, me ensina a controlar essa mania de ser eu mesma demais. De calar quando eu deveria falar e, ao ser necessário uma palavra, fazer sempre o contrário. Acho que sou a pessoa mais torta que eu conheço e, também, a mais intensa nisso de fazer tudo torto.
O fato é que de apego eu ando meio por fora. Meses inteiros ensaiando relacionamentos e dando fim aos inícios todas as vezes que me via transparecendo sentimentos. Não sei mais dirigir a coisa. Onde é que está o freio disso? De uma hora pra outra eu vi a coisa toda ficar enorme, bastou eu me permitir. No momento em que pensei "Vou deixar acontecer" a coisa já havia acontecido e só cresceu de lá até aqui. Ficou maior que eu e vem causando alguns estragos. E sim, eu já puxei minha orelha, mas não resolveu.
Eu tenho vontade de ligar o tempo inteiro. E de dar colo. E de pedir de carinho. De andar de mãos dadas, trocar mensagens, dizer que sinto saudades. Exatamente todas essas coisinhas que a gente faz quando está apaixonada, num descontrole total e sem regras nenhuma.
Passei muito tempo me controlando, sabe? Ligações contadas, mensagens bem planejadas, conversas decididas. Tudo quase que ensaiado, sem muita expectativa. Passei tempo demais tendo a coisa toda sob controle, tanto tempo que acabei desacostumando. É meio aquele lance de superlotar a mala e, ao abri-la, ver tudo pular de dentro com uma urgência anormal. Meus sentimentos andam urgentes demais.
E então eu começo a me sentir com quinze anos e vivendo a primeira paixão, quando está tudo errado porque meus vinte e poucos não somam apenas anos, como também uma quantidade enorme de namoros e paixões frustradas. Eu já devia ter aprendido a não fazer essa coisa errada de sair despejando sentimento sobre os outros e declarando uma paixão que pode vir  a nem ser paixão ainda. Intensidade é confuso, eu quase enlouqueço.
E saber que eu sou assim me mete medo. Medo de não dar conta se a coisa se desdobrar de forma diferente da que eu espero. Fora o medo de colocar sentimento demais onde nada existe. Tenho vontade de saber como controlar, tanto a euforia quanto as coisas que começam a crescer aqui do nada e precisam ser colocadas para fora. Queria alguém que me falasse como agir, me ensinasse como voltar a ser tudo que vim sendo por tanto tempo e desaprendi do nada.
Tenho medo de que ele não entenda afinal, que culpa ele tem se as pessoas que conheci não me encantaram o suficiente? Não tem obrigação nenhuma de agüentar meus surtos de expectativa desmedida quando a gente ainda nem começou direito o que, na minha cabeça, pode vir a ser uma bonita história. Se eu não estragar tudo. Se ele não fugir com medo.
E ainda assim tenho um medo ainda maior de interpretar um papel e ver ele se apaixonar por alguém que não sou eu. Mas o que fazer agora? Mudar da noite pro dia é coisa de novela e a vida aqui é bem real, infelizmente. E se eu for eu mesma e vir ele se afastar vai doer... Se eu fingir e vir ele se apaixonar, também vai doer. Intensidade é um daqueles lances que podem estragar tudo e, de repente, depois de vidas inteiras sendo intensa em saber o que fazer me vejo intensa em não saber o que escolher fazer, por querer com toda intensidade algo grande e saber que o resultado disso pode vir a ser nada. Alguma psicóloga disponível?

26 de novembro de 2011

Se acertando com os erros.



Você sabe que eu nunca digo adeus de verdade. Mesmo quando eu bato a porta com força e saio gritando que nunca mais, não é nunca mais. É só até eu contar os dedos das minhas mãos umas mil vezes, até criar coragem pra olhar dentro delas e percebê-las vazias. Você não é meu, mas sempre que admito isso pra mim mesma acabo voltando atrás, abro a porta outra vez e me vejo querendo conquistar qualquer coisa em você que te faça ficar mais um pouquinho.
Quase ninguém entende. Eu nunca gostei de fazer muito sentido. Você com seu ciúme e orgulho desmedido fazem qualquer coisa acontecer em mim e eu perco o controle. Vamos brigar pra ver quem terá que levantar e desligar a tv. Vamos brigar também quando eu disser que detesto a forma como você quer que eu adivinhe seus pensamentos. No fundo, quando brigamos por isso, tenho vontade de brigar é comigo mesma, porque eu realmente deveria ter esse dom ou qualquer outro que não me deixasse cometer um erro bobo. Queria nunca errar com você. Mas você sabe, não controlo minhas verdades e lá vamos nós brigar de novo.
Você gosta de brigar que eu sei. Gosta de me ver pedir desculpas. Gosta de me ver com ciúmes. Tem uma necessidade enorme de ver que não está sentindo sozinho. E eu entro na dança, porque nós acabamos sempre nos resolvendo, com somas que não batem e, ainda assim, são suficientes.
Em outros tempos eu te abandonaria. E se fosse qualquer amiga me contando nossa história, eu diria pra ela cair fora e te deixar pra lá. Você tem esse jeito que não muda e que eu detesto, mas me encanta. E todas as nossas reviravoltas parecem coisa de novela, mas eu gosto. E você não acredita quando eu digo que posso mudar porque sabe bem quando eu estou mentindo. E eu sempre sorrio quando você diz que não é chato porque sei bem o quanto você detesta admitir seus defeitos.
E ainda há que diga que não existe destino. Onde é no mundo que nossos mundos se cruzariam? Você na sua, calado e contido. Sempre olhos calmos e distantes. Eu e minha euforia, braços para todos os lados e redes sociais abarrotadas de gente. Somos o tal dos opostos que se atraíram pelo encanto de conhecer o desconhecido. E não há quem me convença de que sem a ajuda do destino eu poderia ter entrado na sua vida e você acampado na minha. Destino virou meu melhor amigo desde então. Mesmo que às vezes eu saia de perto de você para não falar palavras feias e odeie a forma como você sabe que eu sempre acabo voltando com olhos que transparecem arrependimento.
Detesto todas as coisas que você faz comigo e eu acabo perdoando. Me detesto várias vezes por perdoar todas as coisas que você faz comigo. Mas você sabe me olhar como eu espero que um homem me olhe e, como ninguém, sabe me abraçar e me fazer pensar que tudo vai bem. E vai bem mesmo. Comigo ao seu lado, mesmo em guerra, vai tudo na mais santa paz. Sem calmaria nenhuma, mas com a brisa fresca que os amores verdadeiros fazem a gente sentir e ter certeza que será para sempre, mesmo com alguns finais pelo caminho.

16 de novembro de 2011

Modernidade.

Eis o pior status de relacionamento: Solidão à dois. É, eu sei. Ele inexiste nas redes sociais. Até porque, se existisse, ninguém teria coragem pra admitir que o vive. As pessoas adoram fazer propaganda bonita dos seus relacionamentos. E talvez resida nisso o número crescente de relacionamentos que ao invés de navegar em mares bonitos, naufragam e deixam escombros terríveis na superfície.
É quando a companhia já não empolga e a presença já não preenche. Quando conversas não resolvem e abrem espaço para incansáveis brigas. Nessa hora você se vê deitado na cama sozinho contando nos dedos os motivos pra continuar com isso. Depois vai contar os para não continuar e pesar ambos, sabendo que, independente do resultado, você não vai terminar agora, quem sabe se você der só mais essa chance... Afinal, o que seus amigos vão dizer quando virem a mudança de status no facebook? E quem é que vai te buscar na faculdade? Sem contar que você já imagina as pessoas perguntando o motivo do término e a satisfação escondida nos olhos deles ao fazerem esse tipo de pergunta. Não, você não está pronta pra isso.
Opa! Para tudo. Espera um segundo. Cadê a saudade de ficar agarradinho vendo filme em dias de chuva? Cadê a saudade dos segredos trocados ao pé do ouvido enquanto os amigos conversam qualquer coisa numa mesa de bar e nem percebem que vocês estão contando as horas pra fugir de lá? Cadê a saudade de andar de mãos dadas no shopping num sábado à noite em busca do que comer durante a madrugada em que vocês não dormirão pra ficar jogando video-game?
E eis a explicação para a bendita solidão à dois: Já não se constroem relacionamentos como antigamente, quando muito mais valia os segredos à dois que as opiniões dos grupos que cercam um casal de namorados. A cumplicidade deu lugar às redes sociais, onde tudo que se divide são fotos de sorrisos bonitos, que ninguém sabe, mas na mesma noite deram lugar a uma briga feia por motivos que você nem lembra mais. Deve ter sido porque ele falou com aquela menina que ele beijou antes de começar a te namorar ou, quem sabe, porque você ficou bêbada e aproveitou a oportunidade pra dizer a ele o quanto está insatisfeita com o que vivem. Mas também, tudo bem. No dia seguinte nem parece ter acontecido e, que bom que, ninguém ficou sabendo.
Sinto falta de quando as bases dos namoros eram mais sólidas. De quando os namoros não terminavam por ser difícil ficar sem a outra pessoa, e não por ser difícil explicar os motivos do término à quem nem interessa saber. Talvez eu seja mesmo o tal do último romântico, mas se isso se der por eu querer alguém que fique comigo por me achar especial o suficiente pra me querer sempre por perto... Ah, desculpa, vou ser esse cara pra sempre.
No fim das contas estar solteira nem parece tão ruim quando se pensa nas opções, porque antes sozinha e em paz comigo e meus filmes num domingo tedioso, que ao lado de alguém com quem eu só continuo por ter vergonha de admitir que eu fracassei. Me desculpem os fracos, mas não dá pra viver de aparências para sempre e é triste pensar que, nesse andar da carruagem, vocês perdem as oportunidades de viver um amor verdadeiro, baseado em amizade e alheio às opiniões de terceiros.

28 de outubro de 2011

Desse teu encanto.


"Ah meu bem, que bem você me faz e já tanto faz a opinião de outro alguém.
Você me tira do sério como ninguém consegue, falando coisas no meu ouvido e por vezes agindo de uma forma que me fere.
E nós ficamos loucos da loucura que você me faz. É bom demais. Não tem porquê parar.
Homem meu, eu te pertenço. Usei a fita mais bonita e fiz uma laço, eu e você unidos...  Virou nó bonito, não dá pra desatar. 
E qualquer besteira que me falem eu rio, às vezes até acredito... Mas basta sentir teu corpo abraçando o meu que a razão me foge. E quem é mesmo que pode resistir ao abraço teu?
Talvez eu seja sim um pouco boba, mas é que o gosto da tua boca... Como é que eu digo isso? Não sei, não dá pra viver sem. 
E sei que estou correndo perigo, amar assim um amante amigo, como quem não sabe dos defeitos que ele tem. 
Mas quem é que vai dizer que estou errada se, na madruga, é por você que eu perco o sono? 
Ninguém tem culpa não, é só essa coisa louca que chamam de paixão. Essa mágica que vejo em ti e que meus olhos não cansam de admirar. 
E eu te beijo a nuca, você me toca o corpo... Já quase não sei como respirar.
Não quero nenhuma explicação. Basta a canção que você me cantou ontem. 
E isso que me dizem é coisa pouca, deixa eu me fazer de louca, desde que, da tua loucura, eu não tenha que abrir mão."

27 de abril de 2011

O pior do bom moço

Com os olhos cheios de emoção, olhos mesmos que um dia fizeram amor comigo numa esquina dessas da vida, disse-me que passou. Não que estava acabando, não que as coisas mudaram, não que tivesse jeito. Passou! E como quem acha que amor é quase nada me recomendou um band-aid, dizendo que tudo sara e logo nova eu seria. 
Da dor? Da dor o que tem pra ser dito é que foi grande. Não dessas em que não se dorme a noite ou nas quais se perde a fome, mas dessas que preenchem vazio com saudade do que não se teve, dessas que te acordam numa madrugada de terça-feira e repetem baixinho no teu ouvido que tá doendo e não tem jeito e que não importa se você voltar a dormir, quando acordar ela estará ali, ainda maior, esperando pra te lembrar que vai continuar doendo quando tocar uma música de Caetano no rádio e que, só pra te contradizer das coisas lindas que costumas pregar, fará questão de te doer com as lembranças de um final feliz que você não teve.
Mas veja só que graça, ele era um bom moço e fazia amor do bom. Ele tinha uma voz amável e os olhos tinham emoção, tinham sim. Donde se tira emoção pra dizer que passou? Porque olha, tirar emoção da dor dos outros já é então maldade demais. E foi o que ele fez, foi exactamente o que ele fez: Emocionava-se ao me ver ali, chorosa. E não que aquilo fosse dessas emoções penosas, não. A emoção era das boas, dessas que a gente gosta de sentir pra saber que está vivo, dessas que um pouco mais e enchem os olhos d'água. E sem exageros, o moço quase chora. E quase chorando me recomendou um band-aid, vê se pode, como se dor no coração fosse coisa que a gente sopra e passa, como se a minha dor fosse pouco caso, arranhão superficial. Esse moço só podia então estar de brincadeira.
O caso é que não estava, ele falava sério, tão sério quanto em todas as vezes que disse me amar, tão sério quanto em todas as vezes que me quis ao seu lado num cinema aos sábados ou num barzinho dividindo sorrisos. A seriedade do moço continuava a mesma e isso me dilacerava por dentro porque fora essa mesma seriedade que me arrancou suspiros, ou você acha que é fácil não se apaixonar por um cara que te guarda do resto do mundo? Um cara bom moço que te trata bem e tem poder suficiente pra te guardar dos perigos da vida enquanto você nem sabe, mas o maior perigo da vida é ele. Era demais num ser só, era encanto demais pra eu resistir.
E me recomendando um band-aid ele se foi, olhos cheios de emoção e emoção real nenhuma, nenhuma emoção que o fizesse mudar de ideia. Foi embora e não voltou, me deixou todas essas noites agarradas a um celular que não tocou e à espera por uma visita que não veio e nem seu paradeiro eu sei mais, sumiu feito pó. E olha ele é alto, é forte, tem sorriso doce e olhos de emoção. O bom moço te abraça e te guarda como nunca antes outro fora capaz, o bom moço te fala com uma voz doce no ouvido e anda todo prosa de mãos dadas com você na rua e é por isso que te escrevo, te escrevo para que não caias. Te escrevo para que reconheças o bom moço, para que não deixes que ele te engane, que esse olhar de emoção é pura cena de novela barata, que esse abraço que te guarda na verdade te joga num abismo sem fim. Escrevo e descrevo o bom moço para que saibas que o que ele tem pra te oferecer é recomendações de um band-aid, algumas noites de prazer e um coração repleto de buracos no fim de uma história sem final feliz. Então moça que me lê, entendas, de bom moço ele não tem nada, só essa cara deslavada e porte de super homem e umas mãos que te seguram com força e te enlouquecem, mas é tudo ilusão, ele não é bom moço e nem vai te levar pra casa, nem mesmo vai avisar com antecedência, vai dizer que passou pra ele e bom, que passará pra você também, o que é mentira porque pra mim ainda não passou. Corre, foge, não te iludas com esses olhos e te livra do uso do band-aid porque o tenho usado e descobri ainda mais, vejam que bom moço mentiroso, band-aid até tapa, mas não sara nada.

26 de outubro de 2010

Remediado está (ou não).

Não bastassem as noites mal dormidas, agora tinha pra somar também os dias de calor profundo que passam vagamente e rancam suor, lágrima e, pra não dizer que tudo está perdido, algumas calorias.
Antes, quando o fim parecia temporário e a fé continuava inabalável, os dias não doíam tanto e, não fossem as noites em que a cama de tão gigante te devora, continuaria certa de uma volta. Mas não volta, não vem. Tem todas as lembranças num canto da alma e tem todo o medo de não conseguir superar.
Então a gente foge. Foge porque num primeiro momento a fuga é o melhor remédio. E se esconde das músicas, lembranças e de tudo o mais que volte a fazer do passado ferida presente. Vai buscando abrigo numa voz diferente, num beijo que não toca mas engana, num abraço que não sacia mas conforta. É isso, a gente foge por querer conforto.
E em conversas como essa, quando as verdades são ditas sem perceber, é impossível não falar do amanhã que nunca chega e do ontem que nunca passa. A gente fica aqui, parado no tempo, enquanto a vida segue e a gente não sabe se vai conseguir. Não sabe por saber do quanto a falta ainda machuca e de como fica cada dia mais difícil ouvir aquela música que não tem tua voz, mas diz exatamente o que você não tem forças pra dizer.
Vai levando essa angústia triste, vai seguindo um caminho longo, até encontrar um consolo numa companhia que nem sempre agrada, mas ao menos ilude. Aliás, em casos como esse, uma ilusão é sempre bem-vinda. E de ilusão em ilusão se percorre esse caminho sinuoso, que vai dar não se sabe onde e que, bar sim bar não, te faz soltar vez ou outra uma verdade. Verdade que não deveria, mas ao ser dita, alivia!
E vai fingindo que não se importa, porque é assim que deveria ser, mas tanto leva em conta que não sabe como esquecer e ao tentar fingir que não, só consegue deixar transparecer. As aparências não enganam. Não nesse caso. Caso que nem deveria ser contado, mas pra um alívio imediato vai virando palavras e sendo espalhado, entre copos de vidro sempre meio-cheios e textos nunca lidos. Porque pegar o telefone e falar a quem se deve é insuportável. Porque bater na porta de quem realmente interessa parece impossível. E com esse orgulho desmedido e esse medo da verdade vai levando, vivendo recomeços de mentirinha e sorrindo pra que ninguém descubra essa falsa felicidade.
Só não esqueça de esconder os olhos, ainda que não queiram, eles tendem a falar. E não mentem!