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18 de agosto de 2014
Não tão mágico assim.
Me refiz, pela milésima vez.
Mas tu nunca entenderás. E eu não te julgo. É complicado demais entender as mulheres, dizem as revistas. Mas bem sei, tu sabias como ninguém o que me fazia feliz.
Só que agora não tem mais mágica nisso. Você se foi, também pela milésima vez. E eu tive de me acostumar, embora no começo bem tivesse pensado que seria por pouco tempo. Não foi. Já fazem semanas. Parecem vidas. A saudade quase me enlouquece. E doeu muito até que não doesse mais.
No fim das contas não enlouqueci, por pouco. Ou talvez tenha enlouquecido, um pouco. Mas já não choro com a mesma facilidade da adolescência, e a falta de lágrimas me faz sentir forte. Talvez eu nem seja, mas gosto de acreditar nisso. Gosto de acreditar também que as coisas foram como tinham de ser, mesmo que no fundo eu não concorde com isso.
Tu me conheces bem, eu não imploraria. Não que eu não quisesse, mas tenho orgulho em demasia. Pelas minhas contas, mais orgulho que saudade. E não compensa, sempre soube, mas serve de consolo não ter me agarrado a você ao ver suas costas. Serve de consolo que você tenha levado tudo de mim, menos o orgulho. Foi o que restou para que eu reconstruisse meu castelo. Solitário talvez, mas seguro o suficiente para não desmoronar com o som da sua voz.
E meu bem, saibas que as músicas ainda falam de nós, só que agora tem tanta melancolia que perderam a graça. E eu não sei o que fizestes para se livrar do que ficou de mim nos seus espaços, mas torço para que tenha sido menos dolorido que o que foi pra mim. Tu ainda és o vilão dessa história, não te tirarias esse papel por nada, mas eu não aguentaria saber que a tristeza te acompanha. Saudade sim, te deixo sentir, e dela até chorar. Mas tristeza não é o que quero que fique de mim. Pelo contrário, quero que minhas lembranças virem sorrisos e deles tu queiras sempre mais.
E não, eu não vou voltar. Não mais. Nunca mais. Mas seria bonito te ver implorar, ao menos uma vez. Não que eu seja mal, nunca fui e tu bem sabes. Mas tu me deves muito. E implorar não pagará, mas deixará ainda mais forte o meu castelo de orgulho. Te convido pra um chá se você quiser, mas não garanto que não te servirei veneno. Do teu, é claro, afinal: o que não te mata, te fortalece.
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7 de agosto de 2014
Stronger than yesterday
Ainda sou boa.
Ainda sou menina.
Mas a armadura agora, perceba, está bem polida.
E o coração, depois de tanto se doar, está pronto para receber.
Eu ainda sei amar, não se engane.
Só que dessa vez comecei por mim.
E desculpa, não sei informar em qual posição da fila você está.
Não. Não entenda mal. Você ainda é o único, mas de alguma forma isso já não é mais tão importante.
E pra me cuidar precisei reposicionar as prioridades.
E pra me cuidar precisei reposicionar as prioridades.
Se cuida você também.
Só não te empresto minha força porque ela tem sido a melhor coisa que eu já experimentei.
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22 de janeiro de 2013
Loser!
De repente a gente se vê gente grande. Paciência pouca pra algumas pessoas. Tempo zero para determinadas situações. E olha pra trás sem entender algumas atitudes, sem acreditar no que foi capaz de fazer e aceitar. Sente que alguma coisa mudou. Não da maneira fácil que torcíamos para que acontecesse. Não tão rápido quanto desejamos que fosse. Mas mudou pra melhor. E aconteceu exatamente quando tinha de acontecer.
Você me perdeu. Tão óbvio quanto a sua falta de maturidade para lidar com isso. Tanto fez, e outras tantas vezes não fez nada, que conseguiu me perder. Eu que sonhei com você noites inteiras e me esforcei da forma mais bonita pra entender absurdos que simplesmente não devem ser entendidos. Eu que te ouvia quando os amigos sumiam e te fazia companhia quando a vida ficava chata. Você perdeu sua melhor válvula de escape, a maior certeza, o amor mais sincero. E certamente ainda não se deu conta disso, sempre lerdo demais quando o assunto não é você mesmo.
Deve tá achando que é armadilha pra te ter outra vez. Seu ego se recusa a acreditar no que sua lenta cabeça já começa a perceber. Deve achar que sofro quando você liga dez vezes e eu insisto em não atender. Se engana tentando acreditar em desculpas que antes eu criava pra sua ausência sempre presente. E certamente inventa desculpas patéticas pra dar pros amigos também patéticos quando perguntam da idiota que finalmente largou do teu pé.
Você perdeu tudo. O coração bonito que entreguei nas tuas mãos, as expectativas bonitas de se ver, a confiança desmedida. Você perdeu tudo e só não se perdeu pelo caminho porque no fundo nunca nem se teve. Não se ama e nem se conhece. Precisa que os outros digam que você está bem e feliz para acreditar que realmente esteja. Triste! E ainda mais triste é o tempo que perdi com você. Te superar foi a melhor coisa que eu podia ter feito por mim mesma.
A falta que você não me faz, sei bem, vai ser sentida desse lado ai. Quando faltar alguém pra te dar carinho mesmo sem você merecer e quando uma outra, com tão pouco sentimento quanto você, tiver apenas seus poucos farelos para te oferecer. Você vai lembrar com saudade da boba aqui, sempre tão compreensiva e disposta a te esperar. Vai chorar de verdade, não como quando o faz pra pousar de vítima. Vai chorar de saudade, de arrependimento, de solidão.
E só pra eu não parecer de todo o mal, vou te contar um segredo: Você anda longe de ser o que pensa que é. E eu, perceba bem, sou bem mais que o que um dia tu vais conseguir merecer. Nem sei onde andei com a cabeça durante todo esse tempo, mas já diz o ditado mais sábio do universo: Antes tarde do que nunca!
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2 de outubro de 2012
Vida longa ao desapego!
Difícil é não querer. De verdade. Bem além do orgulho besta e da vontade de seguir em frente. Bater o pé, erguer a cabeça e apagar. Se não da memória, mas da vida. E ao invés de tentar provar isso pro mundo, apenas fazê-lo por si mesmo, por saber que não querer vai doer bem menos que continuar querendo. Por ter pra si que já não faz bem e, diante disso, é melhor desfazer.
Desapego é o nome. E o sonho de consumo de muitos. Um botão que simplesmente nos desprenda de um sorriso e da voz mais tentadora do mundo. A receita pro sucesso da vida, o remédio pros buracos adquiridos pelo coração. Quem não quer? Jogar fora o que não serve. Apagar o que não faz mais sentido. Deixar pra lá o que tem mesmo de ficar é no passado. Caminhar sem sombra dos antigos passos ao lado. Sem saudade deles. Sem vontade de tê-los de volta.
Não apenas não ligar, como não atender caso o telefone venha a tocar. Não querer saber da vida do outro por estar ocupado demais vivendo feliz a sua própria. Não querer atingir por não ser mais de interesse. E deixar de ser o alvo fácil dos domingos de solidão, quando o futebol não preenche e os amigos estão ocupados demais pra uma cervejinha. Dizer "NÃO!" e ser de verdade, com voz firme e convicção única. Sem arrependimento algum, sem esperar que esse comportamento gere uma nova oportunidade.
Tratar de ser feliz de dentro pra fora, e não o contrário. Feliz de não sofrer pelo celular que não toca. Feliz por não sentir ciúme, medo, culpa. Feliz por não ver a vida girar em torno de uma outra, que não tem a mínima vontade de correr ao lado. Qualquer desprendimento que seja capaz de nos permitir sentir inteiras e não mais essa metade carente, que precisa demais do outro. Tratar de ser feliz por sentir o desapego de fato, sem essa de viver tentando mascarar sentimento. Sem morte à cada check-in do cara na balada. Sem publicações no facebook que, de tão diretas, dispensam marcação.
O difícil é lidar com o fato de que desapego, infelizmente, só vem com o tempo. Desapego não se impõe, ele meio que brota. Antes mesmo que a gente perceba, lá esta ele, tornando tudo mais fácil. Junto das ligações que não chegam, vai ficando a lembrança da voz. Junto das promessas não cumpridas fica a memória da confiança quebrada. De tanto sentir, tornar banal o ciúme. Que deixa de incomodar conforme a gente percebe ser infundado: Ciúme é medo de perder, mas não se perde o que não se tem.
E embora cada detalhe pelo caminho continue doendo até que o desapego venha, a gente sabe intimamente que não doerá mais. Um dia. Próxima semana talvez. Quando o apego a qualquer outra coisa preencher o vazio da mente que o desapego ao passado deixou. E bem sabemos que tem gente que se apega até a dor. Então que fique claro: Não é só amor que se cura com outro não. Dor também!
Desapego é o nome. E o sonho de consumo de muitos. Um botão que simplesmente nos desprenda de um sorriso e da voz mais tentadora do mundo. A receita pro sucesso da vida, o remédio pros buracos adquiridos pelo coração. Quem não quer? Jogar fora o que não serve. Apagar o que não faz mais sentido. Deixar pra lá o que tem mesmo de ficar é no passado. Caminhar sem sombra dos antigos passos ao lado. Sem saudade deles. Sem vontade de tê-los de volta.
Não apenas não ligar, como não atender caso o telefone venha a tocar. Não querer saber da vida do outro por estar ocupado demais vivendo feliz a sua própria. Não querer atingir por não ser mais de interesse. E deixar de ser o alvo fácil dos domingos de solidão, quando o futebol não preenche e os amigos estão ocupados demais pra uma cervejinha. Dizer "NÃO!" e ser de verdade, com voz firme e convicção única. Sem arrependimento algum, sem esperar que esse comportamento gere uma nova oportunidade.
Tratar de ser feliz de dentro pra fora, e não o contrário. Feliz de não sofrer pelo celular que não toca. Feliz por não sentir ciúme, medo, culpa. Feliz por não ver a vida girar em torno de uma outra, que não tem a mínima vontade de correr ao lado. Qualquer desprendimento que seja capaz de nos permitir sentir inteiras e não mais essa metade carente, que precisa demais do outro. Tratar de ser feliz por sentir o desapego de fato, sem essa de viver tentando mascarar sentimento. Sem morte à cada check-in do cara na balada. Sem publicações no facebook que, de tão diretas, dispensam marcação.
O difícil é lidar com o fato de que desapego, infelizmente, só vem com o tempo. Desapego não se impõe, ele meio que brota. Antes mesmo que a gente perceba, lá esta ele, tornando tudo mais fácil. Junto das ligações que não chegam, vai ficando a lembrança da voz. Junto das promessas não cumpridas fica a memória da confiança quebrada. De tanto sentir, tornar banal o ciúme. Que deixa de incomodar conforme a gente percebe ser infundado: Ciúme é medo de perder, mas não se perde o que não se tem.
E embora cada detalhe pelo caminho continue doendo até que o desapego venha, a gente sabe intimamente que não doerá mais. Um dia. Próxima semana talvez. Quando o apego a qualquer outra coisa preencher o vazio da mente que o desapego ao passado deixou. E bem sabemos que tem gente que se apega até a dor. Então que fique claro: Não é só amor que se cura com outro não. Dor também!
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18 de junho de 2012
Do lado de lá.
Talvez eu devesse ter ligado no dia seguinte e dito que foi besteira. Um pedido de desculpas, como tantos outros. Outra vez nós dois na mesma cama, ou sofá, ou qualquer lugar que conseguisse suportar o peso de nossos corpos unidos. Eu sei que dependia apenas de mim para ser diferente. Sei que fui eu quem virou as costas primeiro, mesmo com toda a vontade de olhar pra trás. Sei de tudo, mas ainda prefiro colocar a culpa em você.
Talvez, com algum esforço, eu ainda consiga lembrar o número do seu telefone. Não liguei mais. Não há mais motivos. E ainda assim, não sei porque, acho um absurdo completo. Você e eu, dois destinos que caminharam lado à lado cantando sobre amor- hoje apenas silêncio e olhar perdido. Nunca vou conseguir pensar que é normal te ver e não abrir o mais largo dos meus sorrisos. Nunca vou me adaptar ao seu jeito, sem jeito, todas as vezes que acabamos por nos encontrar. É como não ter vivido o passado. É como não ter te conhecido. E isso nunca vai me parecer algo real.
Deixei o sentimento em qualquer lugar pelo caminho que não sei dizer ao certo qual foi. Outro dia acordei e pronto, quase que por encanto, já não havia mais a saudade angustiada. E nem mesmo olhando as fotos ela voltou. Foi estranho e ainda é. Hoje vejo com clareza que demorou muito mais porque eu quis que demorasse. De alguma forma era bom achar que eu deveria esperar. De alguma forma parecia errado deixar de sentir. Até que aconteceu tão naturalmente que, quando dei por mim, estava agradecendo por tudo ter sido exatamente como foi. Por ter aceitado que era bom que a vida passasse, como ela sempre faz.
O que tantas outras vezes intitulei, com muito orgulho, de amor, hoje não sei bem o que era. E não me orgulho disso. Mas agora, já sem todas as expectativas e conhecimento grande sobre o dar sem receber, vejo que o amor é bem mais que chorar por saudade. E o tempo, por quem sempre tive grande admiração, fez seu papel ainda mais bem feito que o de costume. Mostrou aos poucos todos os buracos invisíveis que nossa relação nunca foi capaz de preencher. Me fez ver, depois de anos cega, que na ausência um do outro, a gente dizia que não por culpa em admitir, mas acabávamos nos sentindo mais felizes. Não, 'felizes' não é bem a palavra. Mas ficávamos mais leves, mesmo que o encontro ainda causasse borboletas no estômago.
Aos poucos o homem que eu amava, deixou de ser assim. Em algum lugar entre as nossas brigas e as fotos de momentos felizes, fui deixando de perceber as coisas que antes eu tanto admirava em ti. Você não se tornou alguém pior, o problema nunca foi você. Você continuou apenas sendo você mesmo e, não sei bem porquê, mas aos poucos isso foi deixando de ser suficiente. Eu deixei de me esforçar para ver em você o cara por quem esperei a vida inteira.
Obrigada por ter consigo ficar bem sem mim. Por não ter voltado. Por ter encontrado um jeito de continuar sendo você, mesmo quando eu fazia de tudo para mudar isso. Eu fui terrível, sei bem. E aprendi com cada um dos meus erros. Ponho a culpa em você porque sou do drama, você sabe. Mas todo esse tempo em que escolhi ser sozinha foi exatamente para não agir outra vez como agi com você. Eu também custei a acreditar, mas a solidão me fez bem melhor. E espero que um dia você possa perdoar as vezes que falei coisas que você não merecia ouvir. Somos inteiros demais e agimos errado tentando ser a metade um do outro. Acho que o tempo já desculpou esse nosso equívoco.
Lembro de você com uma paz que é quase um crime. Por vezes acho impossível que tenha mesmo acabado assim. Mas sei bem que foi o melhor final que poderia ser escrito pra nós dois. E retiro aqui todas as culpas que lhe dei. Não existe mais nenhum segredo que seja apenas nosso e, como consequência disso, nada mais nos une. Parabéns pela sua vida sem mim. Agora é minha hora de, uma vez por todas, atravessar a rua. Do outro lado, tenho certeza, a vista é bem mais bonita. Dá pra ver pelo seu novo sorriso.
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30 de outubro de 2011
Talvez.
Olhar pra trás e sorrir é o que chamam de 'superação'. Quando já não dói,
nem machuca ou atormenta. Quando você já não se martiriza com pensamentos sobre
como poderia ter sido ou onde você errou. Superar é fechar a porta que ficou entreaberta
quando você saiu, por onde você olhava para ver se algo tinha mudado, quando
bem sabia que passado não se muda.
Superação rima com libertação e não é à toa. Superar liberta mesmo. Faz da
gente forte e renova a alma, os sonhos e a vida. Superação é sonhar com o
passado e não acordar chorando. É ver beleza em sentir saudade.
Talvez seja isso. Não foi o amor que acabou. As esperanças também não foram
embora. Mas não sei. Qualquer coisa nisso já não dói. E eu sei que eu já não
sofro a ausência, mesmo sentindo-a vez em quando. Talvez eu tenha sido mais
forte que o que eu imaginara e tenha ido mais longe que o esperado. Acho que no
fundo é isso: Eu superei. E quando digo que superação liberta é por saber o
quanto, nunca antes na vida, eu me senti tão livre.
10 de junho de 2011
Cor verde. Tamanho indefinido.
Encontrei uma camisa sua perdida no armário. Ainda a mesma cor e eu posso jurar ter sentido seu cheiro, mas não me permiti certificar. Medo? Não sei direito. É só que algumas coisas é melhor não arriscar, e costuma vir do cheiro àquelas cócegas no nariz que me causam água nos olhos e eu não sei bem como definir, mas alguma força não me deixou repetir o velho erro. A tortura não anda me atraindo muito, como deixou de ser com seu jeito de andar.
O inevitável é não pensar nas noites que dormi vestida naquela camisa, como também na camisa que presava pelo nosso amor, que aliás, desde o começo, vesti sozinha. Noites em que antes de dormir te imaginava chegando, com qualquer desculpa que fosse, pra dormir ao meu lado. Você não veio. Canções, histórias, pessoas, lugares, viagens, vitórias, derrotas, vidas para dividir com você e você não veio, nunca soube do que eu tinha para lhe dar, nunca saberá. E não fosse a chuva que caiu por várias noites e o sol que insistiu em nascer tantos outros dias, poderia bem dizer que por muito tempo o tempo se manteve parado. Eu na espera de um alguém que já não existia, contando uma história que na verdade nunca aconteceu.
Dos e-mails que não recebi, das mensagens que não me chegaram, das ligações que não tinham sua voz o que ficou foi a mágoa de saber da saudade que você não sentiu. Tanto amor do outro lado da cidade e você dormindo sozinho, me fazendo passar frio, não correspondendo nenhuma das expectativas que criei. E lhe culpo, de cabeça erguida, pois quis apenas o que você tinha dito poder me dar. Seu egoísmo imenso movendo duas vidas: uma de conformismo e a outra de solidão. Enquanto você recebia um coração, dado de bom grado, eu queria ter recebido um sonho em troca, alguns beijos talvez... Mas nada! Só algumas palavras sem muito valor. Posso jurar ter visto alguma verdade nos teus olhos, mas também essa é outra das coisas que não poderei me certificar.
Lembro-me de ter passado noites focada em avaliações dos seus risos, jeitos, gestos, vozes, toques ou qualquer outra coisa que eu possa ter deixado passar despercebida, alguma coisa que me respondesse todas as perguntas que ficaram e que você nunca voltou para responder. Não encontrei resposta alguma, aliás, só me lotei de mais dúvidas e algumas certezas errantes de que não podia ter sido mentira. Nada que realmente justificasse as mentiras que contei, repetidas vezes, para mim mesma enquanto tentava me convencer de que algo, seja lá o que fosse aquilo que existia entre nós, ainda valia a pena. Acabou que não deu em nada, a verdade tem essa coisa de insistir em aparecer.
Enquanto quase durmo as horas passam rápido e nosso conto, na minha cabeça, se repete sem pedir licença. Anos de história relembrados de meia em meia hora que parecem um filme com prazo de validade vencido e um rótulo nítido: "Feito para não durar". Contenho o congestionamento nos olhos, contenho a dor que causa lembrar e repito, como quem nada quer, pra ver não machucar tanto quanto parece inevitável ser, que "tudo bem" porque a essa altura da vida, tudo bem mesmo! A camisa ficou no armário e as lembranças que me acompanharam até a cama só me fizeram ver que ela já não me serve, cresci demais! Assim como seu abraço, sua camisa já não me guarda, enquanto quase tenho certeza quem em ti ela certamente ficaria folgada, mas esse deixou de ser um problema meu.
Ao escrever essa carta o coração apertou um pouco, aquele medo bobo de termos perdido a chance das nossas vidas, besteira minha! E com a certeza de que assim foi melhor pra mim, penso em silêncio, já quase cantando: "Mas coração, se preocupe não, algumas coisas não são para ser".
16 de maio de 2011
Uma amiga chamada Saudade
Como é boa essa saudade que não dói. Uma saudade que traz junto o carinho, o respeito, a compreensão. Uma saudade que não sufoca, não grita, não agride. Saudade que não te faz querer voltar no tempo, mas lembra o quanto foi bom ter vivido tudo, até mesmo os arranhões que vez ou outra ainda coçam.
É quando toca uma música no rádio, música que um dia fora nossa e hoje deve ser de tantos outros casais por aí que certamente vingarão a letra ou, como nós, acabarão por se perder. É quando reaparece uma foto antiga, no meio de caixas com coisas que não são mais usadas, mas que um dia foram essenciais. É quando alguém conta sobre o aniversário de namoro e você lembra das grandes comemorações, o quanto costumavam ser felizes e hoje, datas perdidas, passam despercidas, sem uma necessidade de algo que preencha o espaço, porque quase imperceptivelmente todos os espaços já foram preenchidos.
É bom sentir essa saudade, faz pensar que valeu à pena embora muitas vezes você tenha duvidado disso. Faz ter certeza que as coisas acontecem mesmo quando têem de acontecer, não por acaso, mas por predestinação. E não importa que a gente corra, que a gente lute, que a gente não entenda, algumas coisas simplesmente passam e o máximo que fica é mesmo essa saudade, que não quer nada de volta, mas admite que foi muito bom um dia ter tido, desde o companheirismo às brigas, que pareciam sem fim. Terminaram, como todo o resto, como tudo que um dia a gente pensa que não vai terminar por doer, por ser bom, por querer mais ou por não querer.
E aí vem o presente, que não poderia ter outro nome, com tantas coisas novas e sublimes que te fazem não querer repetir os erros, que te fazem se perguntar porque você não queria que passasse, porque você lutou tanto pra que o presente não se chegasse, quando ele sempre chega, trazendo irreversivelmente na bagagem o que se passou. Passou! E diariamente rever, diariamente pedir de volta, diariamente lutar não vai fazer com que não tenha passado e é só quando, depois de abandonar a birra, você se dá conta disso que a saudade deixa de ser vilã e passa a ser uma amiga, que te aconselha calada, que te abraça quando faz frio e que te faz pensar que foi exatamente como tinha de ter sido e que nem você mesma, protagonista da história, poderia ter escrito "fim" em melhor hora.
Quando dizem que é preciso sacudir a poeira, não mentem. Quando dizem que sempre chega a hora de mudar o disco, não mentem. Até boas canções, vez outra regravadas ou postas para tocar, deixam de causar o que causavam num primeiro momento, porque acostuma-se, adapta-se, supera-se. Superação é tudo. Superação é ver a saudade e deixar que ela entre por saber que agora ela não mais incomoda e sim, da forma mais doce do mundo, te faz ver que você também viveu coisas boas, como tantas outras histórias que você escuta e quer viver, como muitos sonhos que você ainda nem sabe, mas vai realizar um dia e quando deixarem de ser sonho, seja porque motivo for, um dia serão saudade.
21 de março de 2011
Dando fins.
Erros incalculáveis, todas as palavras fora de hora e a superlotação da caixinha onde ficavam os desabafos que ao invés de serem feitos, por maior facilidade, eram guardados. Acabou. Os sonhos, o desejo, as esperanças e até mesmo a força surreal que surgia não se sabe de onde e dava ânimo aos recomeços, mais do mesmo. Acabou tudo, perdeu o sentido, não cabia mais em lugar nenhum. E o que veio depois foi o silêncio, misto de paz e desespero, sem saber pelo que esperar.
É como andar descalço no escuro, sem saber onde pisa ou onde vai chegar, se é que se chega mesmo em algum lugar algum dia. E era esse o causador do desespero, o não saber. A gente escuta algumas pessoas dizerem que passa, escuta uns conselhos de gente que viveu o mesmo e superou, chegou num lugar bonito e que agora tem só a história pra contar, mas não dá pra ter certeza porque como pode passar algo assim, desse tamanho? Como pode ser isso simplesmente deixar de existir? Não dá pra ter certeza e no ponto em que se encontra também não se tem escolha, as tão sonhadas opções, é andar e ponto - sem saber pelo que esperar. Essa falta de expectativa, que noutra ocasião seria uma boa, por hora só consegue apavorar. Então você sente a respiração, o ar ir e voltar, segura o ar e sente o vazio. Só que por cinco segundos foi maravilhoso estar vazia, antes ar que aquele nó na garganta e o peso desmedido no peito. Antes só ar que aquele sentimento que deixou de ser bonito pra ser tormento, aliado da dor. Cinco segundos de alívio, de paz. Parece pouco e é, descobriria depois, mas por hora era tudo, uma luz no escuro, a esperança de que poderia haver mais.
Depois que o ar escapa e os cinco segundos de alívio passam é preciso analisar o que ficou, jogar fora e sair em busca de mais. Mais sonhos, todos novos. Mais fé, em qualquer outra coisa que possa parecer tocável e menos difícil. Mais amor, de dentro da gente pra dentro de nós outra vez, amor próprio. Mais coisas, qualquer coisa, que ocupe o espaço que ficou.
Até chegar no que chamam de topo ainda há muito pra fazer - são gavetas a esvaziar, fotos pra apagar, memórias pra aprender a conviver e, principalmente, um vazio pra preencher. A cada reencontro com o improvável é quase possível ouvir o grito interno, porque machuca mesmo e ainda vai ser assim por um bom tempo. O cheiro traz lembrança, a cor traz lembranças, as músicas fazem lembrar. Sem contar nas fotos que surgirão do nada vez em quando e que você vai olhar até sentir os olhos encherem de lágrimas e depois esconder em qualquer canto da casa pra fingir que passou. Deixa ser, não faz vergonha não, é assim com todo mundo e depois de um tempo nem é mais preciso fingir, passa mesmo, pra tanta gente por aí já passou, vai passar pra você também. E não precisa fazer força não. Acontece quase que sem se ver, algum tempo depois, quando abrir o caderno onde escondeu aquela foto, vai olhar e, quem sabe, até sorrir - sem apertos, sem palavras que precisam ser ditas, sem lágrimas pra chorar; você quase nem acredita. E pensar que foi quase enlouquecedor...
E então é hora da redescoberta. Acabou, foi dado o fim de uma história, uma das muitas que você vai contar um dia. Hora então de redescobrir o amor, de redescobrir caminhos, redescobrir o sabor que tem dar o coração a outro alguém. E redescobrir é tão bom. Dá pra ter tudo outra vez, com alguém de um português mais correto ou, talvez, um amante da boa música, quem sabe até alguém de sotaque francês - as opções são tantas que fica até difícil decidir. Dá pra ter tudo de novo, novo de novo. Dá pra ter um começo e fazer diferente pra não ter, por um bom tempo, que lidar com o fim. Dá pra ser novo pra alguém, pra ser sorriso, ser história bonita de contar, ser o motivo do alívio de alguém que também só conhece o vazio depois de soltar o ar. Dá pra dizer que passou pra você também, que doeu porque dói mesmo, mas em compensação passa e deixa tanta lição, tanta vontade de fazer diferente, tanta força pra recomeçar com tudo novo. Espera só, vai ser assim pra você também.
Então a gente tem que entender que é assim mesmo, vida que segue. Lutar pra quê? Acabou. E é só o começo... tem tanta coisa linda que ainda há de vir...
É como andar descalço no escuro, sem saber onde pisa ou onde vai chegar, se é que se chega mesmo em algum lugar algum dia. E era esse o causador do desespero, o não saber. A gente escuta algumas pessoas dizerem que passa, escuta uns conselhos de gente que viveu o mesmo e superou, chegou num lugar bonito e que agora tem só a história pra contar, mas não dá pra ter certeza porque como pode passar algo assim, desse tamanho? Como pode ser isso simplesmente deixar de existir? Não dá pra ter certeza e no ponto em que se encontra também não se tem escolha, as tão sonhadas opções, é andar e ponto - sem saber pelo que esperar. Essa falta de expectativa, que noutra ocasião seria uma boa, por hora só consegue apavorar. Então você sente a respiração, o ar ir e voltar, segura o ar e sente o vazio. Só que por cinco segundos foi maravilhoso estar vazia, antes ar que aquele nó na garganta e o peso desmedido no peito. Antes só ar que aquele sentimento que deixou de ser bonito pra ser tormento, aliado da dor. Cinco segundos de alívio, de paz. Parece pouco e é, descobriria depois, mas por hora era tudo, uma luz no escuro, a esperança de que poderia haver mais.
Depois que o ar escapa e os cinco segundos de alívio passam é preciso analisar o que ficou, jogar fora e sair em busca de mais. Mais sonhos, todos novos. Mais fé, em qualquer outra coisa que possa parecer tocável e menos difícil. Mais amor, de dentro da gente pra dentro de nós outra vez, amor próprio. Mais coisas, qualquer coisa, que ocupe o espaço que ficou.
Até chegar no que chamam de topo ainda há muito pra fazer - são gavetas a esvaziar, fotos pra apagar, memórias pra aprender a conviver e, principalmente, um vazio pra preencher. A cada reencontro com o improvável é quase possível ouvir o grito interno, porque machuca mesmo e ainda vai ser assim por um bom tempo. O cheiro traz lembrança, a cor traz lembranças, as músicas fazem lembrar. Sem contar nas fotos que surgirão do nada vez em quando e que você vai olhar até sentir os olhos encherem de lágrimas e depois esconder em qualquer canto da casa pra fingir que passou. Deixa ser, não faz vergonha não, é assim com todo mundo e depois de um tempo nem é mais preciso fingir, passa mesmo, pra tanta gente por aí já passou, vai passar pra você também. E não precisa fazer força não. Acontece quase que sem se ver, algum tempo depois, quando abrir o caderno onde escondeu aquela foto, vai olhar e, quem sabe, até sorrir - sem apertos, sem palavras que precisam ser ditas, sem lágrimas pra chorar; você quase nem acredita. E pensar que foi quase enlouquecedor...
E então é hora da redescoberta. Acabou, foi dado o fim de uma história, uma das muitas que você vai contar um dia. Hora então de redescobrir o amor, de redescobrir caminhos, redescobrir o sabor que tem dar o coração a outro alguém. E redescobrir é tão bom. Dá pra ter tudo outra vez, com alguém de um português mais correto ou, talvez, um amante da boa música, quem sabe até alguém de sotaque francês - as opções são tantas que fica até difícil decidir. Dá pra ter tudo de novo, novo de novo. Dá pra ter um começo e fazer diferente pra não ter, por um bom tempo, que lidar com o fim. Dá pra ser novo pra alguém, pra ser sorriso, ser história bonita de contar, ser o motivo do alívio de alguém que também só conhece o vazio depois de soltar o ar. Dá pra dizer que passou pra você também, que doeu porque dói mesmo, mas em compensação passa e deixa tanta lição, tanta vontade de fazer diferente, tanta força pra recomeçar com tudo novo. Espera só, vai ser assim pra você também.
Então a gente tem que entender que é assim mesmo, vida que segue. Lutar pra quê? Acabou. E é só o começo... tem tanta coisa linda que ainda há de vir...
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21 de janeiro de 2011
Memória fragmentada.
Das lembranças que foram aos poucos se fragmentando restaram o número do seu celular (que muito provavelmente não é mais o mesmo), algumas das nossas muitas datas e seu cheiro que a essa altura certamente já mudou.
As vezes, quando bate a saudade, ainda consigo me culpar por estar conseguindo te esquecer. Me é absurdo não recordar do teu rosto ou da forma como nos beijávamos, mas é exatamente isso que vem acontecendo. Nos sonhos eu o amo, mas você não é você, nem seu rosto, nem sua voz... e a saudade me faz ter certeza que o seu beijo é o melhor do mundo, mas já não recordo o gosto que ele tinha ou mesmo a forma que nos beijávamos embora eu saiba que ninguém se iguala a você.
Aconteceu o que me parecia impossível: O tempo conseguiu aos poucos apagar você, claro que não completamente (ainda), mas já é certo que não vai demorar até que isso aconteça e de uma forma absurda isso me assusta porque é muito estranho me imaginar não amando você. Depois te tanto tempo tendo você como inquilino único do meu coração não consigo assimilar a palavra "amor" a mais ninguém e isso me faz, vez ou outra, pensar que talvez tenha algum tempo que eu já nem o ame, mas essa minha fixação e idéia absurda que eu tenho - de que só você pode me fazer feliz, é que traz essa leve saudade. Se isso for verdade vou acabar por descobrir que depois de tanto tempo falando sobre o amor eu nem o conheço. Talvez seja esse o meu maior medo.
Daí noto que é tudo uma grande loucura porque embora seu rosto me fuja à memória e eu não tenha mais coragem pra ligar no número que eu não esqueço e que certamente não é mais seu, eu ainda perco meu tempo me questionando sobre tudo isso e continuo esperando, mesmo escondendo até de mim mesma, o dia em que de alguma forma nos faremos felizes.
Mas já é tarde e a vida lá fora me chama. É hora de desligar o som que toca nossa canção e voltar a esquecer nossas lembranças.
6 de dezembro de 2010
arquivo salvo em 24 de fevereiro de 2010
Eu não deixei de amar você, nós sabemos disso. Não se deixa de amar o amor da sua vida, a pessoa pra quem você se entregou por inteiro, a pessoa que te teve na mãos. Não, eu não deixei de amá-lo. Eu aprendi a amá-lo ainda mais. Aprendi a amá-lo tanto que entendi que a sua felicidade, infelizmente, não é como a minha. Ela não está comigo, assim como você.
Dizem que o amor verdadeiro é o não correspondido, dizem que dura para sempre e bem, eu não duvido. Embora já não chore a tua ausência, já não lamente mais a distância entre nós, continuo reconhecendo teu perfume, sabendo tudo a teu respeito e guardando muito do pouco que ficou de você em mim. Só que agora minha memória é consciente: Já não tento ver nas entrelinhas, já não tento adivinhar teu pensamento em determinado momento, já não me preocupo se foi ou não de verdade. Eu fiz minha parte, você a sua, o destino não nos quis juntos, já não há nada que possa ser feito.
Ambos aprendemos a viver um sem o outro, deixamos que a saudade fosse virando amiga, deixamos que a lembrança fosse sendo suficiente, deixamos que o medo e a desconfiança tomassem o lugar de sentimentos outrora bonitos. Deixamos que o orgulho fosse sendo sempre mais forte. Não que nós quiséssemos isso, apenas não podemos lutar contra, já não havia muita escolha. Foram tantos os acontecimentos: Eu perdi a fé. Você não quis ficar.
E olha o que me resta, escrever uma união de palavras que não fazem muito sentido, pra que você leia e pense: "É sobre mim, ela não me esqueceu", enquanto você continua visitando meu mundo às escondidas, manhã ou outra, na esperança de que eu jamais fique sabendo ou de que eu saiba e assim demore mais a te esquecer. Já não sei mais interpretar você.
O bom é que com tudo isso estamos bem. Já não dói saber um do outro, já não machuca a dor da perda. Acabamos por nos acomodar com a felicidade alheia ao outro e o pior é que ela realmente nos satisfaz e talvez seja assim mesmo que deva ser nosso final, meio melancólico, pra que seja bonito. Eu continuo o amando, às escondidas, da minha forma meio errada e assim, de certa forma, cumprimos sem perceber a nossa promessa de que seria pra sempre. Você calado no seu mundo, observando o meu. Eu, como sempre, falando muito mas não com a voz e sim com essas letras embaralhadas que continuam te trazendo aqui e me ajudando a falar com você sem que você perceba, sem que ninguém saiba, sem que o mundo veja.
Dizem que o amor verdadeiro é o não correspondido, dizem que dura para sempre e bem, eu não duvido. Embora já não chore a tua ausência, já não lamente mais a distância entre nós, continuo reconhecendo teu perfume, sabendo tudo a teu respeito e guardando muito do pouco que ficou de você em mim. Só que agora minha memória é consciente: Já não tento ver nas entrelinhas, já não tento adivinhar teu pensamento em determinado momento, já não me preocupo se foi ou não de verdade. Eu fiz minha parte, você a sua, o destino não nos quis juntos, já não há nada que possa ser feito.
Ambos aprendemos a viver um sem o outro, deixamos que a saudade fosse virando amiga, deixamos que a lembrança fosse sendo suficiente, deixamos que o medo e a desconfiança tomassem o lugar de sentimentos outrora bonitos. Deixamos que o orgulho fosse sendo sempre mais forte. Não que nós quiséssemos isso, apenas não podemos lutar contra, já não havia muita escolha. Foram tantos os acontecimentos: Eu perdi a fé. Você não quis ficar.
E olha o que me resta, escrever uma união de palavras que não fazem muito sentido, pra que você leia e pense: "É sobre mim, ela não me esqueceu", enquanto você continua visitando meu mundo às escondidas, manhã ou outra, na esperança de que eu jamais fique sabendo ou de que eu saiba e assim demore mais a te esquecer. Já não sei mais interpretar você.
O bom é que com tudo isso estamos bem. Já não dói saber um do outro, já não machuca a dor da perda. Acabamos por nos acomodar com a felicidade alheia ao outro e o pior é que ela realmente nos satisfaz e talvez seja assim mesmo que deva ser nosso final, meio melancólico, pra que seja bonito. Eu continuo o amando, às escondidas, da minha forma meio errada e assim, de certa forma, cumprimos sem perceber a nossa promessa de que seria pra sempre. Você calado no seu mundo, observando o meu. Eu, como sempre, falando muito mas não com a voz e sim com essas letras embaralhadas que continuam te trazendo aqui e me ajudando a falar com você sem que você perceba, sem que ninguém saiba, sem que o mundo veja.
27 de novembro de 2010
E daí?
No fim das contas quase tudo que parecia ser eterno acaba por acabar. Foi assim com alguns sonhos, planos, pessoas, medos e traumas. E ainda vai ser assim com uma infinidade de coisas.
Eu sei que eu disse que seria pra sempre, mas é por isso que namoramos não? Exatamente por acreditar que vai ser pra sempre, mesmo quando todos dizem que cedo ou tarde vai acabar. A verdade é que o sentimento é tão forte e bonito que tudo que a gente quer é que nunca acabe, mas sempre acaba porque cedo ou tarde perde a graça, vira dor ou simplesmente deixa de fazer sentido. Se quiser saber como estou direi que estou bem, porque estou mesmo, por incrível que me pareça eu sobrevivi - como tantos outros que também chegaram a acreditar que não conseguiriam. Sentimentos tendem ao drama mesmo quando não é isso que queremos.
E daí que eu chorei à toa? E daí que não deu certo? Foi lindo, intenso, verdadeiro. Foi tudo que tinha que ser, digo mais, foi além... Muito além do que um dia eu imaginei. Acabou como sonhos que acabam ao acordarmos e que deixam sempre aquela vaga lembrança que te faz voltar a dormir pra quem sabe conseguir sonhar o mesmo sonho, quando no fundo você sabe que é impossível.
Vivi muitas coisas desde então e não posso negar que nada foi tão intenso, mas foram coisas também bonitas e que foram ocupando espaços esburacados dessa mente e desse coração atordoado. E não foi pra sempre como eu esperava que fosse, mas foi eterno, infinito... Foi lindo. Como o pensamento eufórico nos segundos que antecederam o primeiro beijo que foi dado junto do nascer do sol naquele dia e como as lembranças do bons momentos que ficarão guardadas pra daqui pra frente eu ter a certeza de que amei e que, cedo ou tarde, será bom amar outra vez.
Eu sei que eu disse que seria pra sempre, mas é por isso que namoramos não? Exatamente por acreditar que vai ser pra sempre, mesmo quando todos dizem que cedo ou tarde vai acabar. A verdade é que o sentimento é tão forte e bonito que tudo que a gente quer é que nunca acabe, mas sempre acaba porque cedo ou tarde perde a graça, vira dor ou simplesmente deixa de fazer sentido. Se quiser saber como estou direi que estou bem, porque estou mesmo, por incrível que me pareça eu sobrevivi - como tantos outros que também chegaram a acreditar que não conseguiriam. Sentimentos tendem ao drama mesmo quando não é isso que queremos.
E daí que eu chorei à toa? E daí que não deu certo? Foi lindo, intenso, verdadeiro. Foi tudo que tinha que ser, digo mais, foi além... Muito além do que um dia eu imaginei. Acabou como sonhos que acabam ao acordarmos e que deixam sempre aquela vaga lembrança que te faz voltar a dormir pra quem sabe conseguir sonhar o mesmo sonho, quando no fundo você sabe que é impossível.
Vivi muitas coisas desde então e não posso negar que nada foi tão intenso, mas foram coisas também bonitas e que foram ocupando espaços esburacados dessa mente e desse coração atordoado. E não foi pra sempre como eu esperava que fosse, mas foi eterno, infinito... Foi lindo. Como o pensamento eufórico nos segundos que antecederam o primeiro beijo que foi dado junto do nascer do sol naquele dia e como as lembranças do bons momentos que ficarão guardadas pra daqui pra frente eu ter a certeza de que amei e que, cedo ou tarde, será bom amar outra vez.
4 de maio de 2010
- Mas você prometeu...
- Ora, não me fale de promessas. Não venha agora querer cobrar de mim o que nem você soube dar.
Essa não é a nossa primeira promessa a ser quebrada, mas prometo que será a última.
7 de janeiro de 2010
O ano em que te perdi.

Foram 365 dias difíceis. Momentos de euforia e desespero. Momentos de alegria e medo.
Perdi a conta de quantas vezes estivemos juntos e nos separamos novamente, umas 100 vezes, só esse ano. Mas pra quê tudo isso, afinal? Dado o fim dos 365 dias aqui estamos nós, aliás, aqui estou eu. Você, eu nem sei por onde anda.
Entre idas e vindas, brigas e reconciliações, esse ano acabaria por trazer o fim. O fim da nossa história mal contada, o fim das nossas noites de amor, o fim das nossas trocas de presentes e das palavras bonitas. O fim do amor (?).
Desde o momento em que soube que estava te perdendo pra sempre, tudo que mais desejei foi que o tempo voasse e que o ano acabasse. Que fosse ano novo pra que eu reunisse forças e pudesse recomeçar - recomeçar sem você.
Não sei qual o seu saldo final de fim de ano, mas apesar da grande perda, o meu foi positivo. Agora tenho 365 dias novinhos para te esquecer, para amar outra pessoa, para viver definitivamente sem você. E embora isso não seja fácil, essa é minha melhor perspectiva do que será o primeiro ano sem você na minha vida. E eu espero de coração que pra você isso não doa tanto quanto dói pra mim, que você tenha um belo ano, uma bela vida e um belo novo amor.
O ano passado levou com ele o que restava de nós dois. Quem sabe um ano qualquer dos que ainda viveremos possa fazer com que nos reencontremos, mas por hora só quero mesmo é que esse ano apague a bela e triste memória que eu guardo de você. É a bonita e velha lei de sempre “Que o tempo cure!”, pra mim e pra você.
5 de novembro de 2008
Ontem eu dormi sozinha novamente e como sempre, doeu muito. Ao acordar notei novamente que apenas o meu lado da cama estava desarrumado, você não dormiu em casa de novo, com essa somam três noites seguidas. Queria ter coragem de te perguntar onde você esteve, mas sua indiferença e distância anda tanta, que tenho medo da resposta. Ontem no almoço não conversamos, eu tinha tanto pra te falar.. falar do vestido lindo que comprei pra próxima vez que sairmos juntos, pois sei o quanto você ama me ver de vestido ou pelo menos era assim antes dessa tormenta adentrar nossa casa. Ia te contar do meu desejo de ter um filho, te dizer que olhei um bebê lindo na loja onde comprei o vestido e sonhei com o que nós perdemos, com o quanto ele seria lindo e estaria grandinho agora.. Ia te falar que te amo, faz tanto tempo que não dizemos isso um ao outro e infelizmente eu continuo sem dizer, há um nó na garganta que me diz que você já não faz mas tanta questão de ouvir essas palavras de mim.
Quando me olho no espelho noto como o tempo passou rápido, nós éramos tão jovens e tão apaixonados e eu sei que se as coisas mudaram eu tive uma parcela de culpa nisso. Por isso não me importo de ver você me evitar, de ver a vontade que você tem de não conversar comigo, porque mesmo com tanta indiferença eu ainda te amo como se fosse o primeiro beijo e ainda fico feliz quando te vejo chegar e deitar na mesma cama que eu, mesmo que não façamos mais amor loucamente, tua presença já é uma válvula de escape pro meu desespero, pra esse medo louco que eu tenho de te perder.
Sei que meu amor é meio doentio, mas ao menos sou forte suficiente pra dizer que estou errada, que deveria me amar um pouco mais pra quem sabe você voltar a me dar valor, pra quem sabe as coisas voltarem a ser como eram antes.
Ontem quando olhei nos seus olhos e não me encontrei nos atuais planos, morri um pouco por dentro. Hoje quando acordei e não te olhei ao meu lado, morri mais um pouco. Não quero continuar morrendo a cada vez que eu pensar que já não existe mais amor, não quero mais pensar que não existe mais amor. Eu quero você, com sua barba mal feita, seu ronco insuportável, suas manias terríveis com as quais me acostumei só pra te ver satisfeito e das quais hoje eu sinto falta, quero seu jeito de falar grosso quando se chateia comigo já que hoje lhe sou tão indiferente que nem pra lhe chatear eu sirvo. Quero o homem pelo qual me apaixonei de volta, com todas as suas piadas e o seu desejo louco de fazer amor comigo, como se cada noite fosse a primeira. E quero isso porque te amo, porque cansei de me olhar no espelho e me ver cada dia mais distante de você, porque eu construí uma vida ao teu lado, cheia de sonhos gostosos de serem lembrados, porque foi você quem escolhi pra viver o 'até que a morte nos separe, amém'.
Eu não canso de cumprir minha parte no trato, então volta e deita ao meu lado, tira minha roupa, faz amor comigo e me dá a chance de te mostrar que eu ainda sou a mesma, oito anos mais velha, mas ainda com o mesmo amor pra dar, a mesma sede de você pra matar e os mesmos sonhos de uma adolescente que quer com você o seu feliz pra sempre.
Quando me olho no espelho noto como o tempo passou rápido, nós éramos tão jovens e tão apaixonados e eu sei que se as coisas mudaram eu tive uma parcela de culpa nisso. Por isso não me importo de ver você me evitar, de ver a vontade que você tem de não conversar comigo, porque mesmo com tanta indiferença eu ainda te amo como se fosse o primeiro beijo e ainda fico feliz quando te vejo chegar e deitar na mesma cama que eu, mesmo que não façamos mais amor loucamente, tua presença já é uma válvula de escape pro meu desespero, pra esse medo louco que eu tenho de te perder.
Sei que meu amor é meio doentio, mas ao menos sou forte suficiente pra dizer que estou errada, que deveria me amar um pouco mais pra quem sabe você voltar a me dar valor, pra quem sabe as coisas voltarem a ser como eram antes.
Ontem quando olhei nos seus olhos e não me encontrei nos atuais planos, morri um pouco por dentro. Hoje quando acordei e não te olhei ao meu lado, morri mais um pouco. Não quero continuar morrendo a cada vez que eu pensar que já não existe mais amor, não quero mais pensar que não existe mais amor. Eu quero você, com sua barba mal feita, seu ronco insuportável, suas manias terríveis com as quais me acostumei só pra te ver satisfeito e das quais hoje eu sinto falta, quero seu jeito de falar grosso quando se chateia comigo já que hoje lhe sou tão indiferente que nem pra lhe chatear eu sirvo. Quero o homem pelo qual me apaixonei de volta, com todas as suas piadas e o seu desejo louco de fazer amor comigo, como se cada noite fosse a primeira. E quero isso porque te amo, porque cansei de me olhar no espelho e me ver cada dia mais distante de você, porque eu construí uma vida ao teu lado, cheia de sonhos gostosos de serem lembrados, porque foi você quem escolhi pra viver o 'até que a morte nos separe, amém'.
Eu não canso de cumprir minha parte no trato, então volta e deita ao meu lado, tira minha roupa, faz amor comigo e me dá a chance de te mostrar que eu ainda sou a mesma, oito anos mais velha, mas ainda com o mesmo amor pra dar, a mesma sede de você pra matar e os mesmos sonhos de uma adolescente que quer com você o seu feliz pra sempre.
16 de outubro de 2008
Carta de Despedida.
Até mesmo eu, que sempre fui apaixonada por histórias de finais felizes, vez em quando conto, vivo e presencio histórias com finais não tão felizes assim.
Hoje fecho um ciclo da minha vida- outro! Na verdade desde segunda feira esse ciclo foi finalizado, mas só agora me bateu que dessa vez é de verdade.
Nunca mais teu sorriso, nunca mais cinema contigo, nunca mais nossas piadas e nem nossos apelidos, nunca mais nossos sonhos, nossos segredos e nossos beijos. Estou te deixando partir. Na verdade eu decidi que é melhor assim, nós somos diferentes demais e se continuássemos caminhando juntos, íamos continuar errando o passo.
Nunca mais nossas brigas, nunca mais nossas lágrimas, nunca mais mentiras, nunca mais engano, nunca mais traição. No fim, a gente vai sair ganhando.
Foi bom te ter comigo. Foi muito bom! Você é especial, diferente e me amou, ainda que de um jeito estranho, amou. Mas acabou, como tudo tem de acabar um dia. Agora você pega tuas coisas, segue teu caminho e leva um pouco de mim contigo, porque a gente aprendeu muito um com o outro e isso não tem fim de namoro ou mágoa que possa mudar.
Sei que, assim como eu, você tá sofrendo. Mas sejamos maduros, não dava mais pra continuar. De uns tempos pra cá a gente só vacilava e foi melhor acabar antes que alguém aqui se machucasse ainda mais.
Nunca vou esquecer você. Nunca vou esquecer as coisas boas que vivemos. Você foi, por muito tempo, o meu melhor amigo, sabia tudo à meu respeito, me conhecia como ninguém. Não consigo sentir raiva de você. Amei você demais pra isso. Por isso do fundo do coração eu sei, vou sempre levar você comigo. Cresci com você como jamais teria crescido sem você e você não sabe o quanto sou grata por isso.
Não mude, você é especial, é único. Pena que nossos pensamentos sejam tão diferentes. Mas eu desejo do fundo da alma que você encontre alguém, que te queira bem, que mereça seu amor e que seja capaz de te fazer feliz, como eu não fui.
Espero que você fique bem. Que se cuide e seja feliz. Quero que lembre de mim como uma amiga que o tempo afastou, mas que nunca vai te esquecer. Espero que não fiquem mágoas, espero que o tempo cure tudo que houve de dor.
Não vou mudar de endereço. Não vou mudar meu telefone. Não quero que você desapareça! Mas eu entendo que por ainda um tempo vai ser difícil agir como se nada tivesse acontecido. Fique longe o tempo que precisar, me evite sempre que se sentir mal com a minha presença e quando a vontade de saber de mim bater, me liga que a gente conversa, como bons amigos. Como deve ser!
Eu amo você, mas vou superar assim como você também vai. E que o tempo cure...
Hoje fecho um ciclo da minha vida- outro! Na verdade desde segunda feira esse ciclo foi finalizado, mas só agora me bateu que dessa vez é de verdade.
Nunca mais teu sorriso, nunca mais cinema contigo, nunca mais nossas piadas e nem nossos apelidos, nunca mais nossos sonhos, nossos segredos e nossos beijos. Estou te deixando partir. Na verdade eu decidi que é melhor assim, nós somos diferentes demais e se continuássemos caminhando juntos, íamos continuar errando o passo.
Nunca mais nossas brigas, nunca mais nossas lágrimas, nunca mais mentiras, nunca mais engano, nunca mais traição. No fim, a gente vai sair ganhando.
Foi bom te ter comigo. Foi muito bom! Você é especial, diferente e me amou, ainda que de um jeito estranho, amou. Mas acabou, como tudo tem de acabar um dia. Agora você pega tuas coisas, segue teu caminho e leva um pouco de mim contigo, porque a gente aprendeu muito um com o outro e isso não tem fim de namoro ou mágoa que possa mudar.
Sei que, assim como eu, você tá sofrendo. Mas sejamos maduros, não dava mais pra continuar. De uns tempos pra cá a gente só vacilava e foi melhor acabar antes que alguém aqui se machucasse ainda mais.
Nunca vou esquecer você. Nunca vou esquecer as coisas boas que vivemos. Você foi, por muito tempo, o meu melhor amigo, sabia tudo à meu respeito, me conhecia como ninguém. Não consigo sentir raiva de você. Amei você demais pra isso. Por isso do fundo do coração eu sei, vou sempre levar você comigo. Cresci com você como jamais teria crescido sem você e você não sabe o quanto sou grata por isso.
Não mude, você é especial, é único. Pena que nossos pensamentos sejam tão diferentes. Mas eu desejo do fundo da alma que você encontre alguém, que te queira bem, que mereça seu amor e que seja capaz de te fazer feliz, como eu não fui.
Espero que você fique bem. Que se cuide e seja feliz. Quero que lembre de mim como uma amiga que o tempo afastou, mas que nunca vai te esquecer. Espero que não fiquem mágoas, espero que o tempo cure tudo que houve de dor.
Não vou mudar de endereço. Não vou mudar meu telefone. Não quero que você desapareça! Mas eu entendo que por ainda um tempo vai ser difícil agir como se nada tivesse acontecido. Fique longe o tempo que precisar, me evite sempre que se sentir mal com a minha presença e quando a vontade de saber de mim bater, me liga que a gente conversa, como bons amigos. Como deve ser!
Eu amo você, mas vou superar assim como você também vai. E que o tempo cure...
30 de agosto de 2008
É nessas horas que me pergunto o porquê da memória. Memória é bixo chato! Teu melhor amigo fica bêbado, tua melhor amiga fuma e fica louca e você, ah.. você tá só lembrando. Lembrando o beijo que passou, lembrando as palavras ditas, lembrando de uma saudade que nem existiria não fosse essa tua bendita memória. E o pior em mim é que não consigo ter memória selectiva.
Não lembrar seria a solução. Pra quê relembrar um beijo em memória se em realidade ele nunca mais vai acontecer? Memória é bixo complicado. A gente deveria ter um controle com botões de 'delete' e 'save', seria bem mais simples. Veio a memória na cabeça e ela não é bem vinda, clica 'delete' que fica tudo delícia e bem, quanto ao 'save' nem preciso falar - delícia em dobro. Mas não, memória acha que pode salvar tudo e vai salvando e salvando e quando tu vê, tem tudo salvo e isso vai continuar salvo, ainda que tua maior vontade seja deletar.
Ontem, por um breve surto de dez minutos, minha memória me deu trégua. Saiu pra passear e me deixou com a mente livre e juro, quase consigo deletar de verdade. Mas bem, foram só dez minutos e era muito memória pra apagar em tão pouco tempo, quando pensei que conseguiria veio a memória de novo e me deu um risinho com cara de quem está de volta e veio pra ficar. Odiei ela. Me odiei mais ainda.
Então decidi desistir. Deixa a memória vir, uma hora ela cansa. Até eu to cansando dessa oscilação entre a depressão e a felicidade, não é possível que ela seja tão cabeça dura assim. E tem horas que ela até me faz bem. Tenho pra mim que quando ela cansar eu vou ficar em paz. Vou relembrar em pensamento e sorrir, com a convicção de que minha memória não poderia ter salvo algo melhor e me criticar por demorar tanto tempo pra aceitar que memória é assim mesmo, só cansa quando a gente repousa e não o contrário.
Deixa me bater na memória, que com o tempo aprimoro os pensamentos e transformo em sorriso.
Não lembrar seria a solução. Pra quê relembrar um beijo em memória se em realidade ele nunca mais vai acontecer? Memória é bixo complicado. A gente deveria ter um controle com botões de 'delete' e 'save', seria bem mais simples. Veio a memória na cabeça e ela não é bem vinda, clica 'delete' que fica tudo delícia e bem, quanto ao 'save' nem preciso falar - delícia em dobro. Mas não, memória acha que pode salvar tudo e vai salvando e salvando e quando tu vê, tem tudo salvo e isso vai continuar salvo, ainda que tua maior vontade seja deletar.
Ontem, por um breve surto de dez minutos, minha memória me deu trégua. Saiu pra passear e me deixou com a mente livre e juro, quase consigo deletar de verdade. Mas bem, foram só dez minutos e era muito memória pra apagar em tão pouco tempo, quando pensei que conseguiria veio a memória de novo e me deu um risinho com cara de quem está de volta e veio pra ficar. Odiei ela. Me odiei mais ainda.
Então decidi desistir. Deixa a memória vir, uma hora ela cansa. Até eu to cansando dessa oscilação entre a depressão e a felicidade, não é possível que ela seja tão cabeça dura assim. E tem horas que ela até me faz bem. Tenho pra mim que quando ela cansar eu vou ficar em paz. Vou relembrar em pensamento e sorrir, com a convicção de que minha memória não poderia ter salvo algo melhor e me criticar por demorar tanto tempo pra aceitar que memória é assim mesmo, só cansa quando a gente repousa e não o contrário.
Deixa me bater na memória, que com o tempo aprimoro os pensamentos e transformo em sorriso.
6 de julho de 2008
Tem coisas que nunca mudam.
não muda o cheiro, nem o desejo, nem o gosto do beijo ou a forma de falar.
não mudam as manias, nem as loucuras, nem as histórias que costumava contar.
eu ainda fico bêbada com duas cervas.
eu ainda choro quando fico bêbada.
e eu ainda sou a mesma bestinha bêbada de sempre.
ainda ouço as mesmas músicas
e penso as mesmas coisas
as pessoas continuam sem noção
bebendo como sempre
e continuam sem dançar porra nenhuma.
e tem os sentimentos.
esses sim, continuam iguaizinhos
como se meu coração tivesse sido paralisado
ou tivesse cansado e caído no sono.
e tem os sonhos, os planos, a saudade
tem o engano, o desencontro, a lealdade...
não mudam as manias, nem as loucuras, nem as histórias que costumava contar.
eu ainda fico bêbada com duas cervas.
eu ainda choro quando fico bêbada.
e eu ainda sou a mesma bestinha bêbada de sempre.
ainda ouço as mesmas músicas
e penso as mesmas coisas
as pessoas continuam sem noção
bebendo como sempre
e continuam sem dançar porra nenhuma.
e tem os sentimentos.
esses sim, continuam iguaizinhos
como se meu coração tivesse sido paralisado
ou tivesse cansado e caído no sono.
e tem os sonhos, os planos, a saudade
tem o engano, o desencontro, a lealdade...
ainda bem
que tem coisas que nunca mudam.
4 de julho de 2008
Passado que Volta.
Eu lembro bem de quando você me deixou. Não teve 'adeus', nem desculpas.. na verdade nem houveram palavras, você jamais foi bom com elas. Você deixou de me pertencer, simplesmente. Sumiu! E quando reapareceu estava pronto, mas pra outro amor e pra ir embora, sem data certa pra voltar.
Eu não fui a única a ser deixada, ouvi conversar que diziam que seu outro amor também fora abandonado, que você partiu atrás dos teus sonhos e que como sempre, não tinha data pra voltar. Dizem que ela sofreu e eu entendo, você e essa sua mania repentina de abandono não fazem bem à ninguém e ainda que você não sinta, machuca muito.
Eu te esperei. Fui fraca, eu sei. Mas não podia evitar.. eu lembrava teu rosto, teu cheiro, tua pele e teu beijo. Nossa história rodava como filme na minha cabeça e por mais que eu tentasse eu não conseguia encontrar uma razão. Porque me deixou? Hoje, depois de muito ter se passado eu vejo que você teve medo.
Ontem, quando te reencontrei depois de tantos anos, eu vi. Teus olhos não são mais os mesmos, mais tu ainda tens teu jeito sedutor, o sorriso ainda congela e tua dança continua péssima. Mas os olhos mudaram e eles diziam tanto.. gritavam! E você não conseguiu conter. Disse que me queria, que sentiu minha falta e que foi tudo por medo. Se você dissesse isso a qualquer outra, ela certamente diria que isso é desculpa, mas eu não. Eu sei que é verdade, você teve medo. A verdade é que você nunca foi muito corajoso e diante de todos os meus planos, sonhos e desejos você percebeu que jamais poderia me dar o que eu tanto queria. Você não era suficiente e continua não sendo.
Eu tremi quando pensei em te rever e congelei quando meu olhar encontrou com o teu. Não foi de saudade, não foi de paixão, foi de orgulho e de agradecimento. Você é bom! É sim. Tem um senso de humor incrível e eu adorava tua barba no meu rosto. Você é bom, mas não me era o suficiente e o bom é que foi você quem percebeu isso e partiu. Me deixou dor, mas me deu a chance de ver que eu e meus planos merecíamos ainda mais que uma risada gostosa e promessas que jamais seriam cumpridas.
Eu lembro de tudo entre a gente e faço questão de não esquecer de nadinha. Você marcou e me ensinou como ninguém que tudo, até mesmo o mais improvável, com o tempo é levado pra longe.
Eu não fui a única a ser deixada, ouvi conversar que diziam que seu outro amor também fora abandonado, que você partiu atrás dos teus sonhos e que como sempre, não tinha data pra voltar. Dizem que ela sofreu e eu entendo, você e essa sua mania repentina de abandono não fazem bem à ninguém e ainda que você não sinta, machuca muito.
Eu te esperei. Fui fraca, eu sei. Mas não podia evitar.. eu lembrava teu rosto, teu cheiro, tua pele e teu beijo. Nossa história rodava como filme na minha cabeça e por mais que eu tentasse eu não conseguia encontrar uma razão. Porque me deixou? Hoje, depois de muito ter se passado eu vejo que você teve medo.
Ontem, quando te reencontrei depois de tantos anos, eu vi. Teus olhos não são mais os mesmos, mais tu ainda tens teu jeito sedutor, o sorriso ainda congela e tua dança continua péssima. Mas os olhos mudaram e eles diziam tanto.. gritavam! E você não conseguiu conter. Disse que me queria, que sentiu minha falta e que foi tudo por medo. Se você dissesse isso a qualquer outra, ela certamente diria que isso é desculpa, mas eu não. Eu sei que é verdade, você teve medo. A verdade é que você nunca foi muito corajoso e diante de todos os meus planos, sonhos e desejos você percebeu que jamais poderia me dar o que eu tanto queria. Você não era suficiente e continua não sendo.
Eu tremi quando pensei em te rever e congelei quando meu olhar encontrou com o teu. Não foi de saudade, não foi de paixão, foi de orgulho e de agradecimento. Você é bom! É sim. Tem um senso de humor incrível e eu adorava tua barba no meu rosto. Você é bom, mas não me era o suficiente e o bom é que foi você quem percebeu isso e partiu. Me deixou dor, mas me deu a chance de ver que eu e meus planos merecíamos ainda mais que uma risada gostosa e promessas que jamais seriam cumpridas.
Eu lembro de tudo entre a gente e faço questão de não esquecer de nadinha. Você marcou e me ensinou como ninguém que tudo, até mesmo o mais improvável, com o tempo é levado pra longe.
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