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15 de maio de 2014

Exagerado.


Nós somos os que se doam demais. Não endurecem. Não desistem.
Somos os que escutam repetidas vezes a mesma música, no volume máximo, só para lembrar mais uma vez. Só pra doer mais um pouquinho.
Somos os que sentem tudo. Que querem muito. Que buscam mais. 
Intensos por natureza, atirados por conveniência, loucos para viver. Que caem de cabeça e não medem a altura do tombo.
Os que não medem esforços, metem medo, enlouquecem e não se entregam.
Somos o extremo do extremismo, verdades universais e lágrimas que não cansam de cair.

Estamos aqui, de pé, outra vez. E se necessário, após cair, o faremos mil vezes. Só pra sentir de novo, só para sonhar mais um pouco, só pelo prazer da ilusão. E nos entupimos com verdades inventadas que facilitam nossas vidas e ganham nossos corações. Depois os partem, em mil pedacinhos. Mas tudo bem, a gente já se acostumou a vê-los espalhados pelo chão.

Temos paixão pelo que queima, pelo que inunda, pelo que faz fluir. Por tudo que nos causa reações. Por tudo que nos toca e nos encanta e nos ganha. Sempre para sempre. Porque até amanhã não dá tempo. Porque semana que vem já passou. E nós não vemos a hora de provar que finais felizes realmente existem.

Dói, é claro. Mas passa. Depois de muitas noites embriagados. Depois de mil viagens para dentro e para fora. Depois de um novo amor... Passa. E somos outra vez novos em folha. E estamos prontos para cometer os mesmos erros.

A gente não se importa. Não liga mesmo. Nós somos livres, indiferentes ao tempo, mais fortes que o medo. A gente faz e acontece dentro de nós mesmos. Não precisamos provar nada para ninguém. E continuamos buscando algo que ainda não conhecemos, mas sabemos ser o que nos consolará.

Porque é isso que queremos: colo e consolo. Maiores abandonados, sedentos de sentimentos. Apaixonados por dramas baratos, que choram com filmes aos domingos. E fariam qualquer coisa para ter com quem, carinhosamente, dividir a pipoca e o chocolate. Dividir os sonhos e o medo. A cama, a casa e todo o aconchego. Doando, de bandeja, o coração.

E pedimos perdão sem vergonha. Passamos por cima dos rastros de orgulho. Olhamos para trás quantas vezes for necessário. E não, não somos dignos de pena. Somos dignos, na verdade, de todas as honras. Pois somos verdadeiros. Somos maiores que o que nos é imposto. Somos amor e exagero, da cabeça aos pés, sem culpa ou medo.

22 de março de 2013

It's Over.


Gente que mente como quem dá "Bom dia!". Que trai e atrai coisas ruins pras nossas vidas. Gente que não tem emoção, não entende de sentimentos, não valoriza as pessoas que tem ao lado. Gente que não se preocupa em não magoar os outros e pensa apenas no próprio umbigo. Gente baixa, sem qualidades notórias e relevantes, incapazes de fazer melhores as pessoas das quais se aproxima.
Porque diabos insistimos em manter esse tipo de gente nas nossas vidas? Destinamos amor, o sentimento mais nobre e sincero, para quem só merece pena. Desperdiçamos nossos dias preciosos tentando agradar alguém que não se sentirá, de fato, agradado nunca, pois é incapaz de perceber a beleza de atitudes honestas. Continuamos nos doando pra quem não sabe o que isso significa. Pra quem não merece nem o pior que temos dentro de nós mesmos.
É carência? Medo da solidão? Desespero? O que é?
Passo dias inteiros tentando entender e simplesmente não encontro explicação. Usamos do gesto mais banal pra nos agarrar num fio de esperança que nos mantenha de pé e fortes para tolerar todos os outros gestos, que são de puro descaso e falta de sentimento. Continuamos a dar desculpas para nós mesmos, quando o outro é que deveria fazê-lo, mas anda ocupado demais com qualquer outra coisa para perder tempo com ciúmes sempre tidos como exagerados. E entre mentiras mal contadas e atitudes egoístas, vamos suportando até aonde o coração aguenta. As vezes, até além disso.
Mas chega. Já deu! Decreto aqui o fim do amor unilateral. Findo aqui o desperdício dos sentimentos bons. Ponho um ponto final a entrega sem retorno. Já passou da hora de arrancar do livro das nossas vidas páginas rabiscadas por pessoas vazias, sem inspiração, sem valor. Precisamos, mais que nunca, acordar pro mundo lá fora que é gigante e guarda um monte de gente que, como a gente, já cansou de tanto desperdício de amor.
De hoje em diante só pessoas que nos façam melhores. De hoje em diante só gente que entenda do que a gente sente e sinta orgulho de nos ter ao lado, pra amar e cuidar. De hoje em diante é distância dessas pessoas que nos afastam de nós mesmos, do que somos e sonhamos para nós. Ou está ao nosso lado para somar ou se manda da nossa vida, porque não temos espaço para doar pra essa gente que não merece. Não vale à pena desperdiçar o que temos de melhor com quem não tem nada para acrescentar às nossas vidas.
É o fim dos choros na sexta-feira à noite e em todos os outros dias da semana. É o fim da espera pelo celular que nunca toca. É o fim desse medo da solidão. No fundo todos nós sabemos: Antes só que mal acompanhado. E se não servimos para ser motivo de riso fácil aos domingos, não nos serve para estar ao  lado quando for hora de desfrutar das nossas conquistas.
Comece agora mesmo a arrancar da sua vida tudo que não presta e só pare quando não restar mais nada capaz de lhe fazer mal. Só depende da gente. Só depende do nosso amor próprio. Já é hora de começarmos a fazer o que é bom para nós. Um pouco de egoísmo às vezes faz bem. Se valorize, se ame, se respeite. Faça isso por você já que não tem valido à pena todas as coisas incríveis que você tem feito por essa gente.
E acredite: Nada como um dia após o outro. Hoje a gente cai, amanhã aquele que nos derrubou implora por nossa ajuda para se levantar. É o velho lema, ainda e sempre: "Vida que segue!".

12 de dezembro de 2012

Em terapia!

Calma ai que eu vou falar. E te prepara, que a coisa aqui tá feia!
Um amontoado de sentimentos pra serem colocados pra fora. Um medo imenso de falar mais que o que devo. Ando num despreparo total quando o assunto sou eu mesma. Ando num descaso louco com o que eu sei que quero ser. Não acho bonito admitir isso, mas ao menos eu consigo!

Tem muita gente louca nesse mundo, né?
A rapidez com que as pessoas mudam de ideia me assusta muito, isso porque sei bem do que é capaz uma pessoa muito inconstante. Conviver comigo não tem sido muito fácil. Conviver com o resto do mundo tem sido mais difícil ainda.
Gente que aparece do nada, no meio da multidão, e deixa de ser só mais um rosto. Admito que muitas vezes, quando num lugar lotado, me peguei pensando se sentei ao lado do homem da minha vida em algum momento da minha vida. Noutras penso que isso é loucura, porque se existe mesmo alma gêmea, a minha certamente é de Marte e eu nunca virei a conhecê-la. Nem sei o quê que eu tô fazendo aqui. E só continuo por falta de opção.

Fora que não chove. Todo-santo-dia é um céu meio nublado, nuvens escuras, vento agradável. Chuva que é bom? Nada.
Essa época do ano já era pra tá chovendo torrencialmente, cês não acham não?
Quando chove eu me sinto mais segura, porque é também quando me sinto mais sozinha. Ainda que eu seja um perigo pra quem mora ao lado, sou meu melhor esconderijo. Me compreendo como ninguém e, acima de tudo, me respeito. Porque olha, mais difícil que a chuva, só mesmo o respeito. As pessoas esqueceram do que se trata, não sabem mais praticar. Bom seria se, assim como a chuva, essa gente tivesse cheiro. Seria fácil reconhecer e ficar longe. Mas não! Elas usam muito perfume e mentem como ninguém.

Depois tem os dias passando cada vez mais devagar e o último mês do ano, que me deixa ainda mais mulherzinha. Comecei a ler um livro três vezes e sempre que chego lá pela página 50 começo a chorar e volto ao início. Dá pra acreditar nisso? Eu nem sei porque que eu choro, nem tem tanto drama assim nessa primeira parte do livro. É só porque me disseram que o fim é trágico, dai fico toda amedrontada, como se deixar de ler o livro fosse mudar o fim da história. E não, eu não sou louca. É hormônio em excesso, época de fim de ano, fim de relacionamento, decepção e correria de fim de período. Sem isso tudo eu já sou um saco, imagina quando junta tanta coisa? Pena de quem mora na mesma casa que eu!

No mais, quanto tempo vai levar até que "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" se torne realidade? Venho pedindo isso desde os dezesseis anos e ninguém faz nada. Por favor gente, inventar algo que apague a memória não deve ser tão difícil. Certamente tem alguma ligação com a fórmula química usada na Vodca. Fica minha dica e o meu apelo, agradece desde já o meu coração.

E de coração: não deixem que minha falta de terapia afaste vocês. Psicólogo tá cada vez mais caro e minhas amigas psicólogas (que não são poucas, vale ressaltar) levam muito à sério aquele lance de ter que ser imparcial e simplesmente não opinam. Vêem eu fazendo merda e continuam não opinando, acreditam? Dai o que restou foi divagar por aqui mesmo.
Agradeço a compreensão e também aos que não me compreendem, pois faço parte do clã de vocês!

21 de novembro de 2012

Mais alguns segundos.



Aqui estamos nós onde eu nunca quis que chegássemos: uma infinidade de pequenas coisas entre eu e você. Cada vez mais distantes, quando tudo que eu queria era continuar cabendo em teu abraço. E você me olha como quem pede pra que eu dê conta enquanto bate a porta rindo sem saber ao certo que horas vai voltar.

Você que me deu o mundo em um sorriso e encheu de esperanças esse coração desnorteado. Te vi como o melhor caminho e decidi seguir sem medo. Quando dei por mim era muito tarde pra voltar a andar sozinha, não parecia justo comigo. Mas também deixou de parecer justo com você, já cansado de tamanha responsabilidade e vontade imensa de voltar ao que sempre fora: liberdade em sua plenitude, um infinito de possibilidades. Foi isso em você que me apaixonou e me ganhou pra sempre. É isso em você que vai fazer eu te perder.

Sei que venho sendo egoísta, prolongando o fim por achar que mereço um recomeço. Sei que deveria ser uma daquelas mulheres bem resolvidas que te deixaria partir numa boa e encontraria uma forma de dar a volta por cima. Talvez numa próxima vida eu venha assim. Talvez ainda nessa eu aprenda a ser assim. Mas não com você. Não deixando acabar esse fiozinho de amor que ainda existe entre a gente.

Bem sei que no fundo você aprova minha atitude. Sei que você vê o quanto me esforço e sorri consigo mesmo desse meu jeito meio torto de tentar te fazer feliz. Talvez por acreditar em mim mais que eu mesma é que continue aqui. Suportando o vazio imenso que existe entre os momentos de confidências e a maioria dos outros, quando o silêncio quase arranca as esperanças que me restam. 

Sei que se pudesse escolher que vontade sentir, ia querer ficar. Tenho certeza disso. Mas assim como é mais forte que eu isso de te querer aqui, é mais forte que você a necessidade de partir. E vejo nitidamente o esforço que faz para estar nos dois mundos. Eu, apaixonada que sou, acabei aceitando ter tua menor parte, ter teu menor tempo. E continuar fingindo que não noto as ausências, os silêncios e as perfeitas desculpas.

Desculpa errar tanto ao tentar acertar. Desculpa precisar tanto de você. Alguma coisa aqui dentro escolheu você de um jeito que não é justo com nenhum de nós dois. Eu sinto como se fosse a única no mundo que merece esse teu jeito doce, teus olhos claros e as promessas bonitas que você faz. Sinto como se fosse um direito meu te fazer feliz e ser feliz em troca. Parece louco, admito. E talvez com o tempo eu vá aprendendo a viver sem você. Mas agora é tão mais fácil te ter por perto, dormir contigo, acordar sorrindo aliviada nos teus braços. Até o mais difícil dos mundos ainda parece de alguma forma fácil se você vem junto.

12 de novembro de 2012

Ame-se!



Você olha a menina entregue e não entende. Até outro dia o sorriso era outro. Tem vontade de perguntar onde ela encontrou a coragem. Tem vontade dizer pra ela ir com calma. Tem uma certa inveja de ver ela tão entregue. Inveja boa e nascida lá do seu medo imenso de arriscar de novo. Tem vontade de dizer que ela te inspira.

Fica se perguntando aonde ela guardou o medo. Como ela conseguiu juntar os caquinhos do coração? Você queria esse pó mágico também. Queria toda essa coragem pra atirar no escuro e arriscar sem medo. Queria não ser assim tão insegura e ter todos os cacos do coração espalhados pelo chão. Coração que quer se refazer, mas ainda não descobriu como.

Comprar roupa nova não ajudou em nada. Cortar e pintar o cabelo não fez efeito. Todas as receitas colhidas em livros de auto-ajuda e blogs românticos... Nada deu certo! Nada trouxe aquele sorriso fácil que ela tem agora, ou aquele brilho nos olhos que parece ter um motivo com endereço. E sabe bem que além de sobrenome, tem antes o nome de "Amor". As quatro letras que exigem a entrega que você ainda não descobriu como conseguir. As quatro letras que inspiram o mundo e têm efeito contrário em você.

Agora escuta: Deixa disso! Tem drama demais derramado sobre os cacos desse seu coraçãozinho. Dói sim, disso eu também sei. Mas dói muito mais porque a gente insiste em deixar doer. Insiste em sentir pena de si mesmo. Insiste em repetir que não vai ser diferente. Busca o novo com mãos e pés no passado, achando que segurando a dor talvez tenha como mudar a história. Querendo deixar uma vírgula pelo caminho, achando que pode ser melhor adiar o final.

Desamarra essa cara. Larga mão desse bico. Sai desse pijama! Menina a esperança tem que vir de você. As quatro letrinhas de poder imenso dependem de você pra que aconteça. O sorriso fácil, o brilho nos olhos... Tudo nasce no espelho. Tá na hora de voltar a gostar do que vê. Tá na hora de se ver com outros olhos. E então, quem sabe, surjam novos olhares. Olhares convidativos e encorajadores. O que te falta pra que a cura se faça, pra que os sonhos se renovem, pra que a chama reascenda. 

A felicidade ao lado é bonita e sempre parece fácil, mas acredite, ela é bem melhor quando vem da gente, de forma suada e extremamente compensadora!

29 de outubro de 2012

Saudade dos tempos de bolha.



Um dia grudado e no outro, distante demais. É tanta gente que fica pelo caminho. É tanto "E aí, como vai?" sem graça que um dia já foi abraço apertado e troca de segredos. A vida leva muito da gente e nos traz coisas maravilhosas também.
Tem perda difícil de aceitar. Tem amor difícil de morrer. Tem história que só teria final feliz se não tivesse fim. E a gente, mesmo sem entender, vai seguindo em frente porque é o que dizem que tem que ser feito, porque diz o ditado que "as coisas são como têm de ser".
O que resta é torcer para que ao longo do caminho as pessoas tenham ficado com lembranças boas à nosso respeito. Que tenhamos conseguido ser o que elas esperavam, o que somos de verdade, o melhor de nós. E nos convencermos de que o que foi, já era! Mas o melhor ainda está por vir, está exatamente no que não conhecemos ou tivemos ainda. Está em quem insistiu em ficar, em quem não se perdeu. O melhor está no verdadeiro e o verdadeiro dura para além dos finais, para além da saudade que a distância costuma causar. Para além da dor da ausência.
Que o que temos em nós seja verdadeiro. Que não nos percamos ao perder alguém. Que nos façamos fortes quando tudo nos levar ao contrário. Que as ausências sejam preenchidas com presenças verdadeiras, duradouras, essenciais. Que o "breve" só seja assim porque todo o tempo do mundo parece pouco quando estamos felizes. Que o felizes para sempre se faça real. E que nem mesmo a distância apague o amor, para sabermos assim que ele é verdadeiro.

19 de setembro de 2012

Reencontro.


  Como eu queria te abraçar agora e sussurrar qualquer coisa em teu ouvido. Tocar tua pele como quem ganha o mundo embrulhado em papel de presente, o desejo imenso de desvendar todos os mistérios. 
  Fazer de dois, um sonho. Sorrir junto. Ter teu colo pra chorar. Te olhar e ver o que as cores têm de mais bonito. Beijar teu sorriso, morder tua orelha, arranhar tuas costas. Me fazer pequena pra ser guardada em teus braços. Grande pra te merecer. E ter sempre o corpo quente pra te aquecer.
  Ser abrigo, esconderijo, fuga. Ser refúgio. E passar a mão nos teus cabelos com força. Sentir na minha a tua respiração. Não ver o tempo passar e sentir cada minuto como quem toca a felicidade. Dividir o copo, a dose, as dores. Ouvir tua voz de perto, com os erros de português e o grave dos momentos de raiva.
  Dizer, sentindo teu corpo no meu, do quanto você me encanta. E repetir coisas sobre paixão e pra sempre. Pedir que não tenha medo, que me segure, que me acalme e me enlouqueça. Fazer promessas possíveis e trocar confidências. Todas as formas mágicas de botar o sentimento pra fora sem que ele atropele a nossa história. Tudo que te faça mostrar um sorriso e chegar mais perto. Qualquer coisa que te mantenha ao meu lado, que mantenha a chama acesa, que acalme nossas almas. 
  Cantar canções que me lembrem você. Dizer que esperei por isso a vida inteira. Mostrar que é exatamente o que eu quero. Deixar bem claro que eu sei exatamente como te fazer feliz. Basta que você deixe. Basta que você perceba que o mundo inteiro para pra observar a mágica que existe quando nossos corpos se encontram. 
  E então toda espera parecerá pouca. Parecerá nada. Toda saudade valerá à pena. Qualquer coisa fará sentido. E tudo que vier de você será bem-vindo. Será suficiente. Será perfeito. Pra que o sentimento não se perca e todo encontro seja sempre o primeiro.

14 de setembro de 2012

Com calma a gente chega lá.


Quanto maior o número de ligações, maior o número de pessoas em fulga. Não fora uma ou duas vezes - vi gente fugir de relacionamentos bem mais vezes que o que eu fui capaz de contabilizar. Gente que, num primeiro momento, entrega até o que não tem, mas foge ao notar o outro se doando mais que o normal. Gente que vive dizendo que quer encontrar o amor da vida, mas tem um medo imenso de ser isso pra alguém.

Não vou dizer que é absurdo. Eu mesma já fiz isso um bom bocado de vezes. Muito mais por saber que o outro lado não tinha pra oferecer o que eu queria receber, que por medo de sentimento exagerado, verdade seja dita. Mas, ainda assim, fugi. Deixei de responder mensagens, de atender ligações, de puxar conversa ou aceitar convites. Como qualquer pessoa nessa situação, que sabe o que não quer, mas tem receio em falar porque conhece muito sobre rejeição e seus efeitos colaterais nada agradáveis.

Pessoas intensas assustam. E digo isso por experiência própria. Vai tudo muito bem, até a outra pessoa decidir que você precisa saber que ela não sabe mais viver sem você. Até outro dia ela nem te conhecia, veja só. E você, que mal sabe lidar com os sentimentos que traz dentro de si, quer curtir a companhia um pouco mais, mas sabe que se continuar as coisas não serão mais tão prazerosas como antes. Isso porque não há mais a leveza de outrora. Pouco, agora, pode parecer muito mais que o que realmente é. E diferente do que tendem a dizer futuramente, você não quer enganar ninguém.

Intensidade faz as coisas parecerem enormes. E coisas enormes pesam. De repente ligar deixa de ser normal e passa a ser um risco. Nunca dá pra saber como o poço de intensidade irá interpretar. Gente que cai de cabeça tende a embelezar tudo, que é pra não ter medo de arriscar. E não faz por mal, é claro. Mas acaba atrapalhando o andamento das coisas. Não que seja errado se dizer apaixonado caso você realmente esteja, mas sutileza ajuda muito. E ajuda mais ainda se você não contar isso como se a outra pessoa tivesse obrigação de corresponder.

Então a pré-disposição pro que poderia vir a ser alguma coisa no futuro, vai sumindo. A gente nunca tá pronto pra adentrar num mar de forte correnteza. A gente sente medo e é completamente normal. Do outro lado o ser intenso nos intitula "canalhas" e outros termos capazes de definir a pessoa que teoricamente brincou com seus exagerados sentimentos. Parece sempre um absurdo quando alguém não está pronto pra lidar com os sentimentos alheios. Nós mesmos dizemos isso quando não se trata de relações nas quais estamos inseridos. Mas a verdade é que, entre alguém que sabe a hora de pular fora e outro alguém que se recusa a abdicar da sensação boa que nos causa ser desejados, há uma enorme diferença.

Claro que o ser intenso não é capaz de perceber isso. E é até perdoável. Mas a verdade é que nós nunca estamos preparados pra ser amados. E quando estamos, a coisa não rola. Todas as vezes que se vê um relacionamento começando, acredite: um gosta mais que o outro e esse outro é, antes de mais nada, muito corajoso. E é óbvio que essa coragem não vem do nada. A gente também consegue ver, pelos sinais, quando pode dar certo mesmo que o sentimento ainda não seja muito forte. Na maioria desses casos a outra pessoa não nos atropelou com uma chuva de palavras apaixonadas. Sentimento demais gera recusa e isso é quase inevitável.

Entre canalha que não sabe o que quer e alguém que sabe o que não quer, a diferença é bem grande. Não podemos culpar quem foge por receber bem mais que o que tem pra oferecer. Espelhos estão ai pra isso. Apaixonar-se é bom, faz bem, desde que não super lote a caixa de entrada do outro. Tenho pra mim que o poema que diz "Se tu me amas, ama-me baixinho" discorre sobre a maior das verdades. Sentimento demais assusta. Atenção demais dá preguiça. Depois as pessoas acham um absurdo ver garotas em fulga ou caras que rejeitam ligações. 
Falar baixinho atrai. Sumir, vez ou outra, dá saudade. E dizer verdades, sem fazer delas uma imposição, acaba cativando. Sendo realista, essa é quase a receita pro sucesso, em qualquer tipo de relação.

25 de agosto de 2012

♥


Aquele crença boba no impossível ainda existe. 
Não sei, não consigo não acreditar que chegarei lá. O dicionário definiria facilmente como teimosia diante da quantidade de vezes que quebrei a cara. Mas não é isso. É bem maior. É como saber, ter certeza absoluta, dentro de uma caixinha guardada no fundo da alma, que se eu fizer o meu melhor, vai dar certo. E que mesmo que não seja assim desde o primeiro momento e para sempre, continuará sendo a melhor das opções. Tentar renova a alma. 
Não tem muita explicação pra isso, só que nem mesmo os "joão bobos" encontrados pelo caminho levaram de mim mais que o que mereciam, mesmo que eu tenha me entregue bem mais que o que seria justo comigo mesma. Nenhuma troca é justa. Mas nem mesmo as mentiras bem contadas foram capazes de fazer com que eu deixasse de acreditar num sorriso bonito e olhar firme. 
Talvez eu venha mesmo a me machucar outra vez . Talvez não. E eu sou do tipo de pessoa que acredita em tudo, menos na dúvida. Não nasci pra não saber as respostas e pago caro por isso. O bom é que isso não me incomoda e, como cada centavo sai do meu bolso, volto a me arriscar outra vez com toda a minha intensa sinceridade e crença desmedida. Não no outro, mas em mim mesma. Por acreditar cegamente que uma hora dará certo. Que eu mereço sim ser muito feliz!


18 de agosto de 2012

Da série: Nem vem que não tem!

Na tua vida não tem espaço pra mim e eu nunca fui de me conformar com meio lugar pra ocupar. Sou espaçosa, te disse. Deixei bem claro que te queria inteiro, porque não sei me doar em metades. O embrulho vai completo: papel bonito, laço, dramas e sorrisos. Quero o mesmo em troca, tudo muito justo. Nada morno. Sem meios termos, sem relação meia-boca.

Depois você não entende do que eu tô fugindo. Parece não saber que sentimento raso me dá medo. Amar independente das incertezas, vá lá. Mas amar com prazo de validade não! Me recuso. Não sei lidar com palavras ensaiadas e data marcada pra sentir saudade. Não sei e não quero aprender. Passei tempo demais redecorando meu coração pra deixar que ele seja ocupado por um prazo. Não quero prazos, quero que dure. Desde o beijo ao pós-briga. 


Não sei agir como se seus pedaços fossem bons. Quer dizer, bons eles são, até admito. Mas não são o suficiente. O pedaço de você que sobrou pra me levar num jantar no sábado não vai durar até a manhã do domingo, quando você estará inteiro no futebol. E seu pedaço que saiu comigo na última sexta-feira não será suficiente pra que eu queira ficar até a segunda. É bom, mas é pouco. É pouco demais diante do que eu tenho pra te oferecer ou do quanto me vejo entregue todas as vezes que passo horas procurando uma roupa que evidencie a minha curva que você tanto elogia. Relógio na parede me dizendo claramente que o tempo não vai passar até que você chegue. 


E ao chegar, em meio ao tempo que agora parece correr, você tem sempre ligações demais para atender, mensagens infinitas para responder. Fez boa distribuição dos pedaços, certamente. E eu ainda tento contabilizar os teus sorrisos e descobrir se algum deles é só meu, se há algo em você que me pertença de verdade. Antes que a verdade se torne ainda mais evidente, teu relógio diz que é hora de ir embora. Sempre cedo demais pra que eu me entregue e tarde demais pra que você possa ficar mais um pouco. Estamos em frequências diferentes e o relógio continua sendo nosso maior vilão, embora não o único. 


E tudo em você se torna previsível. Calmaria insuportável. Tédio sem fim. As ligações têm minutos contados e o corpo é morno. Falta fogo no beijo, falta me deixar sem fôlego. O tempo é curto demais e a espera muito longa. Espera nunca compensada. Desculpas esfarrapadas. Tudo bem drama de folhetim das sete. E você secretamente achando que estou ficando muito exigente.


E te ouço reclamar dos passos que dou pra trás, quase acreditando que quer mesmo fazer andar pra frente. Mas é de "quases" que um relacionamento meia-boca se faz. Porque quem quase chega, me deu um bolo. Quem quase me amou, voltou pra ex. E eu quase me apaixonei por você, mas meu quase ainda é muito mais que o que você quase chegou a merecer.