27 de novembro de 2010

E daí?

 No fim das contas quase tudo que parecia ser eterno acaba por acabar. Foi assim com alguns sonhos, planos, pessoas, medos e traumas. E ainda vai ser assim com uma infinidade de coisas.
 Eu sei que eu disse que seria pra sempre, mas é por isso que namoramos não? Exatamente por acreditar que vai ser pra sempre, mesmo quando todos dizem que cedo ou tarde vai acabar. A verdade é que o sentimento é tão forte e bonito que tudo que a gente quer é que nunca acabe, mas sempre acaba porque cedo ou tarde perde a graça, vira dor ou simplesmente deixa de fazer sentido. Se quiser saber como estou direi que estou bem, porque estou mesmo, por incrível que me pareça eu sobrevivi - como tantos outros que também chegaram a acreditar que não conseguiriam. Sentimentos tendem ao drama mesmo quando não é isso que queremos.
E daí que eu chorei à toa? E daí que não deu certo? Foi lindo, intenso, verdadeiro. Foi tudo que tinha que ser, digo mais, foi além... Muito além do que um dia eu imaginei. Acabou como sonhos que acabam ao acordarmos e que deixam sempre aquela vaga lembrança que te faz voltar a dormir pra quem sabe conseguir sonhar o mesmo sonho, quando no fundo você sabe que é impossível.
Vivi muitas coisas desde então e não posso negar que nada foi tão intenso, mas foram coisas também bonitas e que foram ocupando espaços esburacados dessa mente e desse coração atordoado. E não foi pra sempre como eu esperava que fosse, mas foi eterno, infinito... Foi lindo. Como o pensamento eufórico nos segundos que antecederam o primeiro beijo que foi dado junto do nascer do sol naquele dia e como as lembranças do bons momentos que ficarão guardadas pra daqui pra frente eu ter a certeza de que amei e que, cedo ou tarde, será bom amar outra vez.

18 de novembro de 2010

Remar contra a maré

Chegar ao fundo da questão, sem medo. Correr o risco de perder, em paz. Saber que vão-se os anéis e ficam os dedos e que o futuro a gente mesmo faz.
O importante é despertar sereno, não se ferir e não ferir ninguém. E se o nosso grande amor ficou pequeno, acontecer um outro amor faz bem!
Se não dá mais, melhor abrir . Não há por que mentir, nem tempo a perder. A gente insiste em se acertar, tentando se enganar... Fazendo por fazer.
Está faltando emoção, é o próprio coração quem diz: não dá mais pé.
Foi lindo enquanto durou, mas insistir no que acabou é remar contra maré.

[Bruno e Marrone]

26 de outubro de 2010

Remediado está (ou não).

Não bastassem as noites mal dormidas, agora tinha pra somar também os dias de calor profundo que passam vagamente e rancam suor, lágrima e, pra não dizer que tudo está perdido, algumas calorias.
Antes, quando o fim parecia temporário e a fé continuava inabalável, os dias não doíam tanto e, não fossem as noites em que a cama de tão gigante te devora, continuaria certa de uma volta. Mas não volta, não vem. Tem todas as lembranças num canto da alma e tem todo o medo de não conseguir superar.
Então a gente foge. Foge porque num primeiro momento a fuga é o melhor remédio. E se esconde das músicas, lembranças e de tudo o mais que volte a fazer do passado ferida presente. Vai buscando abrigo numa voz diferente, num beijo que não toca mas engana, num abraço que não sacia mas conforta. É isso, a gente foge por querer conforto.
E em conversas como essa, quando as verdades são ditas sem perceber, é impossível não falar do amanhã que nunca chega e do ontem que nunca passa. A gente fica aqui, parado no tempo, enquanto a vida segue e a gente não sabe se vai conseguir. Não sabe por saber do quanto a falta ainda machuca e de como fica cada dia mais difícil ouvir aquela música que não tem tua voz, mas diz exatamente o que você não tem forças pra dizer.
Vai levando essa angústia triste, vai seguindo um caminho longo, até encontrar um consolo numa companhia que nem sempre agrada, mas ao menos ilude. Aliás, em casos como esse, uma ilusão é sempre bem-vinda. E de ilusão em ilusão se percorre esse caminho sinuoso, que vai dar não se sabe onde e que, bar sim bar não, te faz soltar vez ou outra uma verdade. Verdade que não deveria, mas ao ser dita, alivia!
E vai fingindo que não se importa, porque é assim que deveria ser, mas tanto leva em conta que não sabe como esquecer e ao tentar fingir que não, só consegue deixar transparecer. As aparências não enganam. Não nesse caso. Caso que nem deveria ser contado, mas pra um alívio imediato vai virando palavras e sendo espalhado, entre copos de vidro sempre meio-cheios e textos nunca lidos. Porque pegar o telefone e falar a quem se deve é insuportável. Porque bater na porta de quem realmente interessa parece impossível. E com esse orgulho desmedido e esse medo da verdade vai levando, vivendo recomeços de mentirinha e sorrindo pra que ninguém descubra essa falsa felicidade.
Só não esqueça de esconder os olhos, ainda que não queiram, eles tendem a falar. E não mentem!